CBIC CLIPPING
Falta de mão de obra acelera construções
Brasil Econômico/BR
06 de setembro de 2010
Costabile Nicoletta, Diretor Adjunto
A escassez de mão de obra e o novo padrão internacional de contabilidade que deverá ser adotado pelas empresas de capital aberto até o final deste ano vão acelerar a entrega de empreendimentos imobiliários.Emílio Fugazza, diretor financeiro e de relações com investidores da EZ Tec, vai além: "Provocarão uma das maiores transformações pelas quais já passou a indústria da construção civil no país".
Um pedreiro regularmente contratado por uma empresa que esteja erguendo um edifício em São Paulo recebe um salário mensal de pelo menos R$ 2 mil. Um mestre de obras não sai por menos de R$ 8 mil. Ambos são profissionais disputados pelas empresas do ramo, que, com o aumento de sua folha de pagamento, começam a avaliar melhor a possibilidade de introduzir nos canteiros de obras equipamentos cujo uso não se mostrava viável economicamente quando havia abundância de operários a um custo bem mais baixo que o de hoje.
Além disso,métodos construtivos mais modernos - como a colocação de fachadas e de banheiros que já vêm prontos dos fornecedores -, que chegaram a ser testados no país mas também não eram muito usados por serem mais caros que a utilização intensiva de mão de obra barata, passam a fazer parte do orçamento de construção de novos edifícios.
Pela contabilidade em vigor, as construtoras podem creditar como receita em seu balanço financeiro uma parte do valor pelo qual venderam os apartamentos que ergueram, mesmo que o prédio não esteja totalmente concluído e que as prestações dos mutuários estejam no início. Pelo novo padrão internacional, só poderá aparecer como receita o dinheiro que, efetivamente, entrar no caixa da companhia. Com isso, a demora para entregar o edifício terá reflexos diretos no balanço da construtora e na cotação de suas ações na bolsa de valores. Seu valor de mercado espelhará a pontualidade da conclusão das obras. Será bom para os consumidores e para a credibilidade das empresas.
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Novo padrão internacional de contabilidade também contribuirá para que os edifícios fiquem prontos mais rapidamente
Indústria de material de construção trabalha no limite
Brasil Econômico/BR
06 de setembro de 2010
Segundo pesquisa da Abramat, 77% das indústrias vão investir no próximo ano
O aumento dos turnos de trabalho foi a primeira ação para atender de forma imediata a demanda aquecida no segmento que hoje é o mais pulsante da economia nacional: a construção civil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção(Abramat), o setor trabalha hoje com utilização de 87% da capacidade instalada, patamar alto porém estável nos últimos seis meses. "Isso indica que a indústria está conseguindo atender as encomendas enquanto a ampliação de capacidade não vem", diz o presidente da Abramat,MelvynFox.
Segundo pesquisa da associação, 77% das indústrias estão investindo ou vão investir- em expansão e novas plantas - nos próximos 12 meses. O alto nível de investimento olha para o horizonte de 2016 e as expectativas com a segunda etapa do programa Minha Casa Minha Vida, recursos em alta para financiamentos imobiliários,continuidade no alongamento de prazos e melhora de renda, além dos projetos ligados à Copa e à Olimpíada. "Pesquisa feita pela FGV aponta para um salto no faturamento de R$ 96,8 bilhões em 2009 para R$ 188 bilhões em2016", diz Fox. Para o presidente da Abramat, 2010 será o melhor ano da história da construção civil, com projeção de alta de 15% no faturamento."Em 2008, que foi um ano recorde, o setor cresceu 14%, aí veio a crise e 2009 teve queda de 12% e agora devemos ultrapassar os 15% de alta."
Novas fábricas
A Votorantim Cimentos tem investimentos de R$ 5 bilhões para o período 2007-2013 - são nove fábricas já em funcionamento, cinco em construção e há projetos para outras oito fábricas espalhadas pelo país. "Em todo o período haverá uma geração de sete mil novos empregos diretos e indiretos com esses projetos", observa o presidente da Abramat.
Importante fornecedora de aço, a Gerdau tem investimentos programados de R$ 11 bilhões no período de 2010-2014, sendo 80% deles direcionado ao Brasil.
A Tigre, que trabalha com85% da capacidade instalada, está investindo R$ 200 milhões na expansão da capacidade para atender a demanda adicional. "Esses são exemplos de empresas que já estavam trabalhando com plena utilização de capacidade e agora investem de olho na demanda que ainda está por vir", reforça o dirigente da Abramat.O faturamento da indústria de material de construção deve crescer acima de 15% em2010
Reformas não devem sair do papel no pós-Lula
Brasil Econômico/BR
06 de setembro de 2010
Em debate na capital paulista, economistas veem pouca chance de novas regras trabalhistas, previdenciárias e tributárias serem adotadas no país
Juliana Rangel jrangel@brasileconomico.com.br
Embora já tratem como quase certa a vitória da candidata do governo à Presidência da República, Dilma Rousseff, (PT) e considerem provável um aumento significativo da base aliada no Congresso, economistas acham que dificilmente as reformas Trabalhista, Tributária e Previdenciária sairão do papel nos próximos quatro anos. O tema foi debatido em encontro promovido pelo Banco Espírito Santo (BES) Investimento sobre "As perspectivas econômicas no pós-Lula".
Segundo o sócio da MCM Consultores, Cláudio Gonçalez, ex-chefe da Assessoria Econômica da Fazenda no governo Sarney, a palavra "reforma" gera "anticorpos" no Brasil.
"O máximo que vai acontecer é um ajuste pelas beiradas", diz. Para ele, uma eventual continuação do governo petista não se arriscará a perder o apoio popular com uma reforma trabalhista, já que não há consenso sobre o tema. Já a as mudanças na Previdência, acredita, só acontecerão se as regras forem restritas aos novos ingressantes, Reformas não devem sair do papel no pós-Lula
Em debate na capital paulista, economistas veem pouca chance de novas regras trabalhistas, previdenciárias e tributárias serem adotadas no país no regime de repartição (em que todos contribuem). Gonçalez vai além. "A reforma tributária é totalmente improvável e completamente desnecessária.
E uma bobagem que enfiaram na cabeça dos empresários", afirma. Segundo ele, é possível desonerar investimentos, estimular exportações e investir em infraestrutura sem a necessidade de parar o Congresso com discussões.
O diretor de macroeconomia da LCA Consultores, Fernando Sampaio, concorda. "O maior progresso que se pode esperar é a redução do gargalo de infraestrutura. Isso tem um ponto alto na agenda do governo já nesse momento, e deverá continuar no próximo mandato", avalia.
Para ambos os economistas, o Brasil tem potencial de crescer numa faixa de 4,5% nos próximos anos. Eles também acreditam em inflação um pouco acima do centro da meta governamental de 4,5%, mas acham que os juros ficarão estáveis ao longo do ano de 2011.
Uma expansão maior da economia, dizem, exigirá um aperfeiçoamento mais acelerado do do sistema educacional do país e da mão-de-obra.
Intervenção estatal Para Gonçalez, o grande desafio do próximo governo será driblar um ímpeto maior de intervenção estatal. Ele cita mudanças recentes na exploração de petróleo, do regime de concessão para partilha, e menciona os incentivos para a construção do trem-bala. O investimento está avaliado em R$ 33 bilhões e deverá ser financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"O trem-bala é um exemplo porque, quando as decisões são tomadas pelo Estado, elas tendem a ter fins políticos. Não olham a melhor taxa de investimento ou de retorno", diz. "Eu sou pessimista no governo Dilma sobre isso, pois acho que haverá um aumento da ineficiência da máquina pública".
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"A reforma triutária é totalmente improvável e completamente desnecessária.
É uma bobagem que enfiaram na cabeça dos empresários Claudio Gonçalez, sócio da MCM Consultores
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Sampaio discorda. Para ele, a atuação do governo durante a crise garantiu que a economia reagisse: "Eu duvido do termo 'estatizante' num próximo mandato".
E completou: "A tendência é de que o novo governo mantenha o perfil atual de combinar elementos de maior intervencionismo, principalmente no crédito, mas a preocupação em viabilizar investimentos é muito grande e tem sido eficaz".
O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, também evita o termo "estatização", mas acredita em uma participação maior do governo em setores da economia. Para ele, este é um movimento ruim: "o papel do estado é o degerenciador. Ele tem que dar o arcabouço institucional e deixar que o setor privado toque os investimentos", defende.
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PRODUTO INTERNO BRUTO
4,5% É a estimativa de crescimento do Brasil nos próximos anos. Para 2010, o consenso é cerca de 7%.
TREM-BALA
R$ 33 bi É o custo estimado do projeto. A expectativa é de que o empreendimento seja financiado pelo BNDES.
TAXA SELIC
10,75% É a atual taxa básica de juros da economia. Especialistas acreditam em manutenção ou leve alta a partir de 2011.
"Casa de Lego" para baixa renda custa R$ 13 mil
Hoje em Dia - Online/BR
06 de setembro de 2010
Engenheiro constrói casa em três dias usando plástico reciclado como matéria-prima
Televisões que não funcionam mais, garrafas de refrigerante, potes quebrados e sacolas plásticas que iriam para o lixo podem significar a solução para suprir a falta de moradias a um preço acessível. Uma casa feita quase totalmente de blocos de encaixar, assim como as casinhas de Lego, pode custar R$ 13 mil e ser uma das respostas para o avanço da habitação no país.
Trata-se de um imóvel com dois quartos, um banheiro e uma sala conjugada à cozinha, com cerca de 45 m2 (metros quadrados) de área privativa, como explica o engenheiro civil Joaquim Caracas. Ele é dono da Impacto Protensão, empresa da área de construção civil do Ceará que desenvolveu o projeto. "Ela é toda feita de material reciclado, do piso ao teto, e qualquer um pode montar. Demora de dois a três dias para ficar pronta e não requer mão de obra especializada. É como um brinquedo Lego mesmo".
O produto ainda não está à venda porque passa por testes. O engenheiro diz que espera colocar a casa de plástico em produção industrial ainda neste ano. "Das 400 instalações que operamos, por meio de aluguel, conseguimos um preço de custo de R$ 370 o m2. Se entrar em uma escala industrial, a tendência é baratear. Esperamos neste ano obter todos os certificados para começar a procurar um parceiro para investir no projeto.
Sem alicerce
A casa não tem alicerce. Ela é montada sobre uma placa metálica instalada no terreno. Nela são afixadas as paredes, que são feitas de um tipo de polietileno (um dos compostos químicos que formam o que chamamos de plástico) preenchidas com uma espuma. Internamente, eles contam com estrutura metálica e dutos para encanamento e instalação elétrica.
O material é mais leve do que o concreto ou a madeira e tão resistente quanto os tijolos. Caracas conta que sua maior preocupação quando começou a montar a casa de plástico era a isolação térmica.
O problema foi resolvido quando as placas ganharam um espaço oco por dentro. Isso fez com que esse "vazio" funcionasse como isolante, nos moldes das geladeiras de isopor, sem esquentar demais o interior do imóvel ou causar desconforto aos ocupantes. "A ideia surgiu há uns dois anos e meio, quando eu buscava uma forma de substituir aquelas placas de compensado por plástico reciclado. Eu usava aquelas folhas de madeira para isolar a obra e pensei 'por que não fazer uma casa com isso'?"
Ele diz que a primeira casa foi feita dentro da Universidade Federal do Ceará (UFCE) para testar os materiais e a viabilidade do projeto. Hoje, a ideia funciona em cerca de 400 instalações, de salas de aula a sedes da guarda municipal, escritórios de construção, chalés e quiosques em Fortaleza (CE) e Recife (PE).
Caracas conta que a vantagem é a praticidade e a facilidade para montar uma casa do tipo. Mas ele reconhece que há uma desvantagem: "O que acontece é que há preconceito sobre ela, por ser feita de material reciclado. Quando eu comecei a minha ideia era fazer uma casa, mas tem tanta coisa que dá para construir que isso poderia ser viável em comunidades carentes para fazer escola e posto de saúde, entre outros".
Pioneira do setor tem casa de plástico até em Angola
A primeira casa de plástico do Brasil surgiu em 2005, a partir da parceria de uma fabricante deste material. Hoje, a MVC - braço da fabricante de ônibus Marcopolo - tem casas em cidades do Rio Grande do Sul, projetos para o Rio de Janeiro e exporta parte da produção para países como Venezuela, Paraguai, Chile e Angola.
A empresa diz que o metro quadrado construído pode custar a partir de R$ 650. Em SP, o preço do metro quadrado convencional passou dos R$ 905 em agosto, segundo as contas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
Gilmar Lima, diretor-geral da MVC, diz que a tecnologia mescla, em uma "estrutura tipo sanduíche", lâminas de plástico reforçado (um tipo de PVC, aquele do encanamento da sua casa, só que mais resistente) com fibra de vidro montadas sobre um esqueleto de aço naval.
Ele diz que a empresa desenvolve o material desde 2003. "É como um plástico daqueles utilizados em cascos de barcos, ou em um trem, ou em um caminhão. Com a diferença que uma casa fica parada. Nossa casa de plástico é um polímero de alta tecnologia, com alto desempenho de resistência a fogo, a pancadas, a água e durabilidade perto dos cem anos. Ele não tem origem nos plásticos recicláveis, mas pode ser reciclado".
Ele diz que a companhia já vende kits prontos para residências de três tamanhos diferentes - 36 m2, 42 m2 ou 63 m2. Desde 2005, são mais de 1.600 imóveis construídos (70 mil m2). Outros 1.500 ainda estão em contrato para serem entregues, sendo que a maior parte teve financiamento do Minha Casa Minha Vida - programa de habitação popular do governo federal. "Nosso impedimento é que não posso fazer só uma casa. Tem que ter escala. Sempre trabalhamos com volumes mínimos de 50 a cem unidades".
Falta de moradias
Para o Mauricio Linn Bianchi, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon, qualquer sistema de construção que seja capaz de unir materiais resistentes e duradouros a um preço baixo e a um tempo curto de produção deve ser desenvolvido. "Temos um déficit habitacional muito grande para atender, escassez de mão de obra e um país extremamente grande e com diferentes áreas climáticas. Entre as tecnologias duráveis e de bom desempenho que conhecemos está o plástico. A questão é que qualquer sistema que ofereça redução de mão de obra e respeitar esses assuntos é benvindo".
Segundo ele, a casa de plástico é uma boa alternativa para atingir a meta de acabar com o déficit habitacional nos próximos 20 anos. Estimativas apontam que o Brasil precisa fazer ao menos 1,5 milhão de residências por ano para oferecer um lar para cada brasileiro.
No Reino Unido, o exemplo da casa plástica é levado adiante por uma empresa que recicla cerca de 18 toneladas do material para cada residência. A empresa Affersol produziu uma resina ultrarresistente, batizada de Thermo Poly Rock (TPR), que dura cerca de 60 anos.
Na China, a alternativa são apartamentos do tamanho de contêineres que podem ser colocados um sobre o outro. A indiana Tata, uma das maiores empresas do mundo, diz que vai oferecer um imóvel de 26 m2 com sala, cozinha e quarto tudo junto por 670 mil rúpias (cerca R$ 28,2 mil).
Futuro hipotecado
Folha de S. Paulo/BR
06 de setembro de 2010
Dispor do imóvel é risco maior que o necessário; hipoteca é palavrão que não deveria ser pronunciado
Maria Inês Dolci
HIPOTECA é uma palavra pesada, cortante e vinculada a pesadelos, à dificuldade de dormir, porque a pessoa tem uma dívida associada a um bem, hipotecado em garantia do empréstimo. Deveria ser a última opção, usada, em situação de extrema dificuldade, para obter recursos necessários ao combate de uma doença grave, de uma falência financeira que comprometesse o futuro da família.
Um novo mundo, contudo, tem significados diferentes para velhas palavras, como essa, que, segundo o dicionário "Houaiss", já é conhecida há mais de 600 anos.
Hoje, leio abismada que se hipoteca a casa, no Brasil, para consumir. Por que alguém cometeria uma loucura dessas -arriscar-se a ficar sem imóvel para contrair um empréstimo? Pelo que se saiba, para pagar taxas de juros bem menores, com prazos de 20 a 30 anos.
Essa operação financeira tem crescido vigorosamente nos últimos anos, em alguns casos para subsidiar novos empreendimentos, como uma franquia. E, entre as instituições que trabalham com esse, digamos, empréstimo, está uma pública, a Caixa Econômica Federal. Estamos mesmo numa economia movida a dívidas!
Contrair um financiamento habitacional, esgotadas as consultas e comparações entre as condições oferecidas pelos bancos, já não é tarefa simples. Trata-se de um compromisso por muitos anos.
Não há como mapear o futuro e dizer, com certeza, que teremos emprego e renda suficiente para bancar o financiamento. Mas, concedamos, esse é um investimento importante na vida das famílias -um lugar para morar, um teto que nos proteja das intempéries.
Nem sempre será um investimento, no sentido financeiro da palavra. Teremos, contudo, uma moradia própria, evitando os gastos com aluguel, que, sujeitos a oscilações de mercado, não "comprarão" parcelas de um imóvel. Tem a ver mais com segurança e com vontade de ter algo em nossos nomes.
Dispor de um bem assim, adquirido com dificuldade na maioria dos casos, parece-me um risco maior do que o necessário. Vejamos, por exemplo, um imóvel cuja hipoteca banque o investimento em uma loja franqueada. Por mais forte que seja a marca da loja, o sucesso de vendas dependerá da habilidade do franqueado. Planejamento, trabalho e dedicação são tangíveis. Tino comercial e clima econômico são intangíveis. Se não der certo, haverá o perigo de perder um imóvel quitado, pois a operação, no Brasil, é feita com imóvel já pago, para evitar o "subprime" norte-americano, que tem alta probabilidade de calote.
Argumenta-se que a economia brasileira só cresce, nos últimos anos, devido ao aumento do crédito e que é necessário ser criativo, inventar novas formas de permitir o acesso ao consumo. Tenho minhas dúvidas. O crédito consignado aos aposentados transformou-os em fontes de recursos para familiares e amigos não tão escrupulosos. O ideal seria aumentar a renda dos idosos com pensões e aposentadorias mais próximas do custo de vida efetivo.
Financiamento não é renda. É uma forma de facilitar o acesso a bens e a serviços mais caros pelo prolongamento do período de pagamento. Em países com taxas de juros absurdas, como o nosso, o risco de inadimplência é muito maior, ainda mais se considerarmos os baixos salários.
Não saberemos o final dessa história tão cedo, pois os empréstimos são de longo prazo. Inicialmente, as prestações costumam ser compatíveis com a renda. Temo, porém, que, em alguns anos, comecem a estourar as dívidas escoradas nos imóveis e que, consequentemente, cidadãos percam seus únicos bens pela ilusão do dinheiro rápido, sem burocracia.
Se imaginarem que a Justiça os protegerá, releiam as reportagens publicadas nos últimos dias sobre os poupadores que perderam rendimentos por causa dos planos econômicos do passado. Hipoteca é um palavrão que não deveria ser pronunciado nem utilizado em vão.
MARIA INÊS DOLCI , 54, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores.
Ecologia e economia
Folha de S. Paulo/BR
06 de setembro de 2010
TENDÊNCIAS/DEBATES
CARLOS MINC
Vê-se que a gestão ambiental do governo Lula avançou substancialmente em relação ao período do governo de Fernando Henrique Cardoso
Quando Marina Silva deixou o Ministério do Meio Ambiente, fixou-se que a razão foi o conflito relativo às licenças ambientais e com a ministra Dilma Rousseff.
No ministério, travei batalhas com ministros, governadores e parlamentares sobre a expansão da cana no Pantanal, as metas de emissões de CO2, o Código Florestal e estradas na Amazônia. Em nove de dez disputas, a ministra Dilma apoiou posições do ministério.
A gestão Marina foi exitosa com as reservas extrativistas, a Lei das Florestas Públicas, a queda do desmatamento da Amazônia. Desde 2007, agravou-se seu isolamento quanto a áreas de energia e economia, com tensão insustentável.
Rompemos o isolamento, agilizamos licenças com rigor e intensificamos o combate à impunidade ambiental. Obtivemos queda recorde do desmatamento da Amazônia, que, depois de cair três anos, subiu no último ano de Marina.
O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a ter plano, fundo e metas de mudanças climáticas, o que, aliado ao menor desmatamento histórico, fez o presidente Lula ser aclamado em Copenhague. A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) queixava-se da demora de até dois anos para obter licença de pesquisa em unidades de conservação (UCs). Mudamos procedimentos e a espera caiu para um mês. O Destrava Ibama reduziu à metade o prazo das licenças.
Criamos o licenciamento integrado por bacia hidrográfica, começando pela bacia do Araguaia/Tocantins. Indicamos hidroelétricas licenciáveis, que geravam muita energia, alagando pouca área, vetamos várias no rio Araguaia e aprovamos hidrovias que baratearam o transporte de grãos.
Na disputa com o Ministério da Agricultura e governadores sobre o zoneamento agroecológico da cana, Dilma apoiou a posição do Ministério do Meio Ambiente, que prevaleceu. Impedimos a expansão de cana na Amazônia, no Pantanal e em áreas de produção de alimentos, eliminando queimadas.
O boicote internacional fecharia mercados ao etanol brasileiro. Confrontamos posição contrária do Itamaraty e do Ministério de Minas e Energia à adoção de metas de emissão de CO2. Dilma adotou a posição do meio ambiente, vitoriosa, de reduzir emissões no desmatamento, com o aço verde, o plantio direto, a recuperação de áreas degradadas e a retomada de hidroelétricas.
Dilma aprovou a inclusão de tetos solares para aquecimento da água no Minha Casa, Minha Vida, com redução de emissões e economia na conta de luz. Dilma e Mantega aprovaram a isenção do IPI para os equipamentos eólicos, proposta pelo ministério, possibilitando leilão de 1.700 MW, o dobro da capacidade eólica instalada.
Vê-se que a gestão ambiental do governo Lula (Marina e Minc) avançou substancialmente em relação ao período FHC. Há conflitos crônicos entre executores e licenciadores de obras em todos os países. Na licença da rodovia BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, não abrandamos a exigência prévia de implantação de 28 UCs. O maniqueísmo não pode prevalecer na relação da ecologia com a economia. A sustentabilidade deve ser incorporada ao centro da tomada de decisões.
CARLOS MINC , 59, doutor em economia do desenvolvimento pela Universidade de Paris 1, é candidato à reeleição para deputado estadual pelo PT/RJ. Foi ministro do Meio Ambiente (governo Lula)
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
Ensino de qualidade
O Dia/RJ
06 de setembro de 2010
O país começa a crescer e já se ressente da falta de profissionais qualificados, principalmente nas áreas técnicas. De pouco adiantam os cursos técnicos se os alunos não tiverem um ensino básico de qualidade para lhes dar suporte. A baixa qualidade do Ensino Fundamental no Brasil prejudica a formação de bons profissionais.
O País precisa recuperar o tempo perdido, melhorando a qualidade do Ensino Fundamental e criando, nas escolas técnicas e cursos de graduação, cadeiras de reforço das disciplinas básicas, para conseguir formar profissionais completos.
A construção civil é dos poucos setores que ainda emprega adultos analfabetos ou semi-analfabetos, mas paga caro por isso.O re trabalho na construção civil no Brasil é muito e se reflete na qualidade, no custo e no prazo dos serviços.
Cursos profissionalizantes de dois ou três meses que se propõem a formar pintores, encanadores, pedreiros, etc, são melhores que nada, mas servem apenas para dar noção dos procedimentos de trabalho sem, entretanto, qualificá-los plenamente.
Um pedreiro, por exemplo, além de saber como assentar os tijolos, precisa também ser capaz de preparar corretamente a argamassa na quantidade certa para executar uma etapa do serviço sem que falte material ou haja desperdício.Um cozinheiro deve saber ler uma receita, entendê-la e aumentar ou diminuir as proporções dentro das necessidades.
Enfim, uma boa base de conhecimento da língua portuguesa e de matemática é vital para qualquer profissão, mas, infelizmente, não parece ser assim entendido, devidamente, pelos que não investem na preparação dos professores. Sem boa educação e mão de obra qualificada não há como o País crescer
Desaceleração moderada
O Estado de S. Paulo/BR
06 de setembro de 2010
Já era esperada a redução do ritmo de crescimento da economia brasileira no terceiro trimestre, confirmada pelos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na sexta-feira, mas há, pelo menos, duas surpresas nesses números. A desaceleração não foi tão acentuada quanDo muitos previam - o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior, bem menos do que a expansão de 2,7% do primeiro trimestre do ano, na comparação com os últimos três meses de 2009, mas mais do que a média de 0,7% estimada pelos economistas do mercado financeiro -, o que fortalece as projeções de que, no ano, o crescimento será de mais de 7%. Sabia-se que, por razões eleitorais, o governo vinha aumentando seus gastos, mas não se previa que esse aumento pudesse ter tanto impacto na economia.
Os gastos de consumo do governo aumentaram acentuadamente entre abril e junho. Nos três primeiros meses do ano, esses gastos foram 0,8% maiores do que nos três últimos meses de 2009, uma variação bem menor do que a do PIB nesse período. No segundo trimestre de 2010, no entanto, o crescimento do consumo do governo se acelerou, para 2,1%, e foi maior do que o aumento do PIB.
Um fator sazonal explica parte desse crescimento. No início do ano, quando não tem uma avaliação precisa do comportamento das receitas, o governo contingencia os gastos. Em 2010, essa prática evitou a ampliação mais rápida do consumo no primeiro trimestre e abriu espaço para crescimento maior nos trimestres seguintes. Mas há outra explicação para o aumento dos gastos: a disputa eleitoral. Nos meses que antecedem as eleições, os governos costumam liberar mais recursos do que fazem normalmente, como está fazendo desde o segundo trimestre.
Enquanto o setor público arranjou folga para gastar ainda mais, as famílias tiveram de conter a expansão de seu consumo. No primeiro trimestre, o consumo das famílias aumentou 1,4%; no segundo, 0,8%. A perda de dinamismo do consumo das famílias se deve, em parte, ao fim dos incentivos fiscais para a compra de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.
Do lado da produção, a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou o desempenho da construção civil, que registrou crescimento de 16,4% na comparação com o segundo trimestre de 2009, desempenho alimentado sobretudo pelo aumento da oferta de crédito. Outro setor destacado pelo IBGE é a agropecuária, que cresceu 11,4% na comparação com 2009, que foi um ano ruim para o setor. O bom desempenho da agropecuária estimula outros setores da economia, como as indústrias de caminhões, máquinas e implementos agrícolas, de insumos agrícolas e de bens de consumo.
Um dado que se destaca nos números divulgados pelo IBGE é o do crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o aumento anual dos bens de produção instalados no País, ou seja, indica o aumento da capacidade produtiva do País. No segundo trimestre de 2010, a FBCF foi 26,5% maior do que em igual período do ano passado.
É preciso levar em conta, no entanto, que a base de comparação é muito baixa, pois no início de 2009 a economia foi agudamente afetada pela crise internacional. No segundo trimestre do ano passado, a FBCF tinha sido 16% menor do que em igual período de 2008, na maior baixa registrada pelo IBGE desde 1996, quando começou a aferir esse indicador.
A gerente de Contas Nacionais do IBGE aponta para um efeito positivo do aumento das importações - que crescem a um ritmo cinco vezes maior do que as exportações - nos investimentos. A importação de máquinas e equipamentos cresceu bastante, o que influencia positivamente na taxa de investimentos, que continua muito baixa no País.
Deve-se observar, no entanto, que crescem também, e em ritmo acelerado, as importações de bens de consumo e de bens intermediários, o que vem fazendo encolher o superávit da balança comercial e faz crescer o déficit em conta corrente, que pode chegar a US$ 50 bilhões em 2010. Não há risco imediato de o País enfrentar uma crise cambial, mas a deterioração muito rápida das contas externas preocupa.
Incorporadoras estão otimistas
O Tempo/MG
06 de setembro de 2010
São Paulo . Revigoradas pela forte demanda gerada a partir do programa habitacional do governo, fácil acesso ao crédito, sinais positivos da macroeconomia e com dinheiro em caixa, as incorporadoras esperam registrar o melhor desempenho do ano no terceiro trimestre. "E a expansão deve continuar em 2011, com a maioria das empresas esperando trabalhar com caixa positivo", aponta a equipe de analistas da Planner Corretora.
As perspectivas são respaldadas ainda pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para material de construção até 31 de dezembro e o fato de que neste ano o setor completa um ciclo dos lançamentos e vendas que foram realizadas entre 2007 e 2008. Segundo analistas, a entrega desses empreendimentos vai reforçar o caixa dessas empresas, que já estão capitalizadas com recursos obtidos através da emissão de debêntures e ações.
Na segunda metade do ano, historicamente, as incorporadoras apresentam resultados melhores dentro da média anual, mas diante da proximidade das eleições as incorporadoras estimam que o esforço de lançamentos e vendas devem se concentrar até o início do mês de outubro. "Os últimos meses do ano serão dedicados aos planos para continuar crescendo em 2011", observou Michel Wurman, diretor vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da PDG Realty, uma das maiores incorporadores do Brasil, com investimentos em 11 Estados, incluindo Minas Gerais.
Entre julho e dezembro a PDG espera entregar um total de 14.421 unidades, totalizando 22.716 habitações no ano. Alinhada com o crescimento do setor, em 2011 a companhia projeta a entrega de 30.203 unidades. Se preparando para atender a essas estimativas, a PDG encerrou o semestre com um banco de terrenos consolidado de R$ 30,2 bilhões, quase o dobro do informado no final de março, distribuídos em 568 projetos.
Preços . Preocupada em manter as margens, mas segura com relação ao cumprimento das metas de venda e lançamentos para o ano, a Cyrela Brasil Realty promoveu um aumento de preços em seus produtos para fazer frente a alta de custos. O diretor presidente da companhia, Elie Horn, reafirmou que o constante crescimento do setor tem elevado os custos, pelo menos para empresa, acima do previsto.
Apesar do ajuste, a Cyrela ainda sente o impacto desses custos adicionais nas margens dos empreendimentos que foram lançados e vendidos no ano passado e estão em fase de construção. "Veremos os efeitos das medidas nos trimestres seguintes", explicou Horn.
Impulso Classes C e D são alvo das empresas
São Paulo . Na esteira da demanda gerada pelo Minha Casa, Minha Vida e otimista com a performance apurada até agora no trimestre corrente, a MRV Engenharia maior parceira da Caixa Econômica Federal no programa espera construir de 15 mil a 16 mil unidades no segundo semestre. Com isso, no ano a empresa prevê a construção de 28 mil a 30 mil unidades.
Entre janeiro e junho deste ano, a MRV lançou 69 empreendimentos em 53 cidades do país, com um número médio de 254 unidades por empreendimento.
A Rossi Residencial, por sua vez, espera entregar 11,5 mil unidades neste ano e 15,6 mil em 2011. Atualmente, a companhia trabalha na construção de 43 mil unidades, em 206 empreendimentos em 151 canteiros de obras. A incorporadora tem investido no fortalecimento do banco de terrenos. No momento, sua carteira é composta por 173 terrenos.
Especulação na periferia
Revista Época/BR
05 de setembro de 2010
A pressa do governo em acelerar o Programa Minha Casa Minha Vida produz imóveis defeituosos, avaliações suspeitas e inflação no setor imobiliário
Murilo Ramos
A cozinheira Claricina Ribeiro Assis mora em Santo Antônio de Descoberto, Goiás, cidade do entorno do Distrito Federal que fica a 45 quilômetros de Brasília. Ela é uma das beneficiadas pelo Minha Casa Minha Vida, programa do governo federal que pretende facilitar a aquisição de moradia própria pela população mais pobre. Claricina tem sentimentos ambíguos sobre o programa. Ela se diz satisfeita por ter conseguido comprar sua casa. Mas, ao mesmo tempo, fica irritada com as condições do imóvel onde mora há quatro meses. "As paredes estão descascando", diz Claricina. "Não tem luz nem água no banheiro. Todos os dias, eu tomo banho com água retirada de baldes, que encho na cozinha". Claricina e os vizinhos reclamam também da falta de asfalto nas ruas do bairro Jardim Ana Beatriz. "Essa casa não vale os R$ 60 mil que dizem", afirma.
Claricina paga prestações mensais de R$ 381, parte de um financiamento de 25 anos. Sua casa é uma entre as 600 mil habitações contratadas pelo Minha Casa Minha Vida. Uma das principais realizações do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Minha Casa Minha Vida foi criado para reduzir o déficit de moradias para famílias com renda de até dez salários mínimos. Até agora, o governo gastou R$ 22,8 bilhões no Minha Casa e fez de tudo para acelerar o ritmo do programa, um dos trunfos eleitorais da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.
Pelas regras do Minha Casa, Minha Vida, as famílias que ganham até três salários mínimos pagam prestações de até 10% de sua renda, durante no máximo dez anos. Quem ganha entre três e dez mínimos recebe do governo um subsídio de R$ 17 mil ou R$ 23 mil, dependendo da região do país onde mora, para comprar sua casa. A partir de uma avaliação do imóvel feita por técnicos, a Caixa paga o valor à construtora da obra. Depois, desconta o subsídio de R$ 17 mil ou R$ 23 mil e financia o resto para o comprador. Assim, quem compra uma casa de R$ 50 mil paga apenas R$ 33 mil de financiamento.
Na periferia, o preço dos terrenos disparou e está difícil encontrar interessados em vender
O programa é uma injeção direta de dinheiro público no mercado. Mas, como toda intervenção na economia, ela provoca efeitos nem sempre desejáveis. O dinheiro novo e a pressa do governo em atingir metas fizeram os preços de terrenos em áreas pobres disparar desde o ano passado. Na região de Santo Antônio do Descoberto, onde mora Claricina, um lote de aproximadamente 300 metros quadrados - ideal para construir imóveis para o programa - era vendido por R$ 2 mil há um ano. Hoje, custa cerca de R$ 12 mil - e está difícil encontrar quem quer vender. "A construção de casa popular é um negócio tão bom que até dono de supermercado está entrando e contratando a gente", afirma o pedreiro José Nílton Lima, que trabalha para construtoras locais e não tem ficado sem serviço.
Há 3.256 empresas habilitadas a construir para o Minha Casa Minha Vida. Outras 943 têm propostas em avaliação pelo banco. A Caixa fecha, em média, 2.100 contratos por dia pelo programa. O corretor de imóveis Lênio Diniz Neto, que trabalha na região de Valparaíso, Goiás, no entorno de Brasília, partiu para o ramo da construção. "Levantei 18 casas na região, e todas foram vendidas", diz Neto. "A lucratividade na construção da casa pode chegar a 100%. Que aplicação vai me render isso?"
O governo tem tido dificuldade de construir casas em grandes regiões metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, por causa da escassez de terrenos. O preço de terrenos mais adequados para projetos do Minha Casa Minha Vida subiu tanto que torna a construção inviável em alguns lugares. Na periferia de São Paulo, o preço do metro quadrado dobrou em um ano.
A especulação imobiliária está criando distorções. Como no caso de Claricina, a Caixa pode estar pagando valores que, muitas vezes, não correspondem ao preço do imóvel. Há grandes diferenças de preços entre casas de padrões parecidos e localizadas no mesmo bairro. Em março do ano passado, um imóvel de 57 metros quadrados em Santo Antônio do Descoberto foi avaliado em R$ 45 mil pela construtora Moraes & Andrade Consultoria Ltda., contratada pela Caixa. Um ano depois, uma casa menor e localizada em um lote com metade do tamanho foi avaliada em R$ 75 mil por outra empresa contratada, a Patrimônio Engenharia - uma diferença de mais de 60%. O proprietário da Patrimônio, Jair Bizerra Araújo, afirma que a Caixa não questionou a avaliação da Patrimônio.
"Sou ex-funcionário da Caixa e minha empresa trabalha há quase oito anos para o banco", diz Araújo. "Não tive problema algum nesse tempo. Emprego metodologia científica em nossas avaliações e estou muito tranquilo." A Caixa afirma que "em princípio não há indícios de superavaliação, porém essa questão será apurada de forma técnica". A Caixa terceiriza parte das avaliações porque seu quadro de engenheiros é insuficiente para atender à demanda crescente de pedidos. Mas o banco tem dificuldades para fiscalizar devidamente o trabalho dos terceirizados.
O mercado imobiliário é uma área dinâmica, mas delicada, da economia de qualquer país. A crise financeira que abateu o mundo a partir de 2008 e ainda provoca efeitos na Europa e nos Estados Unidos nasceu de distorções no mercado imobiliário. Programas de incentivo para compra de imóveis nos Estados Unidos levaram à abertura de linhas de crédito nos bancos. Com dinheiro fácil em caixa, os bancos passaram a emprestar dinheiro sem critério. Ao mesmo tempo, criaram produtos financeiros sofisticados, derivativos chamados de "subprime", baseados nesses financiamentos. s Quando a inadimplência atingiu níveis insuportáveis, o sistema implodiu. Milhares de americanos faliram, o preço dos imóveis despencou - e não se recuperou até hoje - e grandes bancos quebraram por conta de bilhões de dólares investidos nos produtos financeiros lastreados nos títulos podres.
As diferenças para o que ocorre no Brasil são enormes, mas o exemplo serve de alerta. O aumento no valor dos imóveis provocado pelo financiamento do Minha Casa Minha Vida pode levar a um crescimento na inadimplência se não houver fiscalização rígida. Como muitas pessoas beneficiadas pelo programa são profissionais autônomos e não têm renda garantida, dependem do bom desempenho da economia para manter o poder de compra. Caso essas pessoas deixem de pagar e a Caixa precise retomar o imóvel, dificilmente recuperará o dinheiro. A Caixa afirma que a inadimplência no Minha Casa Minha Vida é de 1,37%, uma das menores do Sistema Financeiro Habitacional.
A pressa do governo em entregar casas também está sendo aproveitada pelas construtoras e prejudicando os compradores. Na ânsia de receber logo o dinheiro da Caixa, construtoras têm entregado casas malfeitas. A poucas quadras do imóvel da cozinheira Claricina Ribeiro Assis, a aposentada Maria Castro da Silva, de 80 anos, só consegue entrar em casa, construída num terreno inclinado, pelos fundos. A pressa da construtora em finalizar a casa foi tão grande que não foi feita escada ou rampa pela frente. Até agora, as 600 mil moradias contratadas pelo governo representam 60% da meta traçada para o Minha Casa Minha Vida. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o governo deverá contratar 850 mil unidades até dezembro.
Recentemente, o governo anunciou o lançamento do Minha Casa Minha Vida 2. A previsão é investir cerca de R$ 70 bilhões para construir mais 1 milhão de imóveis até 2014. Uma das promessas da candidata petista ao Planalto, Dilma Rousseff, é incluir móveis e eletrodomésticos no Minha Casa Minha Vida 2 e dotar as casas de aquecedores solares para baratear a conta de luz. Mas, em alguns Estados, a primeira versão do programa ainda engatinha. As contratações de imóveis para pessoas que ganham até três salários mínimos, onde está a maior parte da população sem moradia, não chegam a 10% da meta.
A Caixa desencadeou varredura em projetos depois de distorções verificadas
por ÉPOCA
Após as perguntas feitas por ÉPOCA sobre as distorções no Minha Casa Minha Vida, a Caixa tomou providências em relação ao programa. A chefia do banco desencadeou uma varredura em projetos pelo país. Foram feitos questionamentos à área responsável pelas avaliações. Quando foi procurada por ÉPOCA sobre o caso das casas em Santo Antônio do Descoberto, a Caixa disse que não havia financiado a construção dos imóveis. O financiamento teria sido feito pelas construtoras e que as operações representariam uma "parcela mínima de operações no contexto do volume total de financiamentos no âmbito do Minha Casa Minha Vida". Apesar de minimizar o problema, a Caixa decidiu descredenciar construtoras responsáveis pelas obras em Santo Antônio do Descoberto, Goiás. Técnicos da Caixa também visitaram a casa de Claricina Ribeiro Assis e resolveram o problema da falta de água no banheiro. "Agora estou esperando arrumar as paredes", afirma Claricina. "Sonho também com o dia em que teremos asfalto aqui."
Estatizaram a Copa
Revista Época/BR
05 de setembro de 2010
O estádio do Corinthians para 2014 - apelidado de Lulão - será mais um a depender do BNDES para existir. Onde foram parar os investidores privados?
André Fontenelle e Marcos Coronato, com Carlos Giffoni
Quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, três anos atrás, um argumento muito usado para tranquilizar o contribuinte foi que a iniciativa privada bancaria boa parte da festa. Como um mantra, repetia-se que "parcerias público-privadas" bancariam confortáveis "arenas multiuso" que "se pagariam em poucos anos" com o futebol e o arrendamento para shows. Não foi isso que acontecera, por exemplo, com a Alemanha, sede da Copa de 2006?
Três anos depois, o peso do setor público na Copa é tão elevado - mais de 90%, em comparação com um terço no Mundial da Alemanha - que seria o caso de incluir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre os "parceiros da Fifa", nome que a federação internacional de futebol dá a seus maiores patrocinadores. Sem o BNDES, é provável que nem houvesse Copa no Brasil. A reforma ou a construção de nove dos 12 estádios da Copa dependem, em grande medida, de seus financiamentos. O banco está para liberar um total de R$ 3 bilhões para essas obras.
Chama a atenção a conspícua ausência dos fundos privados. "O setor privado olha a Copa de forma cuidadosa. Existem oportunidades aí, mas muita coisa tem risco alto demais ou expectativa de retorno de prazo longo demais", diz Luiz Eugênio Figueiredo, vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital e executivo da Rio Bravo. Segundo Ralph Lima Terra, vice-presidente e responsável pela Copa na Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o capital privado terá presença relevante nas obras de hotelaria, transportes, telecomunicações, energia e portos. Mas em estádios e aeroportos, é o capital público que arcará com o financiamento. "Seria desejável mudar isso, mas não acho que dê tempo para a Copa", diz Terra. A Abdib representa as empresas de construção civil e indústria pesada, que têm muito a ganhar com grandes obras para a Copa. A entidade tem um acordo de cooperação técnica com o governo federal para refinar o diagnóstico de necessidades das 12 cidades participantes.
O mais recente ato dessa peça foi o anúncio do futuro estádio do Corinthians como sede paulista da Copa de 2014. Recapitulando em poucas linhas uma história longa, o estádio do Morumbi, do São Paulo Futebol Clube, escolha inicial do Comitê Organizador, foi vetado dois meses atrás porque o projeto de reforma não agradou nem à Fifa nem à CBF, a Confederação Brasileira de Futebol. Era um dos três únicos estádios particulares entre os 12 da Copa (os outros dois são o Beira-Rio, de Porto Alegre, e a Arena da Baixada, de Curitiba, pertencentes a dois clubes de futebol, o Internacional e o Atlético Paranaense).
Deixar São Paulo fora de uma Copa do Mundo no Brasil agride o bom-senso. Além de ser a cidade mais vitoriosa do futebol nacional, em termos de troféus, é a que dispõe da melhor infraestrutura combinada de aeroportos, hotéis, estradas e hospitais (alguns levantaram nos últimos dias o suposto exemplo do Japão, que em 2002 "não incluiu Tóquio" entre as sedes. Balela: o estádio da decisão ficava em Yokohama, na Grande Tóquio). Não apenas São Paulo deve ser sede, como sede de jogos importantes, como a abertura ou uma semifinal da Copa (a final, desde sempre, está marcada para o Maracanã, no Rio de Janeiro).
A CBF nunca quis o Morumbi, mas precisava de uma boa alternativa. Não era viável ampliar os estádios existentes, como o Palestra Itália, do Palmeiras, e o Pacaembu, municipal. Restava construir um novo. Foi aí que o interesse da CBF se juntou ao de um dos rivais do São Paulo, o Sport Club Corinthians Paulista. Dono da segunda maior torcida do país, mas sem um estádio à altura - manda seus jogos no Pacaembu, para 40 mil pessoas -, o Corinthians sonha com um grande estádio há décadas. Projetos os mais variados - até o de uma arena subterrânea - surgiram nos últimos anos. Nunca saíram do papel, por falta de dinheiro, de terreno e de competência dos dirigentes do clube. O Corinthians alega que o estádio "se paga em menos de três anos". É um cálculo delirante
A Copa era uma oportunidade imperdível. A articulação começou mais de um ano atrás, com a participação direta de um corintiano fanático, o presidente Lula. Em julho de 2009, num programa de TV, o maior ídolo do time, Ronaldo, deu com a língua nos dentes ao dizer que Lula estava "dando ajuda com alguns contatos de empreiteira e indicando empresas que podem colaborar". Duas semanas atrás, na Folha de S.Paulo , a colunista Monica Bergamo revelou que a tal empreiteira era a Odebrecht. Dias depois, na comemoração do centenário do clube, o Corinthians confirmou que a Odebrecht faria o estádio. Em comunicado oficial, o clube anunciou: "Não reivindicamos, não precisamos, não queremos nem aceitaremos que recursos orçamentários públicos sejam consumidos pelo nosso projeto".
Isso depende, claro, da definição de "dinheiro público". Note-se o fraseado cuidadoso: não se falou em "dinheiro público", e sim em "recursos orçamentários públicos". Na verdade, a Odebrecht vai buscar o dinheiro - adivinhem - no BNDES. Sozinho, o Corinthians não conseguiria levantar o empréstimo, pois, como quase todo clube de futebol, tem pendências fiscais que o desqualificam para receber dinheiro do banco.
Quando Ronaldo foi linguarudo, no ano passado, o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, apressou-se a dizer que o projeto do estádio não tinha nada a ver com a Copa e que até apoiava o Morumbi como estádio paulista para 2014. Na verdade, interessava desde então ao Corinthians "roubar" do rival esse direito. Como sede da Copa, o Corinthians (ou melhor, a Odebrecht) qualifica-se a uma linha de crédito especial, de R$ 400 milhões, aberta pelo BNDES especialmente para construir os estádios do Mundial. Sem falar em isenções fiscais que podem representar um quinto do custo final.
Apelidado de Fielzão pelos corintianos e de Lulão pelos detratores, o novo campo será construído em Itaquera, onde o Corinthians dispõe desde 1988 de um terreno concedido por 90 anos pela prefeitura. Trata-se de um bairro pobre da periferia leste de São Paulo, onde o estádio poderia ter um papel revitalizador similar ao que Soccer City, palco da decisão da Copa do Mundo deste ano, teve para o township negro de Soweto, na África do Sul.
À primeira vista, parece a solução perfeita: o Corinthians e a cidade ganham uma arena moderna, um legado da Copa para uma área carente de São Paulo. Aí começam os problemas. Sói no Brasil que se subestimem as despesas e superestimem as receitas, e neste caso não parece ser diferente. O Corinthians calcula que a obra vai custar R$ 335 milhões, e o faturamento anual da arena será de R$ 100 milhões, com bilheteria e outras receitas.
"O estádio teria condições de se pagar em menos de três anos", afirmou o Corinthians. É um cálculo delirante. Mesmo na hipótese (hoje implausível) de lotar 40 vezes por ano os 48 mil lugares previstos, cobrando em média R$ 30 por ingresso, o Corinthians faturaria R$ 57,6 milhões. E não falamos nem de conceitos básicos de contabilidade, como custo financeiro, gastos de manutenção e despesas variáveis. Mais realista, um novo estudo, da consultoria Crowe Horwath RCS, estima que sejam necessários 20 anos gerando lucro de R$ 12 milhões ao ano para que um investimento desses se pague.
Há muitas outras questões. A Fifa pede pelo menos 65 mil lugares para a abertura e as semifinais do Mundial. A CBF anunciou que bancaria os 17 mil lugares extras de arquibancadas móveis. Mas a Fifa rejeita estádios com assentos provisórios. A Folha de S.Paulo revelou que sob o terreno passam dois dutos da Petrobras. Em tese, isso atrasa, encarece ou até inviabiliza a construção, cujo prazo é exíguo - junho de 2013, quando o Brasil sediará a Copa das Confederações, torneio que serve de teste para o Mundial do ano seguinte.
Apesar do atraso das obras - que só vão andar para valer depois das eleições -, é pouco provável que a Copa deixe de acontecer no Brasil. Já que o dinheiro do BNDES vai garantir a maior parte da festa, resta esperar que os governos estaduais, principais tomadores dos empréstimos para as obras, paguem; e que depois do evento os estádios não sejam repassados ao setor privado por uma ninharia, sob o pretexto de que "não é papel do Estado administrar campos de futebol". O Engenhão, palco dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, custou R$ 380 milhões aos cofres públicos. Passados os Jogos, foi alugado ao Botafogo de Futebol e Regatas - por coincidência, time do coração do então prefeito do Rio, César Maia - por R$ 36 mil mensais, ou 0,009% desse valor.
3.ª ExpoHAB traz novidades no setor de construção civil e habitação
Comunique-se/BR
05 de setembro de 2010
( Uniao da Vitoria, Paraná, Brasil - Comunique-se - )
O evento abre espaço para o segmento, com foco na região sul do País
Com o objetivo de reunir os principais segmentos da construção civil sul-brasileira, além de apresentar novidades e tendências no setor da habitação, a Cênica Artes e Eventos está organizando a 3.ª Exposição Sul-Brasileira da Habitação - ExpoHAB 2010. O evento, que representa uma oportunidade de conferir os lançamentos de importantes marcas da região Sul do País, será realizado no Parque de Exposições Jaime Ernesto Bertaso, em União da Vitoria, PR, na próxima semana, entre os dias 9 e 12 de setembro.
Especialistas do mercado de construção, arquitetos, decoradores, engenheiros, incorporadores, compradores técnicos, secretarias municipais, revendedores de materiais de construção, representantes, construtoras e consumidores interessados em construir ou reformar são o público alvo da Exposição.
Segundo relatório de análises e perspectivas da construção civil, disponibilizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a Fundação Getúlio Vargas estima que o crescimento nesse setor será de 8,8%, em 2010.
Eventos paralelos
Além das atrações relacionadas à construção civil, no domingo, 12, a partir das 14h, será realizada a 25.ª Feira de Gado Geral e Reprodutores. As novidades, para este ano, serão a feira de móveis e colchões, e o lançamento de uma indústria de piscinas.
Organização
A Cênica Artes e Eventos atua há 10 anos na organização de eventos artísticos, culturais, esportivos, sociais, turísticos, exposições e feiras. Nessa década de existência, a empresa atuou na organização e comercialização de eventos, como: 4.ª Festa do Peixe de Cativeiro (Fepeixe), de Pato Branco, PR; 12.ª e 13.ª Feira da Indústria, Comércio e Prestação de Serviços de União da Vitória (Fricesp), PR; 1.º Salão do Automóvel de União da Vitória; Festival de Teatro de União da Vitória; 1.ª, 2.ª e 3.ª Festa Nacional do Stanhaeger e do Xixo; 1.ª e 2.ª Festa Nacional da Costela; 1.ª e 2.ª Semana do Contestado das Gêmeas do Iguaçu; 1.ª, 2.ª e 3.ª Exposição Sul-Brasileira da Habitação (ExpoHAB); 1.ª Mostra Paraná Santa Catarina de Cinema.
Para a diretora da Cênica, Cíntia Calegari, a expectativa é atingir um público aproximado de 10 mil pessoas, recebendo visitantes de toda região. Vemos uma grande oportunidade de as pessoas interessadas pela construção civil e pelas tendências em decoração, conhecerem produtos e serviços de empresas renomadas, da região, afirma.
Programação * Quinta-feira 9 de setembro 19h30 Abertura oficial 20h Feira de colchões e móveis * Sexta-feira 10 de setembro 19h Abertura dos pavilhões à visitação pública 19h15 Feira de colchões e móveis * Sábado 11 de setembro 10h Abertura dos pavilhões à visitação pública 10h15 Feira de colchões e móveis 13h30 Atividades de lazer para as crianças brinquedos infláveis 22h Fechamento dos pavilhões * Domingo 12 de setembro 10h Abertura dos pavilhões à visitação pública 10h15 Feira de colchões e móveis 13h30 Atividades de lazer para crianças brinquedos infláveis 14h 25.ª Feira de Gado Geral e de Reprodutores 20h Encerramento da ExpoHAB 2010
Serviço 3.ª ExpoHAB 2010 - Exposição Sul-Brasileira da Habitação 9 a 12 de setembro de 2010
Parque de Exposições Jaime Ernesto Bertaso
BR 153 - Km 487 - União da Vitória - PR
Ingresso: R$ 3
Mais informações (42) 3523-6262 http://www.expohab.com.br
Consultoria imobiliária
Estado de Minas/MG
05 de setembro de 2010
O sonho da casa própria, mesmo facilitado com as opções de financiamento disponíveis no mercado, ainda se apresenta como desafio. Para além da adequação da renda às oportunidades ofertadas, incontáveis questões exigem uma análise cuidadosa antes de fechar o negócio. É preciso cautela, por exemplo, ao assinar um contrato, que tem termos pouco compreensíveis aos que não transitam com desenvoltura na área jurídica.
É necessário, ainda, cercar-se de garantias para evitar armadilhas que podem ocultar-se quando do fechamento de um investimento imobiliário. Advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Maíra Feltrin ressalta que, ainda durante a pesquisa pelo imóvel, é importante levantar o histórico do empreendimento, do incorporador, da imobiliária e dos demais envolvidos na transação. "O primeiro passo é verificar no Procon se há reclamações contra algum deles", aconselha.
Advogado e diretor da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Lúcio de Queiroz Delfino diz que o ideal é ler o contrato com muita atenção e, em caso de dúvidas, procurar um especialista para esclarecê-las. "Vale lembrar que os termos incompreensíveis não são apenas jurídicos, mas também contábeis, para a compra que não seja à vista", conta.
Ele enfatiza que é essencial entender questões como o sistema de amortização da dívida que será utilizado, o índice de correção monetária do saldo devedor e das prestações e os prazos. "Ou seja, é preciso procurar um especialista no assunto, preferencialmente um advogado. A ABMH presta assessoria gratuita nesse sentido", acrescenta Lúcio Delfino.
Especialista em consultoria imobiliária, o advogado Paulo Viana Cunha reitera a necessidade de cautela em relação a contratos cujo texto apresente palavras incompreensíveis. "Assinar um documento que não se entendeu bem pode trazer sérios problemas. As palavras utilizadas na redação de contratos têm um significado técnico, específico; consistem em terminologia jurídica que têm como objetivo, justamente, evitar interpretações divergentes."
Muitas vezes, o que ocorre nessas horas é de a pessoa que não tem costume de lidar com as palavras técnicas se confundir, acreditando que entendeu uma coisa, quando o texto diz outra. "Não se deve esquecer que o contrato materializa, em texto escrito, a vontade das partes e as obrigações recíprocas. É indispensável que cada um dos contratantes entenda perfeitamente seus direitos e obrigações", completa Paulo Cunha.
Para analisar o contrato, a advogada do Idec fala que o comprador tem que exigir um prazo razoável para lê-lo com atenção. "Desconfie se a pressão for muito forte para que você assine logo. A escolha de um imóvel pode ser para a vida toda, além de representar um alto investimento. Portanto, deve ser feita com critério e atenção", lembra Maíra Feltrin.
Em caso de obra financiada, é necessário exigir informações precisas, tais como se o financiamento já está automaticamente aprovado com a assinatura do compromisso de compra e venda, conforme a advogada. "Quais as consequências se o crédito não for aprovado e quais as condições gerais do financiamento (exigências para liberação do crédito, prazos, taxa de juros, sistema de amortização, entre outros)", completa.
Copa ajuda investimento em outras áreas, dizem Estados
Folha de S. Paulo/BR
05 de setembro de 2010
DE SÃO PAULO
Estados alegam que os gastos em estádios da Copa do Mundo de 2014 não afetarão áreas prioritárias. E defendem que, com o Mundial, ganham investimentos federais e atraem negócios.
"Não existe esse confronto entre Copa e outros investimentos", disse o governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, explicando que a verba do estádio do DF sairá da venda de terrenos públicos. Em Pernambuco, o governo prevê receber R$ 8 bilhões em verbas federais em infraestrutura com a Copa."Temos que ter o estádio para obter dinheiro de outras áreas", afirmou Silvio Bom Pastor, um dos responsáveis pelo projeto do Mundial.
"Liberamos a capacidade de endividamento, pois não usaremos o BNDES e investiremos em outras áreas", contou Tadeu Barreto, gestor da Copa em Minas Gerais. Ele ressaltou que, com a renda do estádio, abaterá o preço final a ser pago à construtora. A assessoria do governo do Ceará alegou estar em curso um investimento em urbanismo de R$ 776 milhões.
Para o governo de Mato Grosso, a Copa não é mais importante do que educação e meio ambiente. "Não significa a redução dos aportes a esses setores. Pelo contrário, o Mundial de futebol vai permitir uma indução econômica", afirmou a assessoria.
"Uma competição desse porte aumenta significativamente o fluxo turístico, aquece a economia e gera negócios", reforçou a assessoria do governo do Rio de Janeiro.
"Esta dicotomia [entre Copa e áreas sociais] não existe", explicou o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas, Marcelo Lima Filho. "A sociedade será beneficiada como um todo."
Amazonas, Bahia e Mato Grosso questionam os números do Tesouro para seus investimentos em gestão ambiental, habitação e policiamento: afirmam ser maiores.
"Em segurança pública, por exemplo, foi aplicado mais de R$ 1,8 bilhão no último ano", informou a Bahia.
A assessoria do Rio Grande do Norte não retornou as ligações. (RODRIGO MATTOS)
Expansão no horizonte
Jornal de Brasília/DF
05 de setembro de 2010
Habitação
Crédito fácil e programa Minha Casa, Minha Vida empolgam as incorporadoras
Revigo radas pela forte demanda gerada a partir do programa habitacional do governo o Minha Casa, Minha Vida, fácil acesso ao crédito, sinais positivos da macroeconomia e com dinheiro em caixa, as incorporadoras esperam registrar o melhor desempenho do ano no terceiro trimestre. "E a expansão deve continuar em 2011, com a maioria das empresas esperando trabalhar com caixa positivo", aponta a equipe de analistas da Planner Corretora.
As perspectivas são respaldadas ainda pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para material de construção até 31 de dezembro e o fato de que neste ano o setor completa um ciclo dos lançamentos e vendas realizados entre 2007 e 2008. A entrega desses empreendimentos vai reforçar o caixa das empresas, que já estão capitalizadas com recursos obtidos com a emissão de debêntures e ações.
Na segunda metade do ano, historicamente, as incorporadoras apresentam resultados melhores dentro da média anual, mas diante da proximidade das eleições elas estimam que o esforço de lançamentos e vendas devem se concentrar até o início de outubro. "Os últimos meses do ano serão dedicados aos planos para continuar crescendo em 2011", observa Michel Wurman, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da PDG Realty. Entre julho e dezembro a PDG espera entregar 14.421 unidades, totalizando 22.716 habitações no ano. Para 2011 a companhia projeta a entrega de 30.203 unidades.
Com a alta nos custos, puxada pela mão de obra e dos terrenos, a saída da indústria da construção foi adaptar seus projetos ao bolso do cliente para aproveitar o momento "O Brasil atravessa momento demográfico único no qual a parcela ativa da população é superior ao número de crianças e aposentados", fala Ubirajara Spessoto de Freitas, diretor geral da Cyrela Brasil Realty.
O resultado são apartamentos menores, mas com preço adequado principalmente à demanda da população com renda até dez salários-mínimos, que se enquadra no Minha Casa, Minha Vida. "A alta de preços deve continuar e será consistente. E o crescimento será substancial", diz Freitas. Na esteira da demanda do Minha Casa, Minha Vida e otimista, a MRV Engenharia ? maior parceira da Caixa no programa ? espera construir de 15 mil a 16 mil unidades no segundo semestre. Este ano a MRV lançou 69 empreendimentos em 53 cidades.
Indústria reage às importações com onda protecionista
O Estado de S. Paulo/BR
05 de setembro de 2010
Governo recebeu mais de 30 pedidos de elevação de tarifas de setores como máquinas, têxteis e equipamentos elétricos
O forte crescimento das importações provocou uma onda protecionista na indústria brasileira. Os empresários estão pressionando o governo a adotar medidas capazes de frear a entrada de produtos vindos do exterior: tarifas de importação mais altas, regras mais flexíveis para medidas antidumping e até preferências em licitações públicas.
Nas últimas semanas, fabricantes de eletroeletrônicos e máquinas procuraram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pediram para aumentar as tarifas de importação de alguns de seus produtos. A iniciativa chamou a atenção dos setor químico, que avalia se é conveniente fazer o mesmo pleito.
Outras empresas também estão se mexendo. A Usiminas solicitou a abertura de uma investigação de dumping contra a China. Fabricantes de calçados, escovas de cabelo, óculos e ímãs vão entregar em breve petições para estender as sobretaxas já existentes contra os chineses a outros países.
O real valorizado é apenas um dos motivos das reclamações. Com um crescimento de mais de 7% previsto para este ano, o mercado brasileiro se tornou um alvo óbvio. Os países ricos querem sair da crise exportando mais, enquanto os asiáticos precisam diversificar suas vendas. De janeiro a agosto, as importações brasileiras cresceram 45,7% - a maior taxa do planeta.
Temporário. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) solicitou ao governo a elevação da tarifa de importação de alguns produtos, como equipamentos de distribuição e geração de energia, de 14% para 35% - o máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). "Seria uma medida temporária, para compensar o câmbio sobrevalorizado", disse Humberto Barbato, presidente da Abinee. O setor prevê um déficit recorde de US$ 20 bilhões este ano.
O objetivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também é subir a tarifa para 35%. Empresários do setor se reuniram com Mantega em Brasília e foram encorajado a fazer um estudo, que deve ser entregue este mês. Segundo José Velloso, vice-presidente da Abimaq, o ritmo das importações acelerou, com altas de 35% em maio, 42% em junho e 53% em julho.
Ao perceber a movimentação de outras entidades, o gerente de assuntos de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) Renato Endres, começou a preparar um estudo sobre elevação de tarifas de importação. "Se for o caso, vamos pleitear algo desse tipo, mas ainda não foi discutido no conselho".
Segundo dados do ministério do Desenvolvimento, mais de 30 pedidos de elevação de tarifas de importação estão em análise. Também foram solicitadas 19 investigações de dumping (vender abaixo do custo) de janeiro até agora, o mesmo número de todo o ano de 2009. Em breve, prometem pipocar pedidos de tarifa contra a triangulação, uma nova medida que permite estender as tarifas antidumping a outros países usados para disfarçar a origem da mercadoria.
"Pelo menos 10 a 12 setores vão entrar rapidamente com seus pedidos contra triangulação", disse Roberto Barth, da Comissão de Defesa da Indústria Brasileira. A entidade convenceu o governo a regulamentar o instrumento de defesa comercial, argumentando que os importadores praticavam triangulação de produtos.
Dumping. O setor siderúrgico promete engrossar as fila dos pedidos de tarifas antidumping. Segundo o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, outras empresas devem seguir a trilha da Usiminas. "O mundo pós-crise é muito competitivo e todos estão no jogo da defesa comercial. O Brasil não pode ser ingênuo".
Segundo a entidade, as importações respondem hoje por 18% do consumo brasileiro de aço, o triplo da média histórica. O setor é um dos que mais reclamam. O presidente da CSN e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, provocou polêmica recentemente ao afirmar que "o Brasil precisa se fechar".
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apresentou um novo tipo de pleito: preferência para o tecido nacional nas licitações do Exército para a compra de uniformes. "Todos os países estão se protegendo. O maior ativo do Brasil é o mercado interno. Não podemos entregá-lo a outros países", disse o presidente da entidade, Aguinaldo Diniz.
Para Rodrigo Maciel, da Strategus, que presta consultorias a empresas chinesas interessadas no País, "sempre que o Brasil cresce, o protecionismo volta. É uma postura simplória".
RAZÕES PARA...
A invasão de produtos importados
1.O dólar fechou na sexta-feira a R$ 1,73. O câmbio forte favorece a entrada de produtos importados, que se tornam mais competitivos que insumos e máquinas nacionais.
2.A economia brasileira deve crescer mais de 7% este ano, o que estimula a demanda por importados.
3.Uma das apostas dos países ricos para sair da crise é elevar as exportações. O Brasil se tornou um alvo e recebe com frequência missões empresariais estrangeiras.
4.Com as economias do Estados Unidos e da Europa se recuperando lentamente, os fornecedores asiáticos acumularam estoques. Para evitar demissões, querem diversificar os destinos das exportações e fazem um esforço de vendas em países como o Brasil
Mercado ainda precisa se adequar
Tribuna do Norte - Natal/RN
05 de setembro de 2010
Ricardo Araújo Repórter de Economia Alex Fernandes Parque eólico de Rio do Fogo. Empreendimento de sucesso no RNOs ventos do desenvolvimento sopraram a favor do Rio Grande do Norte no último leilão de fontes renováveis de energia, realizado no dia 26 de agosto. No total, o estado ganhou mais trinta projetos de energia eólica que deverão entrar em operação até janeiro de 2013. O investimento inicial nas obras de infraestrutura e instalação dos aerogeradores será de R$ 3,5 bilhões. Porém, dificuldades que também atingem setores como a construção civil, como a falta de mão de obra qualificada e material de construção, por exemplo, ainda precisam ser superadas para que as obras dos parques não sofram atrasos.
O primeiro parque eólico implantado no estado para geração de energia elétrica destinada ao consumo público pertence ao grupo Iberdrola e se localiza no município de Rio do Fogo. A empresa espanhola ganhou concessão para instalar o empreendimento através do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) em 2005 junto com a empresa New Energy Options/Multiner, que está concluindo os parques Alegria I e II em Guamaré. O parque Alegria I ficará pronto em novembro, segundo informações da empresa. Por ter enfrentado problemas de questão fundiária, o Alegria II ficará pronto em outubro de 2011, cujas obras estão em ritmo acelerado.
Em relação às seis empresas ganhadoras do primeiro leilão, que ocorreu em dezembro de 2009, duas (Desa/Dobrevê e Santa Clara) iniciaram a construção dos parques no município de Parazinho. As demais empresas (Cedin do Brasil, Aratuá, Eólica Mangue Seco e Gestamp), iniciarão a construção dos seus parques entre dezembro e janeiro de 2011, dentro do cronograma estipulado por cada uma delas.
Para o diretor da construtora Dois A Engenharia, Sérgio Azevedo, após 15 anos de estagnação, o setor de construção civil tomou um novo fôlego com a retomada do crescimento imobiliário aliado à ascensão do segmento industrial, incluindo os parques de geração de energia. Os parques não são obras de empreendimento imobiliário, mas consomem os mesmos produtos da construção civil .
O consultor da Pactum Consultoria, Jefte Lisowski, comenta que a questão dos produtos que fomentam a construção civil hoje, abrange todo o país. Devido a retomada do crescimento da construção civil como um todo, a procura por aço, ferro e cimento aumentou consideravelmente no Brasil. Existem empresas europeias que querem se instalar no país e isso obviamente é uma demonstração de que ferro, aço e cimento com certeza terão uma demanda muito significativa .
Segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), poderá faltar cimento até 2013. As obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), Olimpíadas e Copa do Mundo, serão os principais consumidores do insumo. O Sindicato analisa que as indústrias estão se preparando para o aumento do consumo, porém não descarta a possibilidade de ocorrer situações pontuais de descasamento entre a oferta e a demanda.
No entanto, o presidente da Cooperativa da Construção Civil (Coopercon RN), Marcus Aguiar, acredita que o estado não será atingido pela falta de cimento nos próximos anos. O Grupo Votorantim acelerou a construção da fábrica de cimento em Baraúnas e o Grupo Lafarge, um dos maiores produtores de cimento do mundo, estuda a possibilidade de instalar uma fábrica no RN em breve . Além disso, Aguiar comenta que as empresas estão importando cimento do Vietnã, Estados Unidos e Canadá para conseguir atender os pedidos.
Política estadual merece destaque
A condição excepcional dos ventos que atingem o estado atrai cada vez mais investidores. O estado tem se destacado por apoiar o setor eólico, agilizando os processos de concessão de terrenos e liberação destes por órgãos ambientais. O Rio Grande do Norte tem um potencial eólico diferenciado em relação aos demais estados brasileiros. Aliado a esse fator, o claro interesse do governo em apoiar o desenvolvimento desse novo mercado , aponta o diretor-presidente da Galvão Energia, Otávio Silveira. A empresa participou do último certame e conquistou 94 megawatts (MW) para produção de energia. Ela investirá R$ 400 milhões na construção dos seus parques na cidade de São Bento do Norte.
Novas empresas pretendem se instalar no estado para prestar assistência técnica aos parques. A Construtora Dois A fundou, em parceria com um engenheiro espanhol, a empresa SIMM que prestará assistência técnica aos parques que se instalarão no estado.
Um dos entraves no setor eólico é a falta de uma legislação exclusiva para o setor, além da imprevisibilidade da cobrança do ICMS. Os estados não assinam um contrato de isenção do imposto por um período superior a um ano. Questiona-se porque os estados não concedem a isenção do imposto de acordo com o contrato de exploração das áreas. Objetivo é se tornar um polo exportador de energia
A energia eólica tem se mostrado um negócio rentável, apesar do alto investimento inicial. Por ser uma energia limpa com uma fonte inesgotável, tem atraído cada vez mais investidores nacionais e estrangeiros. Somente o grupo Iberdrola irá investir R$ 2 bilhões no processo de expansão da energia eólica no Brasil nos próximos dois anos.
Embora tenhamos decidido alargar os investimentos no Brasil, as coisas não evoluíram como pensávamos , comenta o presidente de Novos Mercados da Iberdrola, José Oriol Hoyos, em comunicado enviado a imprensa. Ele cobra mais investimentos do próprio governo federal e a realização periódica de leilões desta fonte de energia para a expansão dos projetos do grupo.
No Brasil, a cultura de geração de energia elétrica a partir dos ventos ainda é pouco difundida e são raros os estados que têm o potencial eólico necessário que viabilize a instalação de um projeto. Porém, as empresas que já existem apostam no crescimento gradual do setor e vislumbram ótimas oportunidades de negócios. Acredito no crescimento e criamos mais uma empresa genuinamente potiguar, SIMM- Soluções Integradas de Montagem e Manutenção, que trabalhará para os parques eólicos , afirma Sérgio Azevedo.
Sobradinho
Sua empresa de construção civil participou da construção de todos os parques eólicos no estado e um na Paraíba. Recentemente, o grupo venceu uma concorrência para construir o parque eólico de Sobradinho, da Chesf, cujo valor da obra está orçado em R$ 100 milhões. O empresário confirma que até o final do ano irá divulgar o nome da empresa alemã com a qual está fechando negócios para a fabricação de torres de concreto para turbinas eólicas. Seremos exportadores de energia e de mão de obra qualificada. Temos condições de transformar o RN num polo da energia eólica .
O setor de construção civil estima que 3,9 mil empregos sejam gerados na construção dos parques da cidade de Parazinho. Visando o crescimento da demanda por profissionais na área de eólica, instituições como o Centro de Tecnologia dos Gás Natural e Energias Renováveis (CTGás-ER) estão desenvolvendo cursos de aperfeiçoamento para qualificar pessoal e habilitá-los ao trabalho com essa nova tecnologia.
Bate-papo
» Marília B. Pioli, advogada do setor de energia Quais são os principais entraves burocráticos para a implantação de um parque eólico?
Se tomarmos a expressão entraves burocráticos em um sentido mais amplo para indicar os freios para o desenvolvimento da exploração da energia eólica no país, podemos apontar a inexistência de um marco regulatório e inexistência de um procedimento padrão no Estados da Federação. Por marco regulatório refiro-me a um conjunto de normas claras e específicas para o setor. Não se pode afirmar que as normas não existam, mas são esparsas, insuficientes e muitas vezes genéricas.
A burocracia e a morosidade das leis brasileiras impedem que mais parques eólicos sejam implementados no Brasil?
Eu não diria que impedem , até porque o número de empreendimentos inscritos no último leilão contraria este tipo de afirmação. Contudo, não receio afirmar que a burocracia e a morosidade não só da legislação brasileira, mas também a atuação dos órgãos governamentais, atuam como freio para o desenvolvimento da energia eólica. O desenvolvimento da energia eólica no Brasil ganhará no impulso quando e se conseguirmos superar os problemas alguns deles culturais que agem como freio para a expansão da exploração eólica no país.
O que o Estado ganha sediando projetos desse porte?
A tecnologia envolvida nos equipamentos passa a exigir mão de obra qualificada, reclamando, por consequência, centros de treinamento de excelência em formação profissional. Essas fábricas precisam de insumos, de matéria-prima, o que fomenta o crescimento também de outras empresas. A necessidade de mão de obra fica evidente, aumentando significativamente a oferta de emprego. Ser o endereço de parques eólicos representa um grande crescimento econômico para o estado, com a grande vantagem de não haver grandes impactos ambientais, já que a energia eólica é notoriamente limpa. Incertezas cercam os contratos
A falta de padrão normativo para o setor eólico revela-se na condução de cada Estado nas exigências legais. Em alguns deles as imposições são mais simples e em outros, mais burocráticas. A advogada Marília Bugalho Pioli exemplifica que a falta de definição e de regras claras causa insegurança nos investidores.
Ela diz que o edital do leilão traz um capítulo inteiro sobre a constituição de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) e diz que as pessoas jurídicas de direito privado estrangeiras e os Fundos de Investimento em Participações (FIP) devem constituir uma SPE sob a forma de Sociedade Anônima, para receber a outorga de autorização dos parques.
Em 2009, a advogada levou o estatuto de constituição da SPE para registro na Junta Comercial do Rio Grande do Norte e eles se negaram a registrar alegando que não poderiam constituir a SPE porque ela não é regida pela lei das Sociedades Anônimas. Essa alegação é tida como um absurdo jurídico que pôs em risco o prazo de entrega dos atos de constituição da SPE e, por consequência, submeteu os vencedores do leilão a riscos financeiros imensuráveis.
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Setor da construção muda o perfil dos seus trabalhadores e está perto de erradicar o analfabetismo
Revista Fator Brasil/SC
04 de setembro de 2010
Blumenau (SC) – No dia 8 de setembro comemora-se o Dia Internacional da Alfabetização. A construção civil, que sempre foi vista como um setor com alto índice de analfabetismo, tem se mobilizado para mudar essa realidade. Empresários e entidades ligadas ao segmento têm promovido, há alguns anos, em todo o País, programas de alfabetização e aperfeiçoamento educacional como forma de reduzir esse cenário histórico da mão de obra empregada nos canteiros.
Em Blumenau, ações como salas de aula em canteiros de obras e a previsão de cursos de capacitação na Escola da Construção fazem com que a categoria se aprimore. A construtora Sulbrasil deu o pontapé inicial em parceria com o Sesi Escola e oferecerá cursos de supletivo para os colaboradores. As aulas serão no alojamento de uma obra da empresa, no bairro Água Verde. A expectativa é atender mais de 30 alunos.
“A intenção é humanizar nossas ações dentro da empresa, aproveitando o tempo ocioso dos funcionários para proporcionar a eles crescimento profissional, oportunizando a possibilidade de aumento da renda por meio do estudo e dando a oportunidade de uma melhor qualidade de vida”, comenta o engenheiro Adalberto José da Silva, da empresa Sulbrasil e presidente do Seconci. A sala de aula foi instalada na estrutura da obra. Duas vezes por semana das 19h30min até às 22h, o Sesi Escola disponibiliza os professores e todo o material, sem custo para os colaboradores que querem voltar a estudar.
A gestora de Educação do Sesi Escola, Rocheli Ronchi, comenta que já foram feitas apresentações do programa para empresas filiadas ao Sinduscon/Seconci. “Vamos agora iniciar a divulgação da turma de mestres de obra, contra-mestres, encarregados e supervisores”, pontua. O presidente do Sinduscon, Amauri Alberto Buzzi, foca como uma das metas de trabalho de sua gestão o aprimoramento profissional dos trabalhadores como garantia de melhoria do setor como um todo.
Os números nacionais - Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego, o percentual de analfabetos no setor da construção civil diminuiu mais de 60% nos últimos dez anos. No ano 2000, o número de trabalhadores analfabetos era de 29 mil em um universo de 1,1 milhão, ou seja, 3%. Já em 2009 (último dado da série histórica da RAIS), cerca de 23 mil trabalhadores, num total de 2,2 milhões, que não sabiam ler nem escrever, o que representava 1% do universo de operários da construção.
A mobilização do setor também tem conseguido elevar o nível de escolaridade dos trabalhadores. No ano 2000, apenas 124 mil empregados da construção haviam concluído o ensino médio. Dez anos depois, esse número é 4,5 vezes maior, o que representa um número de 561 mil trabalhadores com ensino médio completo. Ao analisar as informações da RAIS, percebe-se que, ano a ano, a escolaridade dos trabalhadores vem aumentando em virtude das ações promovidas pelo setor e, claro, pelo empenho e disposição dos colaboradores da construção civil em estudar.
Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a modernização do setor exige trabalhadores mais qualificados, com um novo perfil e que sejam capazes de assimilar as novas técnicas construtivas. “É necessário erradicar o analfabetismo e elevar a escolaridade dos nossos trabalhadores. Desse modo, contribuiremos para a melhoria da qualidade de vida dos empregados, para a redução do número de acidentes, elevando a eficiência do trabalho e proporcionando uma redução de desperdícios e perdas nos canteiros de obras”, comenta. Opinião sustentada pela diretoria do Sinduscon Blumenau. [www.sindusconbnu.org.br].
A força da construção
Correio Braziliense/BR
04 de setembro de 2010
Victor Martins
O sonho da casa própria impulsiona o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas geradas no país) pelo lado da oferta. Irrigada pela fartura de dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da caderneta de poupança, além de ter o suporte do programa Minha Casa, Minha Vida, a construção civil ganhou status de força propulsora da economia e foi o setor que mais cresceu na comparação com o segundo trimestre do ano passado. O segmento avançou nada menos que 16,4%.
Enquanto cidades inteiras são transformadas em gigantescos canteiros de obras, o financiamento facilitado tem tornado realidade o desejo de sair do aluguel. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crédito para a aquisição da residência própria avançou 34% entre o segundo trimestre de 2009 e o primeiro deste ano. A previsão é que, até dezembro, sejam aplicados R$ 87 bilhões na área habitacional. Em 2002, esse montante não passava de R$ 6 bilhões , afirma Elson Ribeiro e Póvoa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Distrito Federal.
Para o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, o Brasil já evoluiu muito na concessão de crédito para habitação, mas tem espaço para fazer mais. Está havendo um aumento no volume de crédito imobiliário. Mas, comparado ao de outros países, esse avanço é pequeno. Ainda assim, tem surtido um efeito bastante positivo no PIB , argumenta. Mas não é só o financiamento. O deficit habitacional no Brasil é de 7 milhões de unidades. A demanda reprimida é grande e essa procura faz a construção bombar , justifica Póvoa.
Demanda
Além dos empreendimentos imobiliários iniciados por todo o país por grandes construtoras para atender a demanda, o governo tem dado uma mãozinha para o setor ficar mais aquecido. O programa Minha Casa, Minha Vida, que tem inflado a candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência da República, contratou 520.943 residências até o fim de julho. A meta do governo é chegar a 1 milhão até dezembro. O programa tem movimentado muito o setor, mas há também investimentos na área de saneamento, em estradas e energia. Isso reforça muito a construção civil e acaba fazendo com que falte mão de obra qualificada , explica Póvoa.
Tamanha quantidade de obras tem obrigado o país a importar insumos e, em alguns casos, até profissionais. No embate entre o segundo trimestre de 2010 ante igual período do ano passado, a quantidade de pessoal ocupado na construção civil avançou 9,8%. Com a escassez de trabalhadores, os rendimentos das categorias do setor têm avançado fortemente. Na última data-base, elas conquistaram um reajuste de 9%. Mesmo com esse crescimento salarial forte, hoje o mercado está bom como um todo, tanto para os fornecedores quanto para a mão de obra e os empreiteiros , afirma Póvoa.
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O número
--> R$ 87 bilhões
Estimativa de aplicação na área habitacional neste ano
Construção puxa crescimento
Diário do Comércio - MG/MG
04 de setembro de 2010
Produção industrial registrou expansão de 13,8% no segundo trimestre, diz o IBGE.
DIVULGAÇÃO
A indústria de transformação obteve crescimento de 13,8% de abril a junho
Rio de Janeiro - A construção civil foi um dos principais motores do setor industrial no segundo trimestre. Em relação ao segundo trimestre de 2009, o segmento cresceu 16,4%. Com isso, as atividades de construção civil apresentaram variação recorde na série iniciada em 1996. Esse desempenho teve influência do aumento de 34% do crédito para o segmento, de abril a junho, e de 9,8% da ocupação na construção no mesmo espaço de tempo.
Ao todo, a indústria avançou 13,8% de abril a junho deste ano, na comparação com o mesmo intervalo no ano passado. Pela ótica da produção, foi o principal setor que impulsionou o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, de acordo com dados divulgados na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Houve um crescimento forte da construção civil, mas deve ser levado em conta também que no segundo trimestre do ano passado, havia sido verificada queda de 9,3%. Portanto, a base de comparação é mais fraca", afirmou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.
A indústria extrativa mineral, que engloba as produções de petróleo e minério de ferro, teve expansão de 14,1% de abril a junho, sempre na comparação com igual período no ano anterior. No acumulado do primeiro semestre, a indústria avançou 14,2%.
Já a indústria de transformação cresceu 13,8% no período, abaixo do recorde de 17,2% observado no primeiro trimestre. As atividades de produção e distribuição de luz, gás e água subiram 10,8%.
Com crescimento de 2,1% frente ao primeiro trimestre, a agropecuária avançou acima das estimativas e foi um dos responsáveis pela alta de 1,2% no PIB no segundo trimestre de 2010. E na comparação com igual perído de 2009, a alta foi de 11,4% - na melhor resultado desde o quatro trimestre de 2006 (12,5%).
Segundo Rebeca Palis, o bom desempenho do setor se explica por aumentos na produção e na produtividade. "Esse é um ano melhor para a agricultura", disse a gerente, citando que há estimativas de aumento de produção nas safras de soja, café, milho e algodão, em comparação ao segundo trimestre do ano passado. Por outro lado, o arroz, apresentou queda de produção de 10,3%.
Para o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SAB), Cesário Ramalho da Silva, esse desempenho tem a ver com as boas condições climáticas que vêm sendo registradas no país, que já havia garantido aos agricultores brasileiros uma safra de 147 milhões de grãos na safra 2009/2010, uma marca 8,8% superior ao período anterior.
O dirigente da SAB aponta também a recuperação da recessão mundial como um dos fatores do bom desempenho do setor e de sua influência no resultado do PIB no segundo trimestre.
"Estamos reconquistando todos os mercados, embora ainda não tenhamos retornado aos patamares anteriores à crise", afirmou. "Não se pode deixar de destacar, nesse resultado apontado pelo IBGE, a eficiência do gestor rural brasileiro, dos nossos pesquisadores, que têm trazido para os campos produtos melhores, sementes e defensivos melhores e maquinários mais modernos", ressaltou.
Ramalho da Silva afirmou, no entanto, que o agronegócio está estagnado há pelo menos seis anos. E que a mudança positiva nesse quadro passa pela diminuição do custo Brasil, pela melhora da logística dos transportes e por uma adequação nos preços dos combustíveis. "O Brasil tem o diesel mais caro do mundo", reclamou o presidente da SAB.
Bancos com R$ 41 bi para o crédito
Diário do Comércio - MG/MG
04 de setembro de 2010
A projeção do mercado é encerrar o ano com cerca de R$ 76 bilhões emprestados.
São Paulo - Quem pretende comprar um imóvel ainda este ano não deve enfrentar dificuldades para conseguir o financiamento. Afinal, para o segundo semestre de 2010, os bancos reservaram nada menos que R$ 41 bilhões para destinar ao crédito imobiliário - um recorde absoluto. E com tanto dinheiro disponível no mercado, quem ganha é o consumidor, que encontra taxas de juros baixas e facilidades para tomar o empréstimo.
Os valores foram estimados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito imobiliário e Poupança (Abecip) e pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) A projeção do mercado é encerrar o ano com R$ 76 bilhões emprestados. Como no primeiro semestre já foram liberados R$ 34,7 bilhões, sobraram ainda R$ 41,3 bilhões no caixa dos bancos
A maior parte do dinheiro deve ser emprestada para quem pretende comprar imóveis com valor superior a R$ 130 mil. Os financiamentos com recursos da poupança (SBPE), destinados a este perfil de unidades, são os que mais crescem em volume e devem responder por 75% de todo crédito imobiliário concedido em 2010.
A explicação está não apenas no aumento do poder de compra do brasileiro, mas também na valorização imobiliária. O preço da casa própria subiu 40% em cinco anos, colocando mais imóveis nesta faixa de preço.
Mas vale lembrar que is
so não significa que faltará dinheiro para as pessoas que pretendem adquirir imóveis mais baratos. Pelo contrário. Ainda há recursos para financiar pelo menos outras 209 mil unidades de até R$ 130 mil este ano. E a Caixa Econômica Federal, que administra os recursos destinados ao financiamento de imóveis com este perfil, estuda ampliar em R$ 3 bilhões o orçamento para 2010.
"Do jeito que a coisa anda, acho que o Sistema Financeiro de Habitação pode chegar a emprestar R$ 80 bilhões em 2010", projeta Celso Petrucci, economista-chefe do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). "Os meses em que a demanda costuma ser historicamente mais forte são setembro, outubro e novembro. Por isso estamos muito otimistas." Demanda - Para quem pensa em comprar a casa própria, o momento é bastante propício. Porém, a vigorosa oferta de crédito para habitação já começa a provocar efeitos colaterais no mercado. Além de elevar os preços, o acesso facilitado ao crédito e as boas condições de financiamento para casa própria também provocam um forte aumento da demanda, o que tem transformado a compra de um imóvel numa verdadeira corrida maluca.
Assim como os bancos, hoje os compradores também enfrentam concorrência. "A oferta de imóveis é menor que a quantidade de pessoas que quer comprar, por isso o tempo de venda está bem mais curto", afirmou José Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de São Paulo (Creci-SP)
.
Atualmente, um novo empreendimento imobiliário leva de 30 a 60 dias para ser totalmente comercializado, informa o Creci-SP. Em 2005, o tempo médio era de nada menos que nove meses. "Mas não é por isso que o comprador deve correr, fazer tudo às pressas. preciso cautela", ressaltou Viana. (AE)
Incorporadoras preveem melhor resultado de 2010
Diário do Pará - Online/PA
04 de setembro de 2010
Revigoradas pela forte demanda gerada a partir do programa habitacional do governo, fácil acesso ao crédito, sinais positivos da macroeconomia e com dinheiro em caixa, as incorporadoras esperam registrar o melhor desempenho do ano no terceiro trimestre. "E a expansão deve continuar em 2011, com a maioria das empresas esperando trabalhar com caixa positivo", aponta a equipe de analistas da Planner Corretora.
As perspectivas são respaldadas ainda pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para material de construção até 31 de dezembro e o fato de que neste ano o setor completa um ciclo dos lançamentos e vendas que foram realizadas entre 2007 e 2008. Segundo analistas, a entrega desses empreendimentos vai reforçar o caixa dessas empresas, que já estão capitalizadas com recursos obtidos através da emissão de debêntures e ações.
Na segunda metade do ano, historicamente, as incorporadoras apresentam resultados melhores dentro da média anual, mas diante da proximidade das eleições as incorporadoras estimam que o esforço de lançamentos e vendas devem se concentrar até o início do mês de outubro. "Os últimos meses do ano serão dedicados aos planos para continuar crescendo em 2011", observou Michel Wurman, diretor vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da PDG Realty, durante recente teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados do trimestre.
Entre julho e dezembro a PDG espera entregar 14.421 unidades, totalizando 22.716 habitações no ano. Alinhada com o crescimento do setor, em 2011 a companhia projeta a entrega de 30.203 unidades. Se preparando para atender a essas estimativas, a PDG encerrou o semestre com um banco de terrenos consolidado de R$ 30,2 bilhões, quase o dobro do informado no final de março, distribuídos em 568 projetos.
Com a alta nos custos, puxada pela mão de obra e dos terrenos, a saída da indústria da construção foi adaptar seus projetos ao bolso do cliente para aproveitar ao máximo o momento "Além da disponibilidade de crédito e recuperação da massa salarial, o Brasil atravessa um momento demográfico único no qual a parcela em idade ativa da população ainda é superior ao número de crianças e aposentados", comemora Ubirajara Spessoto de Freitas, diretor geral da Cyrela Brasil Realty.
O resultado dessa estratégia são apartamentos menores, mas com um preço ainda adequado principalmente a demanda da população com renda até 10 salários, que se enquadra no programa "Minha Casa, Minha Vida". "A alta de preços dos imóveis deve continuar e será consistente, mas o crescimento também continuará sendo substancial", defende Freitas, ao prever uma leve desaceleração caso José Serra (PSDB) saia vitorioso nas eleições presidenciais.
MARGENS E PREÇO
Preocupada em manter as margens mas segura com relação ao cumprimento das metas de venda e lançamentos para o ano, a Cyrela informou durante teleconferência sobre os resultados que promoveu um aumento de preços em seus produtos para fazer frente a alta de custos. Na ocasião, o diretor presidente da companhia, Elie Horn, reafirmou que o constante crescimento do setor tem elevado os custos, pelo menos para empresa, acima do previsto.
Apesar do ajuste, frisou o executivo, a Cyrela ainda sente o impacto desses custos adicionais nas margens dos empreendimentos que foram lançados e vendidos no ano passado e estão em fase de construção. "Acreditamos que as medidas tomadas para proteger nossas margens estão corretas, mas veremos seus efeitos apenas nos trimestres seguintes", explicou Horn, ao assegurar que todos os projetos para o segundo semestre já estão encaminhados. Convicta sobre as chances de sucesso, a Cyrela reafirmou a projeção de lançamentos neste ano entre R$ 6,9 bilhões e R$ 7,7 bilhões e de vendas entre R$ 6,2 bilhões e R$ 6,9 bilhões.
A companhia entregou 5.321 unidades e lançou 8.495 mil unidades nos primeiros seis meses do ano. Apenas no mês de julho a incorporadora afirma já ter lançado R$ 700 milhões e vendido R$ 500 milhões. Para atingir o guidance deste ano, porém, o grupo terá de lançar aproximadamente 30 mil unidades no segundo semestre. Ao contrário da concorrente, historicamente a Cyrela costuma realizar 40% dos lançamentos do período entre julho e setembro e 60% entre outubro e dezembro.
No trimestre todos os orçamentos de custos de obras em evolução da Cyrela foram revisados, e foi apurada uma alta de custo da ordem de 2,3% acima da variação do Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Aliado a isso, a maior participação do segmento econômico e supereconômico no mix de produtos também contribuiu para o encolhimento de suas margens no período.
IMPULSO
Na esteira da demanda gerada pelo "Minha Casa, Minha Vida" e otimista com a performance apurada até agora no trimestre corrente, a MRV Engenharia - maior parceira da Caixa Econômica Federal no programa - espera construir de 15 mil a 16 mil unidades no segundo semestre. Com isso, no ano a empresa prevê a construção de 28 mil a 30 mil unidades. Entre janeiro e junho deste ano a MRV lançou 69 empreendimentos em 53 cidades do País, com um número médio de 254 unidades por empreendimento.
A Rossi Residencial, por sua vez, espera entregar 11,5 mil unidades neste ano e 15,6 mil em 2011. Atualmente, a companhia trabalha na construção de 43 mil unidades, em 206 empreendimentos em 151 canteiros de obras. Sem perspectivas de desaceleração no ritmo de vendas para os próximos meses, a incorporadora tem investido no fortalecimento do banco de terrenos. No momento, sua carteira é composta por 173 terrenos, com um Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 27,3 bilhões, sendo R$ 18,4 bilhões correspondente a parte da Rossi. (AE
Candidatos ao governo de SC apresentam planos antienchentes
G1 - Globo/BR
04 de setembro de 2010
Do G1, em São Paulo
Ideli (PT) e Colombo (DEM) propõem criação de secretarias especiais. Ângela (PP) aposta em plano de ação e mapeamento de áreas de risco.
Quase dois anos após a maior tragédia natural registrada nos últimos 26 anos em Santa Catarina, as enchentes que atingiram em novembro de 2008 municípios como Itajaí e Blumenau motivam propostas e planos dos candidatos ao governo do estado para enfrentar catástrofes naturais.
O G1 consultou os candidatos sobre seus planos para evitar a reedição das tragédias. Contatadas por telefone e por e-mail, as campanhas dos candidatos Amadeu (PCB), Gilmar Salgado (PSTU), Carmelito (PMN), Rogério Novaes (PV) e professor Valmir (PSOL) não haviam respondido até sexta-feira (3).
A ordem das respostas segue o desempenho dos candidatos na última pesquisa de intenção de voto (Ibope, divulgada no dia 28 deste mês). Candidato Propostas para evitar danos causados por enchentes
Ângela Amin (PP)
PAE - Plano de Ações para Enchentes: ação multidisciplinar coordenada por grupo com representação de todos os entes públicos (governos estadual e municipais, Defesa Civil) para treinar, conscientizar e educar comunidades em áreas de risco para situações de emergência. PAE definirá responsabilidades e indicará procedimentos para prevenção e resposta a emergências.
MAR - Mapeamento de Áreas de Risco: programa para identificar áreas de risco e extinguir moradias irregulares, reassentando famílias em habitações legalizadas e recuperando áreas degradadas. Uso da tecnologia da informação para viabilizar os objetivos dos projetos.
Raimundo Colombo (DEM)
Criação de uma Secretaria de Estado de Emergência, para intervenção em desastres naturais. Proposta é que órgão trabalhe com previsão e em relação direta com fontes de recursos federais e ONGs de ajuda humanitária, agregando novas formas de intervenção.
Apoio a projetos propostos por Colombo no Senado Federal: antecipação de cota do Fundo de Participação dos Municípios e prorrogação do pagamento de dívidas com a União para municípios atingidos; liberação imediata do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para moradores de áreas atingidas; dedução de Imposto de Renda para contribuições a fundos estaduais da Defesa Civil. Ideli Salvatti (PT)
Criação de uma Secretaria Estadual de Mudanças Climáticas, para prevenção qualificada e integrada dos desastres e ação em políticas de promoção da sustentabilidade. Investimento forte em dragagem.
Fortalecimento do sistema de Defesa Civil (com orçamento permanente) e de monitoramento e alerta de eventos críticos. Mapeamento estadual de áreas de risco e apoio a planos de contingência municipais.
Ações pró-ativas: estudos sobre mudanças climáticas, turismo sustentável, pagamento por serviços ambientais
Mudança - Uso do FGTS para consórcio imobiliário é ampliado
Gazeta On Line/ES
04 de setembro de 2010
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ampliou o leque de possibilidades para que os trabalhadores possam abater parcelas ou quitar consórcios imobiliários usando o saldo de suas contas. A partir de agora, as pessoas que adquiriram um imóvel por consórcio poderão usar o FGTS para amortizar a dívida ou liquidá-la mesmo que na data de compra da nova moradia elas estivessem pagando um financiamento do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Uso de FGTS em consórcio de imóvel começa nesta quinta Caixa já atingiu R$ 44 bilhões no crédito imobiliário em 2010 Crédito imobiliário com dinheiro da poupança cresce 77% no semestre Essa possibilidade consta de resolução publicada ontem no Diário Oficial da União, que alterou dois itens das regras fixadas pelo próprio conselho curador em dezembro do ano passado. A mudança permitirá, por exemplo, que uma pessoa que adquiriu um imóvel por consórcio em junho possa usar o FGTS agora para abater ou quitar a dívida, mesmo que naquele mês ela fosse mutuária do SFH ou já tivesse um imóvel em seu nome.
Casas do PAC sob suspeição
Jornal de Brasília/DF
04 de setembro de 2010
TCU aponta irregularidades em construção de moradia popular com verba federal
Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades na construção de unidades habitacionais em quatro cidades brasileiras. O relatório do TCU analisou a aplicação de recursos federais nas obras e identificou que os projetos básicos para as cidades de Porto Velho (RO), Porto Alegre (RS), Colombo (PR) e Sobradinho, no Distrito Federal, foram alterados.
Irregularidades como superfaturamento, serviços executados sem cobertura contratual, inexistência de estudo de viabilidade técnica e econômica da obra, sobrepreço e inadequação dos projetos licitados foram apontadas na análise.
Conhecidas também como casas populares, as unidades fazemm parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O objetivo do programa é garantir condições dignas de moradia a famílias de baixa renda.
O TCU determinou que os responsáveis pelas licitações e execução dos serviços encaminhem razões de justificativa no prazo de 15 dias. O ministro-substituto Marcos Benquerer foi o relator dos processos. Cabe recurso da decisão.
SOBRADINHO
Sobre a situação verificada em Sobradinho, o TCU enviou o relatório para análise da Secretaria de Obras Distrito Federal (SODF) no fim da tarde de ontem. A assessoria de imprensa do órgão relatou que não há data para dar resposta ao tribunal.
Mas, segundo a assessoria, a Secretaria vai verificar o documento para descobrir onde está o erro da construção. "Pode haver vários erros, como de metragem, de material de construção, entre outros, mas nada confirmado", explicou uma assessora.
Somente depois que for feita uma avaliação do relatório, a secretaria reenviará o documento para o TCU, onde haverá uma nova análise. A partir disto, a decisão sobre o embargo da obra será feita. Por enquanto a construção continua sem paralisação, de acordo com informação da Secretaria de Obras.
ESGOTO EM ALAGOAS
Irregularidades nas obras de implementação das redes de esgoto em Maceió levaram o TCU a determinar que o ex-superintendente de obras da Secretaria de Estado de Infraestrutura de Alagoas, José Alberto
Maia Paiva, devolva a quantia de R$ 4,228 milhões ao Tesouro Nacional ou apresente defesa.
A decisão abrange, solidariamente, o coordenador de serviços de engenharia da Caixa Econômica Federal, Ricardo Campos Avelar, o atual supervisor técnico de engenharia da Caixa, Sandro Pepe, e a empresa Santa Bárbara Engenharia.
SAIBA +
O TCU vai instaurar tomada de contas especial para que os responsáveis esclareçam irregularidades apontadas no contrato celebrado entre o governo de Alagoas e o Ministério das Cidades. As irregularidades verificadas são: inexistência dos critérios de aceitação dos preços unitário e global, prática de sobrepreço e superfaturamento. A Santa Bárbara Engenharia e a Caixa devem se justificar. Precisam de justificativa a deficiência e desatualização do projeto básico para a execução das obras em Maceió. A Santa Bárbara deverá ser ouvida, ainda, sobre o excesso de preço.
Investimento puxa alta recorde do PIB
O Estado de S. Paulo/BR
04 de setembro de 2010
O PIB desacelerou no segundo trimestre, mas menos do que o mercado esperava, registrando bons desempenhos da agropecuária, da indústria e dos investimentos. No primeiro semestre de 2010, o PIB cresceu 8,9%, a maior taxa acumulada em dois trimestres desde o início da atual série, em 1996, sendo puxado pelos investimentos, que tiveram alta recorde de 26,2%.
Na comparação com o primeiro trimestre, descontadas as influências sazonais, o PIB de abril a junho cresceu 1,2% (5,1% em base anualizada). Ante igual período de 2009, o PIB do segundo trimestre cresceu 8,8%.
Em ambos os casos, o resultado foi acima do teto das expectativas de participantes do mercado ouvidos pela Agência Estado. No primeiro trimestre deste ano, porém, a velocidade do PIB era maior: 2,7% (11,3% em base anualizada) ante o último trimestre de 2009, na comparação dessazonalizada; e 9% ante o mesmo período do ano passado.
"Houve uma pequena desaceleração no PIB no segundo trimestre", resumiu Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 900,7 bilhões no segundo trimestre, e R$ 1,73 trilhão no primeiro semestre. Os resultados do PIB do segundo trimestre foram divulgados ontem pelo IBGE.
Na área externa, as importações continuam em disparada, tendo crescido 38,8% ante o primeiro trimestre de 2009, num ritmo cinco vezes maior que o das exportações (7,2%). A necessidade de financiamento da economia brasileira (relacionada ao déficit externo) atingiu o recorde de R$ 24,3 bilhões no segundo trimestre de 2010.
Rebeca ressaltou que os resultados muito fortes do PIB no primeiro semestre e no segundo trimestre, ante iguais períodos do ano anterior, devem-se em parte à base de comparação deprimida da primeira metade de 2009, quando o Brasil foi atingido pela crise global.
A indústria cresceu 1,9% (7,8% em base anualizada) no segundo trimestre, na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior. O número ficou bem abaixo dos resultados acima de 3% nos últimos três trimestres, com o pico de 4% (17% anualizado) de janeiro a março.
Em relação à igual período de 2009, a indústria cresceu 13,8%, sendo o setor de maior destaque nessa base de comparação. O grande destaque da indústria foi a construção civil, que cresceu 16,4% no segundo trimestre, o melhor desempenho entre todos os subsetores do PIB (incluindo agropecuária e todos os segmentos da indústria e dos serviços), e recorde da série iniciada em 1996. O crescimento de 15,7% da construção civil no semestre também é recorde.
O outro grande destaque setorial do PIB no segundo trimestre foi a agropecuária, que teve o maior crescimento, de 2,1% (8,8% anualizado), na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior. Ante o mesmo trimestre de 2009, a agropecuária cresceu 11,4%.
Economia com fôlego para crescer
O Globo/BR
04 de setembro de 2010
PIB sobe 1,2%, acima das projeções. Investimento é recorde
Cássia Almeida, Fabiana Ribeiro e Clarice Spitz
Os números da economia brasileira no segundo trimestre surpreenderam positivamente o mercado. Depois dos recordes registrados no início do ano, a desaceleração foi mais branda que o esperado. O Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) cresceu 1,2%, frente ao primeiro trimestre, já descontados efeitos sazonais, embalado principalmente pela indústria e por um avanço dos investimentos, informou ontem o IBGE. Analistas projetavam uma alta entre 0,4% e 1% no PIB. Frente ao mesmo período de 2009, o crescimento foi de 8,8%, ligeiramente abaixo dos 9% do trimestre anterior.
No primeiro semestre, o PIB cresceu 8,9%, a maior alta dos últimos 14 anos, quando começou a série histórica do IBGE. Com o crescimento acima do previsto da economia brasileira, consultorias e bancos já começam a revisar suas contas e projetam um PIB de até 8% este ano. E, mesmo que a economia brasileira fique parada até o fim do ano, só o desempenho do primeiro semestre já garante uma expansão do PIB de 7% em 2010.
- O crescimento do PIB está ligado ao desempenho positivo da demanda interna. Essa pequena desaceleração veio por conta da base de comparação mais elevada. A indústria junto com a agropecuária explicam a expansão - afirmou Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.
A formação bruta de capital fixo, que indica o investimento dos diferentes setores da economia para ampliar sua capacidade de produção, avançou 26,5% na comparação com o segundo trimestre do ano passado, na maior alta em 14 anos. Com isso, os investimentos responderam por mais da metade da expansão do PIB nessa comparação, que foi de 8,8%. Todos os componentes do investimento - produção interna, importação de máquinas e equipamentos e construção civil - aumentaram.Esse último setor também registrou taxas recordes de abril a junho.
A construção cresceu 16,4% frente ao segundo trimestre do ano passado, impulsionada pelo crédito e pelas contratações de trabalhadores. - Apesar de ter mais que recuperado as perdas com a crise, é lógico que a expansão de 26,5% dos investimentos está inflada pela queda de 16% (recorde negativo) no segundo trimestre de 2009 - disse Rebeca.
Na avaliação de Ricardo Carneiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp, os números de investimentos apontam para um crescimento sustentável por mais tempo, dando mais fôlego à economia brasileira. mdash; E isso é uma consequência do próprio consumo dos brasileiros, que também induz ao investimento. O cenário sugere que o país entra num ciclo mais longo de crescimento. E nesse ano, com a economia avançando 7% ao menos, o país estará entre os cinco que mais crescerão no mundo, ao lado de China e Índia
Consumo doméstico cresce 12,4%
A demanda doméstica, responsável pelo período de expansão recente, continua crescendo. Subiu 12,4% (no trimestre anterior ficara em 11,9%). A demanda externa, por sua vez, foi negativa em 3,3%. Ou seja, o consumo do país foi maior que a produção e precisou ser suprido pelas importações, que avançaram 4,4% contra o início do ano e 38,8% na comparação com o segundo trimestre de 2009.
- Boa parte das importações foi de máquinas e equipamentos, que serviu para investimentos. Estamos com câmbio valorizado e é óbvio que isso aumenta as importações - afirmou Rebeca, do IBGE.
Para Alexandre Maia, economistachefe da GAP Asset, os números recordes do primeiro semestre, o melhor em 14 anos, mostram um momento único no Brasil: - Nunca tivemos na história recente um crescimento tão forte com inflação perto de 5%, não muito distante do centro da meta. Crescimento semelhante ao esperado para 2010 (acima de 7%) se iguala ao período do Plano Cruzado.Mas em 1986, quando o PIB cresceu 7,5%, a inflação foi de 79,66%.
Na demanda interna, enquanto o consumo das famílias perdeu fôlego, as despesas do governo avançaram e ficaram acima das expectativas. Os gastos dos consumidores saíram de um avanço de 1,4% no primeiro trimestre para 0,8% no segundo trimestre (em relação aos três meses anteriores). Já as despesas do governo aceleraram de 0,8% para 2,1%.
- Com os incentivos tributários (no primeiro trimestre) veio alguma antecipação de consumo. Era lógico que o consumo das famílias iria desacelerar no segundo trimestre - disse Armando Castelar, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).
No 3° trimestre, expansão mais lenta
Com o consumo em ritmo mais lento, aumentou a poupança na economia.
A taxa de poupança ficou em 18,1% do PIB, bem acima dos 16% do segundo trimestre do ano passado.
Castelar chama a atenção para a aceleração dos gastos do governo, mesmo em período pré-eleitoral. A alta foi de 5,1% contra o mesmo período do ano passado. Os impostos também cresceram fortemente nessa comparação. A alta de 12,6% veio com o bom desempenho da indústria e do imposto de importações.
A formação de estoques também contribuiu para o crescimento de 8,8% no PIB frente ao mesmo período do ano passado. Como em 2009 a economia estava queimando seus estoques acumulados antes da crise, esse indicador ainda continuará por todo o ano de 2010 contribuindo positivamente para o PIB, de acordo com economista-chefe da Convenção Corretora, Fernando Montero. A formação de estoques representou 3% do PIB.
Com o crescimento forte do PIB no segundo trimestre, analistas preveem uma desaceleração da economia entre julho e setembro. A expectativa é de que o PIB tenha alta próxima a 0,5%, frente ao segundo trimestre, já descontados efeitos sazonais.
Fim de IPI menor freou gasto de famílias
O Globo/BR
04 de setembro de 2010
Consumo, no entanto, cresce pelo sétimo ano, puxado por ganho salarial
Rennan Setti
RIO e BRASÍLIA. Apesar de o consumo das famílias ter reduzido o ritmo no segundo trimestre - principalmente por conta do fim do IPI reduzido em produtos linha branca, material de construção e automóveis -, ele cresce sem parar há praticamente sete anos. Entre abril e junho, o avanço foi de 6,7% na comparação com o mesmo período de 2009 - a 27aalta seguida nessa comparação. Frente aos três primeiros meses do ano, esse consumo cresceu 0,8%, já descontados efeitos sazonais.
Segundo o IBGE, os fatores que mais contribuíram para o resultado foram os crescimentos de massa salarial (total dos rendimentos obtidos por todos os trabalhadores) e do crédito.
Pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), houve aumento de 7,3% na massa de salários no período. Também houve, segundo dados do Banco Central, um aumento de 17,1% do saldo de operações de crédito para as pessoas físicas.Com mais dinheiro no bolso e mais crédito na praça, os brasileiros gastaram R$ 545,4 bilhões entre abril e junho.
Mas, apesar de a despesa dos brasileiros continuar crescendo, sua velocidade vem diminuindo. O aumento registrado no segundo trimestre do ano foi o menor desde o meio do ano passado - durante o pós-crise global -, nas comparações com o trimestre anterior. Para o IBGE, essa tendência tem a ver com a retirada dos incentivos fiscais para a produção em fins de março.
- Estamos comparando entre o período que tínhamos incentivos fiscais e outro que não temos mais - afirma Rebeca de Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.
Para o economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV, concorda que o desaquecimento registrado no consumo tem relação com a política de juros e de incentivos fiscais, mas não com a estrutura do mercado de trabalho: - Os últimos indicadores de emprego, como o Caged e a PME de julho, mostram expansão do trabalho. Se depender só disso, o consumo também tende a crescer.
O publicitário Bruno Arouca, de 30 anos, é um dos que, com emprego novo, está gastando mais. Após um temporada de estudos na África do Sul, Arouca voltou atrás de um vaga na sua área - e conseguiu em menos de dois meses: - Foi mais rápido do que imaginava. Eu, que estava economizando, parei de me policiar e voltei a consumir como antes.
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou que a expansão do PIB está entrando numa rota de "equilíbrio de longo prazo" e acrescentou que o BC está "totalmente confortável" com esse cenário. - É um momento de muita serenidade - frisou.



