Preço do cimento recua em BH

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02/08/2011 :: Edição  148

 

Jornal Diário do Comércio - MG/MG 02/07/2011
 

Preço do cimento recua em BH

Valor médio do saco de 50 quilos registrou queda de 5% em julho, apontam lojistas.A cotação do cimento caiu com o aumento da concorrência e a redução do consumo no mercado interno

 A revisão das projeções de crescimento da demanda de cimento no país ao longo de 2011 e a manutenção dos investimentos em produção por parte da indústria cimenteira já se refletem no preço da venda do material para as lojas de Belo Horizonte. De acordo com representantes do comércio varejista de materiais de construção, o valor do saco de 50 quilos do produto passou de uma média de R$ 17,40 para R$ 16,50 no último mês, o que equivale a uma queda de cerca de 5% no valor. O arrefecimento já está sendo repassado ao consumidor final e deve ser mantido até o fim do ano.
 Nas lojas Continental, que possui quatro unidades na capital mineira, a redução ns preços já está sendo repassada. De acordo com o diretor da rede, José Carlos Teixeira, há cerca de 30 dias os fornecedores de cimento passaram a vender mais barato e, na loja, o consumidor já encontra o produto por R$ 19,40. Antes da redução, a cotação do insumo era superior a R$ 20.
 Para o diretor, o principal responsável pela queda no preço do material foi o aumento da concorrência na indústria cimenteira de Minas Gerais, com a chegada da fábrica da Cimentos Brennand, controlada pelo grupo Ricardo Brennand, ao município de Sete Lagoas, na região Central do Estado. "O novo fornecedor já começou a visitar as lojas de materiais de construção e apresentou orçamento diferenciado. Além disso, sabemos que a produção está superior à demanda", disse.
 Revisão  - Teixeira refere-se à recente revisão para baixo do consumo de cimento no país em 2011, feita pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). As projeções da entidade, que antes eram de incremento de algo em torno de 9% em relação ao ano passado, passaram para aproximadamente 6% na mesma base de comparação.
 A redução das projeções do sindicato se deu em virtude do atual cenário macroeconômico. Entre os fatores estão as medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central (BC) e governo federal para reduzir o consumo interno e conter a pressão inflacionária.
 Desta forma, segundo Teixeira, a previsão é de que o cenário seja mantido até o fim deste ano, o que deverá contribuir para o volume de vendas de cimento nas unidades da Continental. Ao todo, a rede comercializa uma média de 4 mil sacos de cimento por mês. Além disso, conforme ele, apesar de o material representar pouco menos de 5% para os negócios da empresa, o preço favorável do insumo acaba favorecendo também a comercialização de outros itens.
 "Somente no acumulado do primeiro semestre deste exercício registramos avanço nos negócios na casa dos 15% sobre igual época do ano passado. Agora, com a colaboração do segmento cimenteiro, deveremos ampliar ainda mais esse crescimento ao final de 2011", apostou.
 No caso da Cerâmicas Nacionais Reunidas (CNR), que conta com sete lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a redução no preço do cimento junto aos fornecedores já chega a 5%. Segundo o diretor da empresa, Victor Lanna Vasconcellos, os preços, que antes configuravam na ordem de R$ 19,11, agora chegam a R$ 18,20.
 Na opinião de Vasconcellos, a queda nos preços pode ser considerada como uma adequação do setor. "As indústrias têm aumentado a diversidade de produtos, fazendo com que o consumidor tenha um número maior de opções. Com isso, a concorrência também aumenta e, conseqüentemente, o preço diminui", explicou.
 Segundo o diretor da CNR, o repasse da redução dos valores do saco de 50 quilos de cimento já está sendo efetuado junto ao consumidor final e o produto hoje pode ser encontrado nas lojas da rede por um preço médio de R$ 18,30. "Depende muito do tipo de cimento que a pessoa quer. Para se ter uma ideia, o CP2 32 chega a ser vendido por até R$ 20,90", destacou.
 A CNR comercializa cerca de 10 mil sacos de cimento por mês. Em valores, o volume representa cerca de 5% do faturamento total da rede.
 Já o proprietário da Casa Moderna Materiais de Construção, instalada na região Oeste de Belo Horizonte, José Divino Gonçalves, informou que na última compra do material, realizada há 20 dias, ainda não tinha sido observada nenhuma retração. Segundo ele, até então, o preço médio pago pelo saco de 50 quilos estava na faixa de R$ 17. "A próxima reunião com os fornecedores vai acorrer ainda nesta semana. Depois disso é que será possível constatar ou não a redução dos preços", disse.
 Levantamento realizado no fim de julho pelo Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais revelou que o consumidor da Capital já pode economizar, em média, 0,67% na compra do material de construção. Isso significa uma economia de R$ 0,60. A pesquisa foi feita em 54 estabelecimentos, com dez tipos de cimento. Em julho, o valor médio encontrado foi de R$ 18,96, enquanto em junho era de R$ 19,57.

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