José Alencar e a taxa de juros

Vamos, inicialmente, colocar uma premissa básica: A macro economia não é parte das ciências exatas.

Depende de uma grande quantidade de variáveis dentre as quais se destaca o comportamento humano que não é, e nem nunca foi, tão lógico como se pretende. Assim, os economistas que ainda acreditam em fórmulas matemáticas para tomar decisões macro econômicas estão, por princípio, errados.

E José Alencar, o experiente empresário, que tanto ajudou ao governo Lula, está certo em sua genial intuição: não faz sentido o Brasil ter sua economia e seu crescimento freiados por uma mega taxa de juros, como aconteceu durante as chamadas décadas perdidas, enquanto outros países, China e Coréia por exemplo, cresciam de modo continuo e acelerado. E continuam crescendo.

A inflação, todos sabem, não é provocada apenas por excesso de oferta de moeda/crédito.

Uma de suas principais causas é a tensão elevada entre demanda e oferta de produtos e serviços.

Outra causa, muito importante, é essa mesma tensão entre a procura e a oferta de recursos reais: mão de obra qualificada, tecnologia, boa gestão, oferta de materiais e equipamentos, capacidade produtiva das fábricas, infraestrutura, capacidade de produção agrícola, etc.

O “remédio“ da elevação das taxas de juros reduz,  de fato, a demanda. Mas pode voltar a freiar toda a economia.

A estratégia correta é estimular a oferta de recursos reais – trazer pessoas qualificadas de países com taxas elevadas de desemprego, financiar, a juros civilizados, os pequenos empreendedores e também, porque não, os grandes; financiar a agricultura; fazer as obras de infraestrutura, também a preços civilizados, etc.

A estratégia correta de crescimento real para o país pede, hoje todos sabemos, o crescimento do mercado interno.

Para isso precisamos de manter o crescimento do binômio: ”demanda- oferta” de produtos e serviços, de forma equilibrada.

Daí que o “remédio” de freiar a demanda está errado, sob o ponto de vista estratégico. A estratégia é aumentar a oferta de produtos e serviços. Para isso, os juros para os pequenos empresários e para as empresas que produzem bens essenciais, inclusive insumos básicos, não podem ser elevados.

Precisamos de eliminar os gargalos, ainda existentes, para o crescimento econômico. Não precisamos do “remédio” de freiar a economia. Muito menos, Deus nos livre, de novas décadas perdidas receitadas por falsos “gurús”. Por falar em Deus, alguém, “pelo amor de Deus”, mostre isso para a Dilma.

Maurício Roscoe – Conselheiro Consultivo da CBIC