Precisa-se de engenheiros e operários

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12/07/2012 :: Edição 358

Jornal Valor Econômico - 12/07/2012

precisa-se de engenheiros e operários

No Brasil, há seis engenheiros para cada mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos e no Japão são 26 profissionais da área para cada mil pessoas. A conta é de Priscila de Oliveira, sócia da Search Consultoria, especializada em recrutamento. "Além de engenheiros de obras, o setor de construção procura pedreiros, carpinteiros e serventes." 

Na avaliação de especialistas em recursos humanos, há maior escassez de profissionais em regiões como o Centro-Oeste e o Nordeste. "Temos um déficit de 20 mil engenheiros ao ano, segundo dados do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea)", diz Fernanda Campos, sócia da consultoria Mariaca.

Para resolver o problema do "apagão" de operários e engenheiros, grandes construtoras, sindicatos e até redes de franquias de educação investem na formação de profissionais. Conforme estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a demanda por pessoal na construção civil deve subir de 2,5% a 5,5%, em 2012, em um cenário otimista. De acordo com Priscila, além da baixa relação entre o número de engenheiros e o tamanho da população, há um outro entrave que agrava a carência de currículos: o tempo necessário para a formação profissional, que vai de seis a dez anos.

A consultora lembra que os problemas de mão de obra começaram no início dos anos 1980, quando a economia brasileira estagnou e a demanda por profissionais caiu. "Parte dos engenheiros era deslocada para outros nichos, como o financeiro, que oferecia remunerações mais atraentes."

Hoje, os profissionais mais procurados são pedreiros, carpinteiros, serventes e engenheiros de obras. "Para suprir os gargalos, as construtoras criam programas de capacitação para mestres de obra, contratam estrangeiros e investem em inovação, para executar obras sem a necessidade de grandes equipes." 

Com grandes projetos como a ampliação do aeroporto de Confins, em Minas Gerais, uma via expressa no Maranhão e ações de mobilidade urbana no Ceará, a construtora Marquise tem cerca de cem vagas em aberto neste mês, a maioria para cargos operacionais. "Na área administrativa, há colocações para técnicos de nível superior, principalmente engenharia civil, de produção e mecânica", diz Ana Cláudia Coelho, gerente de gestão de pessoas do Grupo Marquise. A construtora contratou 1,5 mil pessoas em 2011 e deve admitir mais 2 mil profissionais em 2012, sendo 80% para a área operacional.

Com 3,8 mil funcionários, a Marquise desenvolve, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), o projeto ConstruirRH, nos canteiros de obras, para formação profissional, com aulas sobre técnicas construtivas. "O problema mais crítico, além da escassez de profissionais de ciências exatas, de tecnologias, executivos e operários, é a falta de capacitação diante das exigências do mercado", diz Ana Cláudia. 

"As construtoras estão vivendo um período de mercado aquecido, com grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa do Mundo, das Olimpíadas de 2016 e da exploração de petróleo e gás", diz Fernanda Campos, da Mariaca. "O déficit de 20 mil engenheiros ao ano deve aumentar porque as universidades não formam o contingente necessário para atender a demanda. Há, pelo menos, 158 mil profissionais da área exercendo outras atividades."

Segundo Fernanda, as posições mais difíceis de preencher são para profissionais qualificados, como gerentes de obras e engenheiros. "Esse currículo precisa ter conhecimento técnico, capacidade de lidar com finanças, planejamento de projetos e grandes equipes", diz. "As construtoras estão oferecendo pacotes agressivos de remuneração e benefícios para capturar e reter os melhores empregados nos cargos de chefia." 

Antes mesmo de se formar em engenharia civil, o que só deve ocorrer me 2015, Vitor Hugo Palanca Barros, de 21 anos, já trabalha em uma construtora há um ano e cinco meses. Nas obras, o estagiário sente falta de mais carpinteiros e engenheiros.

De olho nas necessidades do mercado, os sócios Sidney Bezerra e Miguel Pierre investiram na Concretta, uma rede de franquias de escolas profissionalizantes, lançada há 20 dias. O modelo de ensino oferece sete cursos de dois meses a um ano de duração. Incluem aulas para encanador, eletricista, pedreiro, carpinteiro e pintor de paredes. 

"Além de profissionais que já trabalham na construção civil, queremos atender construtoras que precisam qualificar pessoal e fazer parcerias com o governo", diz Bezerra.

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