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O crescimento chinês
http://www.ietec.com.br
23 de agosto de 2010

 

O “crescimento chinês” – conforme é chamado o atual momento econômico vivenciado pelo Brasil – deixa o país em uma situação pouco confortável. De um lado, o mercado consumidor está ávido por novidades, a produção supera os patamares alcançados no período pré-crise e a liquidez é satisfatória. De outro, a escassez de mão-de-obra qualificada atua como gargalo que pode impedir o desenvolvimento da economia nacional.


O embate entre a baixa oferta de pessoal qualificado e a forte demanda por recursos humanos foi apontado em pesquisa realizada pela consultoria internacional de recursos humanos Manpower. Segundo o documento, 44% dos empregadores nacionais afirmam que o número de contratações no terceiro trimestre de 2010 será superior ao registrado no período imediatamente anterior.


Em contrapartida, ainda conforme a consultoria, 64% das empresas brasileiras têm dificuldades em encontrar pessoal capacitado para integrar o quadro operacional. O índice é menor apenas do que o registrado pelo Japão (76%).


Para o coordenador do MBA em Administração de Projetos do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), Ivo Michalick, as últimas “viradas” do cenário econômico confirmam não só a necessidade da qualificação, como da constante atualização do conhecimento. “Uma qualificação concluída há 10 anos, por exemplo, está em boa parte obsoleta e precisa ser constantemente revalidada com estudos e cursos”, diz.


De acordo com ele, que possui mais de 20 anos de experiência em projetos de mineração, energia, logística, saúde e telecomunicações no Brasil e no exterior, os diretores e gerentes buscam profissionais que consigam obter resultados velozes em ambientes sob pressão. E, para Michalick, a capacitação comprovada é um dos elementos mais importantes e valorizados na hora de fechar um contrato.


Há vagas – O presidente da fabricante nacional de servidores, desktops e notebooks Megaware, Germano Couy, afirma que a empresa, com plantas industriais em Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), já ficou até quatro meses com vagas disponíveis para profissionais especializados. De acordo com ele, cargos de gerência, coordenação de produção, engenharia de processo e os relacionados à tecnologia da informação são os mais difíceis de serem preenchidos.


“Encontrar pessoal qualificado no atual mercado não é tarefa fácil, por isso, investimos em treinamento. O maior problema, entretanto, é que qualificar pessoal demanda tempo e às vezes precisamos do profissional de imediato”, comenta.


Na Polycast – Polyurethane Engineering, localizada em Belo Horizonte e especializada na fabricação e no desenvolvimento de produtos técnicos e revestimentos em poliuretano moldado de alta performance, o problema se repete. De acordo com o diretor-executivo da empresa, José Augusto Athayde Braga, devido à retomada da indústria mineral, principal mercado atendido pela Polycast, o número de vagas abertas é superior à quantidade de profissionais qualificados disponíveis.


“Pretendemos aumentar um turno trabalhado e expandir o quadro operacional em aproximadamente 50% no curto prazo. Encontrar mão-de-obra qualificada, entretanto, será um entrave”, prevê Braga, que é ex-aluno do MBA em Administração de Projetos do Ietec.


Investir na qualificação do pessoal foi uma das medidas adotadas pela Tecnometal – especializada em engenharia, equipamentos de movimentação, manuseio de granéis sólidos, processamento mineral, geração de energia, elevação e transportes, automação bancária, peças e componentes – para vencer no mercado. E a aposta, segundo o diretor Industrial da empresa, que possui unidades industriais em Campinas (SP) e Vespasiano (MG), Fernando de Souza, foi bem-sucedida.


“Vamos iniciar uma nova etapa na história da empresa, com reestruturação de layout de fábrica e de processos, investimento em maquinário de ponta, entre outros. Alcançamos um patamar em que é impossível ficar sem mão-de-obra altamente qualificada. Por isso, investimos no nosso pessoal”, diz.


Salários nas alturas – O problema enfrentado pelos empregadores brasileiros privilegia os candidatos que apostaram na formação profissional. Com a baixa oferta de pessoal qualificado, os salários pagos aos profissionais inflacionaram.


Conforme explica a diretora-executiva da Catho Consultoria de Recursos Humanos e coaching de carreira, Lizete Araujo, no cenário econômico positivo os profissionais qualificados têm facilidade para negociar a remuneração. “Assim como as empresas, os empregados que investiram na formação sabem o valor do conhecimento”, afirma.


Pesquisa com 175 mil empregados de áreas operacionais, gerenciais e de empresas de 20 diferentes setores econômicos mostra que alguns segmentos específicos, como a mineração, pagam salários aproximadamente 20% acima da média nacional. Já a remuneração para empregados das indústrias automobilística, de autopeças, de computadores e eletricidade é aproximadamente 13% superior.


Riscos – Na avaliação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a velocidade de crescimento da economia nacional não tem sido acompanhada pela formação de profissionais com qualidade, fator que coloca em xeque a produção.


Além disso, ele aponta que a escassez de mão-de-obra qualificada e de profissionais com conhecimentos atualizados criam um cenário de risco: com a economia aquecida e sem opções, os empregadores tendem a “importar” capital intelectual. “É possível comprovar este comportamento da indústria em diversos setores. A qualificação da mão-de-obra é a saída”, conclui.


Qualificação – O Ietec está com inscrições abertas para pós-graduação e MBA em diversas áreas. São elas: logística, vendas, compras, processos, custos, produção, inovação, meio ambiente, meio ambiente, gestão de projetos e TI. O MBA em TI da instituição foi o único de Minas Gerais classificado entre os melhores da área no Brasil pelo ranking da Você S/A de 2009.
Comunicação Ietec – http://www.ietec.com.br

 


No país, principais lideranças empresariais falam "uai"
O Tempo/MG
23 de agosto de 2010

 

Minas Gerais ultrapassou os limites das montanhas e retomou projeção nacional com mineiros à frente de entidades que comandam um bom pedaço da riqueza do país. Na Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade com 72 anos, assumiu o são-joanense Robson Braga. Na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC), a segunda mais importante do mundo, entrou o montes-clarense Sebastião Nelson Edy Guerra. Esses são exemplos recentes.


Como presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o empresário Clésio Andrade já se consolidou como liderança do setor comandando a entidade há 16 anos. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o mineiro Paulo Safady, preside a entidade há oito anos.


Até o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), setor que responde por 23% do PIB industrial brasileiro, o paulista Cledorvino Belini, se considera um mineiro. "Costumo dizer que sou um paulista com dois corações; de São Paulo, onde nasci, e de Minas Gerais, que impregnou minha alma com suas características peculiares, seus valores telúricos e o jeito de ser de seu povo", fez poesia o também comandante da fábrica da Fiat, em Betim (MG) e que assumiu a Anfavea há quatro meses.


Apaixonado por carros, Belini deve grande parte da experiência de 37 anos no setor automotivo à permanência no Estado. "Nossa experiência profissional e pessoal, bastante aclimatada ao jeito negocial mineiro, é de trabalhar por consenso, sempre buscando convergência", elogiou.


O jeito mineiro de ser, Belini levou para sua atuação na Anfavea que, para ele, é e deve ser sempre a partir de uma unidade setorial de posicionamentos. "É isso que dá coerência, legitimidade e representatividade à entidade na defesa de políticas para a indústria automobilística brasileira", disse.


Estilo Jeito mineiro ajuda a comandar O estilo do mineiro na administração de empresas e entidades parece ter virado uma grife. Tem um estilo mais aberto, de conciliação, de agregar, é nato e reconhecido , enumerou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o belorizontino Paulo Safady.


A CBIC tem 60 entidades empresarias filiadas que geram 50 mil empregos no Brasil. Paulo Safady também foi eleito vice-presidente da Confederação Internacional das Associações de Contratadores, uma entidade composta pelas Federações da Américas, Europa e Ásia.


Para Paulo Safady, até mesmo a localização geográfica do Estado influencia na diferença em relação aos outros. É por ser um Estado mediterrâneo, por representar um pouco de cada pedaço do país , define a expansão do comando mineiro.


Engenheiro há mais de três décadas, Paulo Safady considera que a ascensão dos mineiros na economia nacional quebrou um pouco o predomínio de São Paulo. Também tira as regionalidades do Nordeste e do Sul, que possuem vocação mais protecionista , alegou.


Até no enfrentamento de conflitos, Paulo Safady considera a origem como fator decisivo na solução de problemas. Só o mineiro tem algumas características que ajudam a caminhar melhor , destacou. (HL)


Plástica Medicina tem comandante do Estado Jamais um mineiro havia ocupado a presidência da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), considerada a segunda maior sociedade da especialidade do mundo.


Quem conseguiu mudar a tradição foi o cirurgião plástico nascido em Montes Claros Sebastião Nelson Edy Guerra que ocupou o cargo no ano passado. Com 37 anos de experiência na especialidade, Sebastião Nelson cursou medicina na UFMG, onde se formou em 1969.


Pela lógica, o Estado de São Paulo, que congrega o maior número de cirurgiões plásticos, sempre esteve à frente devido ao maior berço eleitoral. Naturalmente a decisão do futuro dirigente estaria nas mãos deste eleitorado, mas a comunhão de pensamento quebrou este paradigma , justificou a quebra de uma tradição.


Com uma média de 700 mil cirurgias plásticas por ano no Brasil, Sebastião Nelson terá ainda mais projeção. Este número será ultrapassado neste ano , afirmou Nelson. (HL)

 

Mercado Aberto
Folha de S. Paulo/BR
23 de agosto de 2010


MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias@uol.com.br
Setor de elevadores quer garantir mercado na Copa

Fabricantes brasileiros de elevadores pleiteiam com o governo federal uma reserva de mercado de 30% no fornecimento desses equipamentos, além de escadas e esteiras rolantes, para a Copa do Mundo, em 2014, e para os Jogos Olímpicos, em 2016, segundo o sindicato do setor.


O mercado nacional é dominado por três multinacionais -Atlas Schindler, ThyssenKrupp e Otis- e tornou-se alvo também de chineses, com a proximidade dos eventos esportivos.


"O governo deve encontrar mecanismos para manter a indústria nacional", afirma Jomar Cardoso, presidente do Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo.


Dos 102 participantes da Expo Elevador, feira da indústria que ocorreu neste mês na capital, 54 eram estrangeiros -dos quais 24 chineses. Em 2008, na última edição, havia apenas três expositores do país asiático. Esse mercado movimentou R$ 2,5 bilhões em 2009, o que inclui o faturamento com a venda de equipamentos novos, além da receita com serviços de manutenção e conservação. A estimativa do sindicato é que as empresas nacionais respondam por aproximadamente 10% desse valor.


O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, porém, é contra a reserva de mercado. "É preciso encontrar outros caminhos para estimular as empresas nacionais a se tornarem competitivas ante a concorrência das multinacionais", diz. "É um problema que incomoda a indústria brasileira como um todo."


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Corretoras se preparam para aumento da demanda
Corretoras de valores investem em tecnologia, pessoal e educação financeira de olho na demanda que deve crescer com a campanha, estrelada por Pelé, que a BM&FBovespa lançará para chegar a 5 milhões de pessoas físicas.


A Planner investe neste ano cerca de R$ 3,5 milhões na infraestrutura da corretora. "Reforçamos o departamento comercial, investimos em novos softwares e contratamos diretores e gerentes", diz o diretor Marcus De Rosa.


A Votorantim Corretora também afirma ter feito "investimentos maciços em tecnologia e pessoal", segundo o diretor-geral Abraham Weintraub. Para ele, a chave do sucesso na retenção de clientes está no atendimento. "Corretora se parece mais com restaurante do que com banco", diz. "Sem serviço bom, ele não volta."


A Spinelli lançou uma ferramenta quase sem termos em inglês. "A campanha atrairá quem não conhece o idioma", diz Rodrigo Puga. A Coinvalores lançará sistema simplificado e com acesso personalizado a analistas, enquanto a Socopa planeja um pacote de serviços para "evitar que iniciantes percam interesse", diz Fabrício Tota.


Já a Link Trade ampliou cursos e palestras. "Uma coisa é gerar demanda, outra, é ensinar a investir", diz a diretora Mônica Saccarelli.
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Banco do Brasil lnça fundo com Votorantim para alta renda
A BB DTVM, subsidiária do Banco do Brasil responsável pela gestão de recursos, expande o seu portfólio no segmento de alta renda. A gestora irá lançar nos próximos meses fundos com expectativa de captação de R$ 500 milhões, no mínimo, de acordo com projeção de Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM.


Em parceria com o Banco Votorantim, a administradora de recursos irá lançar em setembro um fundo imobiliário, voltado para empreendimentos com alto valor, de construtoras conhecidas no mercado, além de outros dois Fidcs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) vinculados a recebíveis de varejo, segundo Takahashi. "Estamos ampliando e diversificando o nosso portfólio para os clientes de alta renda. A expectativa é positiva para esse segmento que tem demandado produtos de maior valor agregado", diz.


Com lançamento previsto para outubro, a BB DTVM prepara mais dois fundos na categoria capital protegido, um de ações ligado ao Ibovespa e outro multimercado ligado ao câmbio. A BB DTVM é líder do mercado de gestão de recursos e fechou o primeiro semestre deste ano com patrimônio de R$ 345 bilhões.

 

 

Governo diz que ritmo de obras irá acelerar
Folha de S. Paulo/BR
23 de agosto de 2010


Agência federal e concessionária negam atraso em cronograma, mas dizem que gastos subirão neste semestre
DE BRASÍLIA


Os investimentos nas rodovias federais privatizadas no final de 2007 serão "acelerados" neste semestre e não há atrasos no cronograma, alegam a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a empresa OHL, que detém as principais estradas.


A agência, que é ligada ao governo federal, tem a expectativa de que, desde julho, período mais seco, obras na pista deveriam se acelerar. Os gastos vão aumentar, para a ANTT, também devido ao fim das pendências ambientais em obras como a duplicação de parte da serra do Cafezal, na Régis Bittencourt, e da BR-101, no Rio.


Mas os engarrafamentos na serra do Cafezal não têm data para acabar, porque a parte mais delicada da obra não tem licença ambiental. A perspectiva é mais negativa no trecho da Grande SP da Fernão Dias, onde está proibido o tráfego de caminhões em determinadas horas de domingos e feriados. Isso porque seria preciso retificar o traçado em uma região altamente urbanizada.


O diretor da OHL Francisco Moura da Costa, questionado ao apresentar o balanço da empresa no primeiro semestre, diz que a concessionária vem buscando cumprir seus cronogramas. Costa declarou que, como são poucas as obras na Grande SP e as estradas estão saturadas, a OHL vai investir pesado na operação (para tentar impedir que um acidente afete demais o tráfego).


Ele afirmou que o fluxo de veículos pedagiados nas federais está, em média, entre 10% e 15% abaixo do esperado. Mas que, mesmo assim, há dinheiro para investir. "Já obtivemos licenças e não estamos sendo limitados [por falta de caixa]. As obras vão exigir esforço brutal de mobilização. E elas [concessões federais] já estão entrando na normalidade."


A Folha indagou Costa se, caso a OHL não obtiver financiamento de longo prazo do BNDES, será possível manter as concessões. "Não. O valor de investimentos é de R$ 5 bilhões. Não há concessão, com qualquer preço de pedágio, que pague investimentos e custos operacionais."


Procura-se mão de obra qualificada
O Estado de S. Paulo/BR
23 de agosto de 2010


Brasil abre as portas para estrangeiros e repatria brasileiros do exterior por falta de profissionais com qualificação
Naiana Oscar


Entre janeiro e junho deste ano, desembarcaram no Brasil 22,1 mil estrangeiros com visto de trabalho. Desse total, 98% têm nível técnico, curso superior ou até pós-graduação. Se eles viessem juntos, de uma só vez, lotariam 138 aviões intercontinentais. Esse dado do Ministério do Trabalho e Emprego não inclui brasileiros como o engenheiro Octávio Sayão, de 60 anos, que exerceu sua profissão durante duas décadas no Canadá e se mudou para o Rio de Janeiro em maio para preencher uma vaga que estava em aberto por falta de profissionais com qualificação suficiente para ocupá-la. Estrangeiros e repatriados que desembarcam no País para trabalhar são apenas um dos reflexos do iminente apagão de mão de obra especializada que o novo presidente da República terá de enfrentar.


Nos próximos cinco anos, 15 milhões de trabalhadores terão de ser qualificados para atender à demanda de todos os setores da economia, principalmente os de comércio e serviços, segundo dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). São 3 milhões por ano. Essa formação atende apenas parte da demanda de longo prazo, mas não resolve a necessidade imediata das empresas. "A situação é gravíssima e não há expectativa de que melhore nos próximos anos", diz Luiz Antônio Caruso, coordenador da Unidade de Gestão Tendências e Prospecção do Senai Nacional. Não seria exagero pensar assim, já que as empresas estão correndo atrás e investindo, com recursos próprios, na formação de seus funcionários?


Caruso dispara uma numeralha sobre a situação da educação básica para explicar o pessimismo. "No campo da matemática, o aluno sai do ensino médio achando que um quarto é mais que um meio e mal sabe interpretar um texto." A deficiência na formação dos alunos atrasa em 30% o tempo dos cursos oferecidos pelo Senai, porque a instituição tem de prever um módulo para ensinar o que não foi assimilado no ensino básico. A cada três turmas, o Senai poderia criar mais uma, não fosse esse tempo perdido. "O que quero dizer é que isso não tem prazo para terminar, porque sem melhoria na educação básica o problema continua existindo."


Formação. A fabricante de equipamentos ferroviários AmstedMaxion sabe bem do que Caruso está falando. Desde o início do ano, a empresa contratou 730 funcionários e ainda tem 80 vagas abertas. "Encheu de candidato, mas nessa última seleção para soldadores nem um terço deles passou no teste", diz o presidente Ricardo Chuayh, que comanda 2,7 mil empregados. A empresa teve de montar uma turma de treinamento para capacitar os candidatos ao teste e, mesmo assim, todos foram reprovados. "Estamos planejando um novo curso para ver se dessa vez eles passam na prova."


Sem tempo para formar um engenheiro marítimo e costeiro, a Concremat, empresa de engenharia com sede no Rio, foi à caça de um profissional fora do País. Encontrou Sayão - o engenheiro que se mudou para o Brasil em maio - no Canadá, fazendo projetos nessa área para empresas do mundo inteiro, incluindo brasileiras. Ele decidiu se especializar nessa área depois de acompanhar da janela de casa, na década de 70, a obra de dragagem da praia de Copacabana, época em que ser engenheiro era um grande negócio: com economia aquecida e investimento em infraestrutura. Mas Sayão teve a má sorte de se formar na época em que o "engenheiro virou suco" - referência ao profissional que, demitido durante a crise, abriu uma lanchonete com esse nome na Avenida Paulista em São Paulo. "Alguns amigos meus foram para o mercado financeiro, outros abriram negócios próprios. Eu fui embora do País."


Escassez. A história de Sayão ajuda a explicar a escassez de engenheiros no mercado brasileiro. "Temos um hiato na formação desses profissionais, já que por um bom tempo essa foi uma profissão desprestigiada no País", lembra Pedro Guimarães, diretor da consultoria de Recursos Humanos Manpower. Segundo levantamento do Conselho Federal de Engenharia (Confea), o País tem um índice de sete engenheiros por mil pessoas economicamente ativas. Em países desenvolvidos, esse número varia de 12 a 24. "Precisamos intensificar agressivamente a formação desses profissionais", diz o presidente da entidade, Marco Túlio Mello. "Uma saída de curto prazo seria fornecer bolsas de estudo para atualizar engenheiros que estão fora do mercado e convencê-los a voltar."


O professor Cláudio Dedecca, da Unicamp, também considera a situação dramática, mas ressalta que a carência de mão de obra ainda não é generalizada. "Temos pessoal para ocupar os postos de trabalho em algumas regiões, mas não temos em outras."


Um estudo do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) estima que quatro setores da economia, entre eles o de construção civil, terão dificuldades para preencher 320 mil vagas destinadas a profissionais com qualificação e experiência em 2010. Mas em outras áreas vai sobrar mão de obra.


O problema, segundo Dedecca, só pode ser atacado com pesquisas e planejamento.Ele aponta o Cadastro Geral de Empregados do governo federal como um instrumento fundamental para mapear as demandas do mercado, mas pouco explorado para essa finalidade atualmente. É necessário conhecer as necessidades para programar os investimentos em formação. "Esse é um papel das empresas, que também devem se planejar, mas acima de tudo do poder público."


Longe de casa
O Globo/BR
23 de agosto de 2010

 

 

Cerca de 40% dos empregos formais no município do Rio estão concentrados no antigo centro da cidade e na zona portuária, o que ocasiona um enorme deslocamento diário de pessoas (mais de 1,2 milhão) de diferentes bairros para essa área. Então é correto a prefeitura incentivar a construção de moradias no projeto de revitalização da zona portuária e em lugares próximos ao Centro.


No entanto, o boom de novas construções no município está voltado para a chamada Zona Oeste, que inclui desde a Barra da Tijuca e Jacarepaguá até Bangu e Santa Cruz. O economista Mauro Osório, estudioso da economia do Rio e que acaba de organizar um livro, juntamente com Renata La Rovere, sobre "Desenvolvimento econômico local da Zona Oeste", considera mais relevante gerar emprego nessa região para os atuais moradores do que reforçar a tendência de crescimento populacional por lá (os empreendimentos imobiliários são atraídos pela oferta de terrenos, mas, por outro lado, esbarram nas deficiências de infraestrutura urbana). A indústria voltou a ser uma fonte de geração de empregos na Zona Oeste. Sem considerar a construção civil, a a indústria responde por 8,5% dos empregos no município do Rio; na Zona Oeste, esse índice chega a 17,8% e especificamente em Santa Cruz vai a 31,2%. Os projetos em andamento ou previstos para a região poderão gerar mais empregos, o que poderá atrair novos moradores que, na verdade, continuarão mesmo a trabalhar no centro do Rio, multiplicando a demanda por transportes e outros serviços.


Congonhas do Campo, cidade que abriga, no acesso à sua Basílica, uma das últimas grandes obras de Aleijadinho (o mestre do chamado barroco tardio relutou em fazer esse magnífico trabalho - as esculturas dos profetas - até por causa das críticas que recebera, mas ainda bem que não desistiu), tem hoje 50 mil habitantes e está no meio de uma região, com raio de 20 quilômetros, que deverá receber investimentos da ordem de R$ 23 bilhões a R$ 24 bilhões. Somados, esses investimentos são os maiores sob responsabilidade direta do setor privado no Brasil.


Estima-se que 40 mil empregos temporários deverão ser criados na fase das obras (os novos empregos permanentes totalizarão 18 mil). Nas obras de expansão da mina de ferro e das duas pelotizadoras da CSN já estão trabalhando cinco mil pessoas, o que praticamente eliminou o desemprego masculino em Congonhas.


O impacto, positivo e negativo, dos projetos de mineração e siderurgia capitaneados por cinco grupos - Vale, CSN, Ferrous, Gerdau e Vallourec-Sumitomo - nessa região levou sete municípios a formarem um consórcio, iniciativa inédita no país, para desenvolverem ações comuns que tragam de fato benefícios a todos.


No espírito de "a união faz a força", o Consórcio para o Desenvolvimento do Vale do Paraopeba (Codap) reúne desde São Brás de Suaçuí, com 3.500 habitantes, até Conselheiro Lafaiete, com quase 120 mil. Castigada por enchentes do Paraopeba - um dos mais importantes afluentes do São Francisco - a região passou a contar com uma Defesa Civil comum aos municípios, pronta para agir na próxima temporada de chuvas. O Codap começou também a promover licitações integradas, e assim todos os sete municípios usufruem do mais baixo preço conquistado por um deles.


Na educação, a maior vitória até o momento foi a instalação de um campus da Universidade Federal de São João del Rei. O passo seguinte será criar um fundo de desenvolvimento regional, com apoio do BNDES e participação relevante das empresas investidoras.


A previsão é que Congonhas venha a ter 90 mil habitantes dentro de dez anos. Se a região não caminhar por um processo de desenvolvimento sustentável, será o caos, e isso é o que o Codap (atualmente presidido pelo prefeito de Congonhas, Anderson Cabido) deseja evitar.


Entre as contrapartidas esperadas por esses projetos de mineração e siderurgia, que inevitavelmente poluem o ambiente (embora a indústria trabalhe para atenuar esse efeito) é a recuperação do patrimônio histórico e cultural da região. A Basílica de Congonhas, e o seu entorno hoje degradado urbanisticamente, deverá ganhar um novo acesso. O projeto está orçado em R$ 24 milhões. A duplicação da BR040 em todo esse trecho também é aguardada com expectativa. Até o fim do ano, um novo viaduto próximo à entrada de Congonhas estará pronto, mas há muito o que fazer por ali.


O engenheiro José Luiz Portella tem hoje sob seu comando um sistema que transporta sobre trilhos cerca de 5,9 milhões de passageiros por dia na região metropolitana de São Paulo. Bem antes de 2014, esse sistema terá 240 quilômetros funcionando como metrô (o que significa que os trens passarão por cada estação a um intervalo médio inferior a seis minutos, com segurança), pois além dos 78 quilômetros da rede intitulada hoje como tal, em grande parte subterrânea, os 152 quilômetros das linhas de trens de superfície da CPTM funcionarão da mesma forma, graças a um sistema de controle que possibilitará as composições se aproximarem até por 150 metros, sem risco de choque.


Com base nessa experiência, como secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Portella propõe uma alternativa ao projeto do chamado trem-bala. Diz ele que se a velocidade for reduzida para a faixa de 180 a 200 quilômetros por hora, em vez dos mais de 300 previstos, o investimento cai pela metade porque o trajeto não exigirá a eliminação de tantas curvas, aclives e declives. E o percurso entre Rio e São Paulo poderia se feito em duas horas e dez minutos, o que manteria o trem como uma opção ao avião ou ao ônibus. É uma proposta que merece atenção.
E-mail: vidor@oglobo.com.br

 

Consumo Popular
Brasil Econômico/BR
23 de agosto de 2010


PAULO VIEIRA LIMA
Mercado se abre para um novo perfil de construção com padrão popular
Classe C tem chance de comprar imóveis com o conforto propiciado às elites


Há escassez de material de construção civil no mercado e a demanda por moradia permanece aquecida e tende a crescer com a pressão de compra pela classe média novata em aquisição de bens e serviços. Este desafio tem sido um trunfo que André Kovari, diretor de negócios, faz questão de apresentar como um dos êxitos da GMK Incorporadora, empresa que volta as atenções para as necessidades da atual classe C. Na fronteira entre Diadema e São Bernardo do Campo a incorporadora aposta no potencial deste novo público e comemora os quase 100% de comercialização da primeira torre de 27 metros do Panorama Diadema, onde apartamentos de dois dormitórios com varanda e equipamentos de lazer como piscina e play ground e lan house têm preço médio de R$ 130 mil. Kovari avalia que há um mercado promissor para esta configuração de imóvel e, por enquanto, está convicto do retorno tranquilo dos investimentos se a construção estiver situada nos arredores da cidade de São Paulo. Com uma renda familiar de R$ 3 mil é possível efetuar a aquisição através de financiamento. Para evitar atraso na entrega a empresa opta pelo início antecipado das obras e para não ter problemas com os compradores, por conta de imprevistos no cronograma, há constantes reuniões com os clientes, diz o empresário.


Materiais de construção sobem e anulam efeito do IPI menor
Valor Econômico/BR
23 de agosto de 2010

 

João Villaverde De São Paulo
Quando anunciou a prorrogação final do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido às fabricantes de materiais de construção, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a decisão visava evitar pressão inflacionária sobre os produtos. A alta de preços, no entanto, ocorreu mesmo assim. Pagando menos impostos desde abril do ano passado, as empresas do setor têm aumentado preços em 2010, depois da queda em 2009.


Principal componente na construção civil, exigido em qualquer obra ou reforma, o preço do cimento aumentou 4,65% nos primeiros sete meses do ano, praticamente recuperando a queda de 4,97% em 2009 após o IPI ser reduzido de 4% para zero em abril. A elevação deste ano superou inclusive os 3,3% apurados nos primeiros sete meses de 2008, quando a economia também passava por crescimento elevado, mas não contava com IPI reduzido.


O fenômeno se repete com praticamente todos os materiais que tiveram a cobrança do IPI reduzida - a queda nos preços em 2009 cedeu lugar a novos reajustes desde o início do ano. Os fabricantes de pias, cubas e louças sanitárias, que estão com seu IPI de 5% zerado há 15 meses, aumentaram seus preços em 4,44% neste ano, depois de os terem reduzido 0,73% no ano passado. O segmento de tintas, que observou as maiores quedas de preços após a redução do IPI, praticamente já recuperou o patamar perdido (ver gráfico). Em outros produtos importantes para o setor, como massa de concreto e argamassa, os preços também caíram num ano e subiram no outro.


Representantes do setor justificam o aumento de preços pelo aquecimento da economia. O discurso, dividido com especialistas em inflação, é de que o "efeito IPI" já esgotou. Nas palavras de Melvyn Fox, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Abramat), o IPI reduzido já foi "completamente incorporado pelo setor", que em 2010 já passa a responder às oscilações da atividade.


Segundo a Abramat, as vendas de materiais de construção foram 18,1% maiores entre janeiro e julho deste ano sobre igual período do ano passado, quando, a partir de abril, as empresas já não pagavam IPI. Na indústria, o nível de utilização da capacidade instalada dos produtores de materiais já supera os patamares recordes, alcançados em 2008, fazendo com que grandes empresas, como Votorantim Cimentos e CSN, importem cimento do Vietnã e da China, respectivamente, para fazer frente aos pedidos dos consumidores.


O caso do cimento é mais específico, uma vez que o material não pode ser estocado por mais que três meses. Segundo estimativa de José Otavio Carvalho, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, as fábricas do setor têm capacidade de produzir 67 milhões de toneladas, frente a um consumo de 58 milhões de toneladas de cimento ao longo do ano. "As empresas importaram 300 mil toneladas. Isso é quase irrelevante quando olhamos o consumo total", diz Carvalho.


As fábricas do setor de materiais, ocupam, há três meses, 91,7% do total de sua capacidade, o maior da série histórica. "Quando o governo cortou ou diminuiu o IPI para os fabricantes, o efeito nos preços foi imediato. Mas a partir de certo ponto, ele passa a ser incorporado na conta, deixando de ser um fator que reduz preços", explica Ana Maria Castelo, economista da FGV Projetos, que coordena o cálculo do Índice Nacional de Custos da Construção (INCC).


No acumulado do ano passado, os materiais de construção registraram deflação de 0,54%. Já em 2010, o movimento é o inverso. Apenas nos primeiros sete meses do ano, os preços dos materiais de construção tiveram elevação de 4,21% - alta inferior, no entanto, aos 15,1% registrados em 2008.


A perspectiva, no entanto, não é favorável ao consumidor. "O crescimento da economia eo impulso que o setor vai ter, com obras de infraestrutura e por meio de programas federais de habitação, são coisas ótimas, mas que acarretam aumento de preços", diz Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).


"Mas há uma perversidade pouco lembrada", diz o empresário: "a péssima ideia de substituição tributária implementada no Estado de São Paulo". Segundo Conz, o IPI representa o equivalente a 8% dos preços dos materiais de construção. Isso quer dizer que, quando a redução do IPI vencer em dezembro, os preços automaticamente ficarão 8% mais caros.


"No fundo, a redução do IPI serviu para amenizar os custos que a indústria têm com a política de substituição tributária implementada em São Paulo desde 2007". Ao todo, 126 materiais de construção pagam diferentes alíquotas em São Paulo - a de cimento é 20%, de lata de tinta é 35%, fios e cabos elétricos pagam 37%, e cerâmica, 38%. Desde 1o de julho, no entanto, o governo de São Paulo ampliou as taxas em 8%, em média. "Isso, de cara, já elevou os preços de todos os materiais", diz Conz, que estimou em 2,5% o aumento médio de preços ao consumidor.


Para Otavio Fineis, coordenador de administração tributária da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a substituição tributária "só onera quem sonega". "Ao invés de repassar a cobrança do ICMS por toda a cadeia, nós concentramos no fabricante, que paga sobre um preço médio que é calculado pela Fipe, contratada pela Anamaco e pela Abramat", diz Fineis.

Setor pressiona o governo para prorrogar o benefício
Valor Econômico/BR
23 de agosto de 2010


De São Paulo
Prevista para acabar em quatro meses, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) virou motivo de pressão dos empresários do setor sobre o governo. "Se em 2009, quando reduziu o IPI, o governo queria incentivar as famílias e o setor, agora ele precisa nos ajudar a fazer frente ao ritmo do consumo, que vai continuar muito forte", diz Melvyn Fox, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Abramat). O empresário afirmou ao Valor que se reunirá com membros do governo em Brasília no fim de setembro para pleitear nova prorrogação do IPI reduzido, além de reduções para PISCofins. "Se o governo quer de fato implementar seus programas de habitação popular, terá de manter a redução de impostos", afirma Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).


"A redução do IPI foi e tem sido importantíssima para o crescimento das vendas de materiais de construção. Além de impulsionar a demanda, num primeiro momento, agora o IPI reduzido serve às fábricas como estímulo para acompanhar o consumo das famílias e empresas", diz Fox, que, no entanto, admite ser "difícil" isolar o efeito do IPI no ritmo do setor desde o ano passado.


Além de reduzir o IPI, o governo federal lançou o programa Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de 1 milhão de casas populares e também incrementou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em 2010, o governo já divulgou a segunda versão dos dois programas, que tiveram sua duração estendida até 2014. Há também a perspectiva de grandes obras envolvendo a realização da Copa do Mundo, em2014, e dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016.


"As obras do Minha Casa, Minha Vida só começarão agora a demandar materiais de acabamento, como pias, fechaduras e chuveiros. Até agora a demanda estava concentrada em materiais de base, como cimento, massa de concreto e argamassa", diz Conz. "Não faz sentido retirar o IPI seumaparcela importante dos produtos ainda não foi demandada".


Além disso, diz o empresário, os contratos firmados pelo governo federal com as construtoras impedem reajustes de preços dentro do prazo de um ano. "O IPI representa, em média, 8% dos preços dos materiais de construção. Se ele voltar, terá um impacto relevante sobre as margens das construtoras que entraram no programa, que não poderão repassar seus custos", afirma Conz, para quem a margem de lucro média de 6% que as construtoras obtém nas obras do Minha Casa, Minha Vida, cairá pela metade com o retorno do IPI. O aumento de preços resultante da cobrança do IPI também terá impacto direto sobre o governo, dizem os empresários, pois os custos das habitações para quem recebe até três salários mínimos são integralmente cobertos pelo Estado. (JV)


Serra vai priorizar saneamento e infraestrutura
DCI OnLine/SP
23 de agosto de 2010


BRASÍLIA - Redução de impostos de empresas de saneamento, retomada dos investimentos em infraestrutura e incentivos para a chamada economia verde são pontos prioritários que serão contemplados no programa de governo do candidato José Serra (PSDB).


Quem informa é o coordenador do programa de governo do candidato, o agrônomo Xico Graziano. Há dois meses ele deixou a Secretaria de Meio Ambiente do governo de São Paulo para assumir a missão, com a bagagem de quem entende de qualidade de vida, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.


"Em termos de reforma tributária, o que precisa fazer é começar a desonerar", disse Graziano, em entrevista exclusiva ao DCI. "Ela vai começar pela área de saneamento básico." Segundo ele, o setor perde anualmente R$ 2 bilhões porque em 2003 o governo dobrou a incidência de dois tributos federais - PIS e Cofins.


O maior destaque do programa, apontou, ficará por conta da previsão de investimentos para superar os gargalos de infraestrutura, especialmente em relação a portos, aeroportos e rodovias, mas também em energia. Haverá também financiamentos subsidiados para as empresas adotarem tecnologias que reduzam a emissão de carbono, "o que pouco foi feito pelo governo", afirma. A seguir, os principais trechos da entrevista.


Como está sendo costurado o programa do candidato José Serra?

Estamos trabalhando desde o começo em três frentes. São propostas dele próprio, feitas desde 2002, grupos de estudos que se formaram este ano todo e o site colaborativo. Mas não vamos finalizar nada porque o site Proposta Serra está aberto e está recebendo agora uma base de 300 a 400 inscrições por dia. Estamos com 12.723 inscrições de participantes. Esse processo deu certo: 75% dessas pessoas não são filiadas a partidos políticos. É uma espécie de democracia digital.


O senhor também está viajando?
Há mais ou menos um mês o Serra pediu para eu definir as agendas regionais. Então, estou indo aos estados, reunindo com as equipes de programa regionais para ver no programa do estado o que é que exige a participação do governo federal. São coisas importantes, mas o governador, mesmo querendo, não consegue fazer. Já fui a 12 estados. Em todos temos candidatos. Eles apresentam quais são as propostas. E, em geral, o Serra, quando viaja, tem essa informação, especialmente sobre o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. E ninguém acha o PAC. É que tudo está no PAC, é impressionante. Mas as obras não saem do papel, a licitação não foi implementada.


O que os empresários podem esperar em termos de política econômica na proposta?
Em termos de economia, eu diria que o fundamental é a questão de infraestrutura para crescimento. São os gargalos - de logística principalmente, mas de energia também. Quando você fala em tornar sustentável o crescimento, isso não é só uma questão ambiental: temos problemas para enfrentar o crescimento acelerado porque não há infraestrutura. Os aeroportos estão mal preparados: para passageiros, nem precisa falar, mas para cargas não tivemos investimentos. Os portos estão também nessa situação. Estive no Porto de Paranaguá na semana passada: é impressionante, realmente é lamentável. Anos e anos se passam e não conseguem fazer coisas simples, como dragagem para aumentar o calado. Outras questões são questões de macroeconomia, a exemplo da taxa de câmbio, da reforma tributária.


A base aliada do governo tem afirmado que realmente há problemas, mas é porque o País cresceu. Mais carro, mais exportação, e isso serviu para afunilar a infraestrutura que já existia. Faz sentido?

Só a primeira parte. O Brasil cresceu em produção, mas em oito anos não houve nenhum aumento da capacidade de exportação. Não se pode falar em planejamento. No máximo, eles têm PAC, que é um amontoado de obras. Mas estratégia para desenvolvimento não tem. Aquilo que as empresas fazem, que é o planejamento estratégico, o governo precisa fazer também. É verdade, aumentaram as exportações e aí foi entupindo tudo.


Sobre reforma tributária, o que se pode esperar?
O que precisa fazer é começar a desonerar. Mas o caminho não é esperar aquela famosa e fenomenal reforma tributária que vai agradar a tudo e a todos. Ela vai começar pela área de saneamento básico do País. A reforma tributária que desonere a produção e os investimentos: esse é o nosso foco.


Investimentos e produção em saneamento básico serão isentos?

Isentos? Não sei dizer. Depende, lá para a frente. O saneamento foi onerado recentemente, em 2003. O PIS/Cofins do saneamento aumentou de 3% para 7,6% da receita, do faturamento das empresas. É uma coisa escandalosa. O faturamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por exemplo, foi aumentado. A conta nossa é que custa R$ 2 bilhões por ano o que foi subtraído das empresas de saneamento no País. Isso deveria ser investido em canos em vez de ir para o governo.


Em termos de financiamento, incentivos fiscais?
Na área de incentivos, o que temos lá é para a economia verde, como fizemos aqui em São Paulo. Vamos reforçar muito essa ideia de que você tem que ajudar os novos setores da economia.


Por exemplo, isso vai beneficiar o pessoal da indústria de reciclagem?

A indústria de reciclagem, as energias renováveis, energia eólica, energia solar. E também para as próprias empresas trocarem suas tecnologias para diminuírem suas emissões de carbono. Você precisa ajudar a pagar essa conta. Você tem de financiar com juros subsidiados.


Isso poderá ser feito pelo BNDES?
Claro que sim. Aqui, em São Paulo, nós criamos uma linha pela Nossa Caixa Investimentos que é chamada de Economia Verde. Essa linha disponibilizou R$ 600 milhões para as empresas nessa questão de redução das emissões de carbono.


E o governo federal tem algo parecido?
O governo federal agora, na política agrícola, anunciou uma linha especial, mas com as mesmas taxas, para a agricultura de baixo carbono. Foi um remendo. Sinaliza um pouco nessa linha. Mas anunciou e foi isso só, até agora. É como o programa "Minha Casa, Minha Vida": anuncia que vai, mas fazendo não está, a não ser o contrato. Tem articulações e contratos sendo negociados, prevê um milhão de novas casas em contratos para a classe de baixa renda. Para a classe média está valendo, como sempre teve. O Serra vem falando pouco a pouco sobre seu programa de governo. Já temos o Ministério da Segurança Pública e o Ministério do Deficiente. A campanha da adversária está apontando a criação do Ministério da Micro e Pequena Empresa ou Ministério do Empreendedorismo. A nossa proposta é fortalecer o Sebrae. Com uma maneira de financiar melhor o trabalho que a entidade faz de apoio às pequenas empresas e aos arranjos produtivos locais. Você não precisa criar mais burocracia. Você precisa dar dinheiro às micro e pequenas empresas. O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] diz que aplica no segmento, mas é ínfimo o que faz. O que precisa é melhorar o financiamento das micro e pequenas empresas através das articulações que o Sebrae é capaz de fazer e que já faz. Ele até conhece os tomadores. Até qualifica os tomadores de empréstimos, mas não tem isso. Nós temos que vincular o Sebrae a algum esquema de financiamento.


terá centro de inovação da IBM para emergentes
Brasil Econômico/BR
23 de agosto de 2010


Carolina Pereira
Como ocorre na Índia e na China, unidade deve criar sistemas personalizados para os clientes. Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016 garantem demanda pelo serviço


Responsável por 19% de toda a receita registrada no ano passado, de US$ 13,4 bilhões, os países emergentes como China, Índia e Brasil passaram a ser os principais focos da estratégia mundial da IBM. O interesse é tanto que China e Índia ganharam centros de pesquisa e desenvolvimento voltados à criação de produtos de acordo comas características locais.


Agora o Brasil também fará parte desse grupo. A empresa acaba de abrir, em São Paulo, um centro de excelência de software que tem como objetivo desenvolver soluções complexas que ainda não existem no mercado e que atendam também as necessidades de outras economia sem crescimento.


A empresa não revela quanto foi investido na iniciativa nem quantas pessoas estarão dedicadas à divisão, mas diz que a demanda será garantida por eventos como a Copa do Mundo, em 2013, e a Olimpíada, em 2016. Para atender os eventos esportivos, vários clientes da gigante de tecnologia precisarão de sistemas personalizados para operar.


Além do governo, a expectativa é desenvolver projetos para os segmentos de transporte e construção civil, de acordo com o gerente do laboratório de software da IBM Brasil, Fábio Scopeta Rodrigues.


"O foco dos grupos no mundo é acelerar a criação de soluções para mercados emergentes", afirma o executivo, referindo-se a propostas que integrem software, hardware e prestação de serviços aos clientes. Segundo ele, questões como o desperdício de energia e redução de custos com transporte são algumas das prioridades no Brasil. De acordo com o Departamento de Transporte da cidade de São Paulo, o custo do congestionamento diário da capital é de R$ 4,1 bilhões por ano, levando emconta o tempo que as pessoas perdem no trânsito, gastos referentes ao consumo de combustível e o impacto dos poluentes na saúde da população.


Na área de redução de energia, há um projeto em andamento no país, voltado para iluminação pública inteligente. O nome da cidade que adotou o sistema é mantido sob sigilo. De acordo com Rodrigues, a energia elétrica desperdiçada no país poderia suprir 17,8 milhões de pessoas por ano.


Sobre os planos de expansão do centro de excelência de software no Brasil, Rodrigues afirma que espera que aconteça aqui o mesmo que acorreu com o centro indiano. Segundo ele, desde sua criação, há dois anos, a área triplicou de tamanho. Ele afirma, também, que os sistemas desenvolvidos em território nacional podem ser utilizados também em outros mercados emergentes, e que os três centros da companhia, no Brasil, Índia e China, trabalham de forma integrada.
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Soluções desenvolvidas em território nacional podem ser utilizadas também em mercados como China e Índia

360 Graus
Correio Braziliense/BR
22 de agosto de 2010

 

Tomou posse, na quinta-feira, o novo Conselho Deliberativo do Clube de Engenharia, que vai eleger, em 14 de setembro, a diretoria. Atualmente, o Clube de Engenharia de Brasília-Cenb é presidido pelo engenheiro Carlos Roberto Moura (foto). No próximo dia 31, durante o almoço mensal de confraternização na Churrascaria Porcão, o presidente da CBIC Câmara Brasileira da Indústria da Construção, engenheiro Paulo Safady Simão, será homenageado.


Ouro de tolos
Correio Braziliense/BR
22 de agosto de 2010


Construir casas populares, regularizar condomínios, garantir financiamento habitacional, assentar sem-teto, distribuir escrituras e por af vai.Valendo-se do estratégico apelo da moradia, candidatos ao Governo do Distrito Federal tentam conquistar o eleitor. Todos tem, em seus programas, vários itens que levam os cidadãos a um caminho sem atalhos ao sonho da casa própria, como mostramos em reportagem publicada na última sexta-feira, na editoria de Cidades.


Sabemos todos que ter um teto é o mesmo que ter dignidade e que todas as propostas ara garantir esse direito são louváveis. certo que não poderia existir promessa mais atrativa, sobretudo numa cidade que tem 360 mil pessoas numa fila de espera para serem contempladas por programas habitacionais. Mas também temos consciência do quanto a questão fundiária é estratégica e problemática no DF. Grilagem e invasão de terras são dilemas crônicos, da mesma forma que a especulação imobiliária, a ocupação desordenada e as tentativas de mudar a destinação de áreas públicas. Tudo isso impacta diretamente na qualidade de vida e na preservação ambiental, além de ser uma ameaça ao tombamento. Logo, é preciso atenção redobrada às propostas que aparecem nesse setor.


Outro fator a ser levado em consideração é a ameaça frequente de dilapidação do patrimônio público, em forma de distribuição sie lotes ou venda de terrenos sem a observância das questões de densidade de ca e infraestrutura, por exemplo. óbvio que o imbróglio dos condomínios precisa ter um desfecho, mas abrir espaço para a legalização geral e irrestrita é caminho perigoso. Criar outras legislações e firmar convênios apenas para legitimar o cumprimento de promessas políticas são crimes sem precedentes.


Brasilia merece um governo que esteja atento ao problema da moradia não apenas para angariar votos. É preciso pensar de maneira mais abrangente, criar políticas públicas levando em consideração o meio ambiente e o planejamento urbano para tentar frear a situação de caos que se avista. Do jeito que está, a capital segue o curso de uma metrópole qualquer, perdendo sua condição de cidade planejada. Sem uma gestão eficiente, as terras públicas -que são um bem preciosíssimo, inclusive para garantir acesso à moradia podem se tomar uma arma para destruir nosso bem maior, que é a qualidade de vida que ainda temos aqui.


Cuidados na compra
Correio Braziliense/BR
22 de agosto de 2010


Consumidor deve ficar atento à variedade de ofertas, taxas e prazos. Dica é procurar assessoria profissional
Vânia Cristino


Os brasileiros estão tendo acesso a financiamentos baratos e de longo prazo, como os voltados para a aquisição da casa própria, mas muitas vezes não sabem procurar o melhor negócio. São tantas as ofertas, tanto em imóveis quanto em linhas de financiamento, que os clientes ficam confusos, sobretudo em Brasília, onde há 10 mil moradias prontas disponíveis e uma demanda reprimida estimada em 120 mil unidades. Daí que, mesmo com os preços nas alturas principalmente no Plano Piloto, onde há limitações para os prédios , o mercado está mais do que aquecido, para imóveis novos e usados. Não faltam motivos para se tomar cuidado, especialmente quando se trata da primeira compra.


A primeira coisa a fazer é verificar as opções existentes e procurar a assessoria de um profissional, que vai ajudá-lo a encontrar a oferta apropriada para o orçamento familiar , recomenda o presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Brasília (Creci-DF), Hermes de Alcântara. Para quem não tem nenhuma poupança prévia, geralmente exigida como entrada uma vez que o crédito não abrange 100% do valor do imóvel , a melhor opção pode ser a aquisição de um imóvel na planta. Na compra, o adquirente ganha cerca de 24 meses para o pagamento da entrada, que é o prazo de construção. Por isso, a demanda pelos novos é maior , explica a superintendente de Negócios Imobiliários do Santander, Nerian Gussoni.


Outra dica: os bancos exigem de entrada cerca de 20% do valor do imóvel, já que o financiamento máximo gira em torno do outros 80%. O problema, nesse caso, é maior para os autônomos e profissionais liberais, que precisam ter poupado antecipadamente para a compra do imóvel. Para a maioria dos trabalhadores com carteira assinada, a poupança prévia é substituída pelos recursos do saldo que possuem na conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Mas, nesste caso, existe uma particularidade. Os recursos do FGTS só podem ser usados se o imóvel a ser adquirido for avaliado em até R$ 500 mil, limite estabelecido para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).


Condições
O futuro mutuário também não pode ter outro imóvel em seu nome. As condições de crédito para o financiamento das moradias velhas são iguais para as novas em termos de prazo e juros. A taxa de juros varia de 8,4% ao ano mais TR (Taxa referencial de Juros) a 10,5% ao ano. Nos cinco bancos pesquisados pelo Correio os que mais emprestam no setor , as condições para o financiamento imobiliário são muito parecidas. Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Banco do Brasil, assim como o Banco de Brasília (BRB), possuem diversas linhas, com recursos próprios e da caderneta de poupança, para operações dentro do limite do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), e, se for o caso, carteira hipotecária. Para imóveis de até R$ 500 mil, por exemplo, os mais procurados no mercado, o prazo de financiamento em todos os bancos chega a 30 anos.


O Itaú Unibanco informou que sua taxa de juros é diferenciada e depende do relacionamento do cliente com o banco. O percentual de financiamento chega a 90% do valor do imóvel, mas é de 80% na maioria das instituições financeiras. O comprometimento da renda com o pagamento da prestação também varia de 27% a 35%. Já a composição de renda aceita pelos bancos vai desde o rendimento individual do comprador ao da família, o que pode incluir o rendimento dos filhos. No caso de relações estáveis, entra a renda dos casais de uniões estáveis, inclusive do mesmo sexo.


É com eles que eu vou
Revista Exame/BR
22 de agosto de 2010


Pela lógica, parte dos principais auxiliares de campanha de cada candidato à Presidência é candidata a integrar o próximo governo. A análise do perfil desse grupo dá pistas do que pode vir por aí
ANGELA PIMENTA


É neste ponto da campanha eleitoral que o jogo do próximo governo começa a ser logado para valer. Muita água vai rolar por baixo da ponte até o dia3 de outubro. Mas convém olhar para os lados e analisar, além dos candidatos, aqueles que os cercam. Pela lógica, quem está mais próximo do candidato agora tem mais chance de permanecer com ele em caso de vitória. A pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições, tanto Dilma Rousseff, do IT, quanto José Serra, do PSDB -os dois mais bem colocados nas pesquisas -, surgem nos palanques, nas entrevistas, nos debates e nos bastidores acompanhados de um pequeno e decisivo grupo de interlocutores, alvos das bolsas de apostas no desenho do próximo governo. Arriscar quem ficará com qual ministério, nesta altura, é puro exercício de futurologia. Mas a presença desses nomes em torno dos candidatos pode dar uma boa pista do que virá por aí.


Do lado de Dilma, além de Lula, seu grande mentor, desponta o grupo formado pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci; por Michel Temer, presidente do PMDB e candidato a vice; o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel; o presidente do PT, José Eduardo Dutra; e os deputados petistas José Eduardo Cardozo e Rui Falcão. No front tucano, os conselheiros habituais de Serra são o senador Sergio Guerra, presidente do PSDB e coordenador da campanha; o ex-banqueiro Ronaldo Cezar Coelho; Márcio Fortes, vice na chapa do verde Fernando Gabeira ao governo do Rio de Janeiro; Xico Graziano, ex secretário paulista do Meio Ambiente; Gesner Oliveira, atual presidente da Sabesp; e o ex-chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira.


A seleção de nomes do alto comando das campanhas sinaliza - ou pelo menos deveria sinalizar - a perfil ideológico e as linhas de ação do futuro governo em uma série de áreas. Isso se toma particularmente importante no caso de Dilma, devido à amplitude do arco político de seu partido, o FT, e de outros que formam a coalizão da candidatura oficial. É um espectro que vai da direita, com aliados como José Sarney e Fernando Collor, à esquerda radical. Muita coisa pode mudar com negociações e alianças que ainda estão por vir, mas, ao menos até aqui, o que se vê é uma predominância das alas mais moderadas no centro da campanha. Caso a liderança de Dilma nas pesquisas se confirme nas urnas, Palocci é tido como uma espécie de curinga para seu governo. "A prioridade é a campanha, mas a escalação do ministério vem emergindo nas conversas com a Dilma", diz um de seus conselheiros. Entre homens e mulheres de negócios, o papel de Palocci num eventual governo do PT é visto com especial interesse. Durante seus anos à frente da Fazenda - e até ser afastado após o escândalo da quebra de sigilo fiscal do caseiro Francenildo Costa -, Palocci esteve identificado com o compromisso de manter a estabilidade da moeda, com a austeridade nos gastos públicos e com microrreformas como a que propiciou o aumento do crédito no mercado. "Se Palocci participará de um próximo governo e o que fará estão entre as perguntas mais importantes desta campanha", diz um alto executivo do mercado financeiro. Nos últimos meses, o ex-ministro da Fazenda tem sido o mais importante interlocutor de Dilma com o empresariado.

Tão discreto quanto cioso de seu poder, Palocci tem se esquivado da imprensa, numa tentativa de se livrar da mira de adversários, parte deles vinda do próprio FI', cuja ala radical permanece fiel ao ex-ministro José Dirceu."Mesmo sendo réu no processo do mensalão, Dirceu representa uma fatia importante do PT e se destacou na formação dos palanques estaduais da aliança governista", diz o cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências. "Certamente ele será ouvido na montagem do ministério." Para Cortez. num eventual governo Dilma. o poder de Palocci será inversamente proporcional ao de Dirceu. "Aliado pela primeira vez do PT numa eleição presidencial, o PMDB tentará ampliar seu espaço"


A CORRENTE MAIS MODERADA do FT é representada na campanha de Dilma por dois outros personagens. O primeiro vem se mantendo mais à sombra nos últimos meses. O segundo ganha visibilidade ao acompanhar Dilma na maioria de suas aparições públicas. Amigo de juventude de Dilma, Fernando Pimentel, candidato ao Senado por Minas Gerais, recolheu-se aos bastidores após a notícia de que estaria por trás da elaboração de um suposto dossiê contra os tucanos. "Apesar de chamuscado, Pimentel pode ir para a Casa Civil", diz o cientista político Gilberto Almeida, do Instituto Análise. Pimentel ganhou projeção na cena política nacional por sua bem-sucedida gestão na prefeitura de Belo Horizonte, marcada pela parceria, até hoje inédita no restante do país, com um tucano, o ex-governador Aécio Neves. A atuação da dupla resultou em várias melhorias para a capital mineira, como a modernização do sistema viário e um programa de reurbanização de favelas. Por outro-lado a deputado federal José Eduardo Cardozo tem cada vez mais visibilidade como um dos coordenadores da campanha. Além de acompanhar a candidata e ajudar na definição de sua agenda. ele é responsável pela área jurídica, checando aspectos legais da movimentação no front petista e também nas candidaturas oponentes. Cardozo ganhou notoriedade como um dos sub-relatores da CPI dos Correios, embrião do escândalo do mensalão. O principal fruto de seu trabalho na CPI foi o lançamento, no início de 2010, de um projeto de lei que visa aumentar a transparência dos gastos do governo com publicidade.


As especulações em torno da influência do FT radical num eventual governo Dilma Rousseff não seriam tão grandes se alguns de seus representantes não estivessem participando da campanha. Se há Palocci e Cardozo de um lado,há, por exemplo, Marco Aurélio Garcia de outro. Assessor especial para assuntos internacionais de Lula. Garcia é um dos artífices da aproximação do Brasil com a Venezuela de Hugo Chávez e com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad. E o responsável pela redação do plano de governo de Dilma. Escreveu um primeiro documento - rapidamente descartado.


O intrincado mosaico político em torno de Dilma se fecha com sua aliança com o PMDB. Aliado pela primeira vez do PT numa eleição presidencial, o partido, que hoje tem seis ministérios, tentará como sempre ampliar sua fatia. "A questão é saber se o PMDB irá brigar mais por ministérios poderosos, mas com verbas menores, ou se manterá seu apetite histórico pelos setores de infraestrutura e satide, com muitos cargos e verbas polpudas", diz um interlocutor próximo de Michel Temer. O nome mais forte do partido para ganhar um cargo na Esplanada é o do ex-governador do Rio de Janeiro Wellington Moreira Franco, braço direito de Temer e que deixou a vice-presidência da Caixa Econômica Federal para dedicar-se à campanha. Ele poderia levar o Ministério das Cidades, de importância crescente em razão do programa Minha Casa. Minha Vida.


Na seara tucana. a prioridade é tentar recuperar a liderança de Serra com o horário eleitoral e os debates na TV. "Não faz sentido falar de escalação ministerial agora, pois isso queima o nome de quem está cotado para o cargo", diz o senador Sérgio Guerra. Pouca gente duvida, no entanto, que Serra teria a seu lado aliados de muitos anos, alguns deles integrantes do último governo em São Paulo. "O secretário da Fazenda. Mauro Ricardo Costa, certamente teria um papel de destaque", diz um dos coordenadores da campanha. "Mas. como ele não tem jogo de cintura. talvez fique com a Receita Federal." Assessor de Serra desde o tempo em que o candidato era ministro do Planejamento, Costa é um técnico respeitado, responsável pelo aumento da arrecadação paulista com a implantação do sistema de substituição tributária. Fazem parte também do grupo de técnicos e pensadores de Serra o atual presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, e Xico Graziano, ex-secretário de Meio Ambiente do governo paulista. Mesmo sem se licenciar da Sabesp, além de aparecer junto de Serra em eventos públicos e de dar conselhos econômicos, Gesner tem sido um de seus interlocutores com setores como o da construção civil. Finalmente, Graziano, responsável pela redação final do programa de governo de Serra. é, ao mesmo tempo, um teórico e técnico experiente nos setores de agricultura e meio ambiente. Entre os democratas. Serra mantém conversas frequentes com o deputado baiano José Carlos Aleluia, um engenheiro elétrico que chegou a ser cotado para ser seu vice. Amigo de Serra desde os anos 90. Aleluia, ex-presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, tem sido um crítico veemente da alta carga tributária do setor elétrico. A medida que o primeiro turno se aproxima, tudo indica que as previsões sobre o futuro ministério se intensificarão. Até lá. um fato novo, como um escândalo ou tropeço de um candidato, pode alterar dramaticamente o cenário eleitoral. Certamente, haverá surpresas quando o novo ministério for anunciado. Mas o mapa do poder dos próximos quatro anos já adquire contornos visíveis. " Certamente haverá surpresas. Mas o mapa do poder em 2011 já adquire contornos visíveis"

 

Financiamentos aumentam 56,2%
Correio Braziliense/BR
22 de agosto de 2010


Brasileiros se animam com inflação estável mais juros baixos e correm para o crédito imobiliário. Tendência é que o volume desse tipo de operação cresça 233% até 2014
Vânia Cristino


Com inflação estável e juros em baixa, o financiamento imobiliário é a modalidade de crédito que mais cresce no país. Segundo o Banco Central, embora em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) o crédito de imóveis represente apenas 3,3%, a taxa de crescimento nos últimos 12 meses terminados em junho alcança 56,2%. A tendência(1) para os próximos anos, de acordo com o Banco do Brasil, é que a carteira dos bancos, hoje de R$ 120 bilhões, chegue a R$ 400 bilhões (alta de 233%) em 2014 e a relação com o PIB passe para cerca de 7,5%.


Segundo o vice-presidente de Cartões, Novos Negócios e Varejo do BB, Paulo Rogério Caffarelli, há muito que o financiamento imobiliário deixou de ser o patinho feio para os bancos. A troca da hipoteca pela alienação fiduciária deu mais segurança para o negócio , disse. Na hipoteca, o imóvel era a garantia do banco em caso de inadimplência, mas existia um custo elevado para a retomada do bem, além de uma demora na ação judicial em torno de cinco anos. Isso não acontece com a alienação fiduciária. Por esse instrumento, criado em 1997, o mutuário só se torna efetivamente dono do imóvel que está comprando financiado depois que paga a última prestação.


Disputa
Em caso de inadimplência, no máximo em até nove meses, a instituição financeira consegue a retomada do imóvel. Melhorou muito o balanço de risco da carteira , admitiu a superintendente de Negócios Imobiliários do Santander, Nerian Gussoni. De acordo com Caffarelli, o crédito imobiliário é um excelente negócio, hoje disputadíssimo pelos bancos. É um produto fidelizador do cliente, que fica com o banco por 15 anos ou mais , argumentou. O Banco do Brasil é novo no negócio tem menos de dois anos nesse mercado , mas já ocupa o quinto lugar em financiamento de imóveis no país, com participação de 1,85% desse tipo de empréstimo.


O primeiro lugar disparado é da Caixa Econômica Federal, que detém 69,94% do mercado, seguida por Itaú Unibanco, Santander e Bradesco. Pelos cálculos do BB, a carteira dos bancos em crédito imobiliário vai alcançar R$ 140 bilhões até o fim do ano. O desembolso, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário de Poupança (Abecip) vai atingir R$ 69 bilhões, sendo R$ 50 bilhões da caderneta de poupança e R$ 19 bilhões de recursos do FGTS. A estimativa do setor é de que a quantidade de novos contratos em 2010 chegue perto de um milhão, sendo mais da metade unidades de valor até R$ 130 mil, financiadas com recursos do FGTS.


1 - Agilidade
A disputa dos bancos pelo financiamento imobiliário vai provocar, em curto prazo, uma queda considerável do tempo gasto entre a decisão da compra e a assinatura do contrato. Em média, hoje, os bancos levam 45 dias úteis para aprovar a operação, depois que o futuro mutuário consegue entregar toda a papelada, que vai desde certidão de nada consta até documentos cartoriais. Na meta das instituições financeiras está o prazo de 30 dias úteis.


Veja que profissionais estão fazendo falta
Gazeta On Line/ES
22 de agosto de 2010

 

dsanchotene@redegazeta.com.br
Trabalhar no ramo ferroviário requer muita qualificação. Os profissionais especializados para atuação nesse segmento são raros, pois não há cursos voltados diretamente para essa área. Na hora de contratar pessoas para esse trabalho, a Vale realiza o próprio treinamento. A falta de trabalhadores com conhecimentos específicos atinge outros segmentos, além do industrial, como comércio e serviços.


A Vale tem um bom exemplo desse apagão de mão de obra. O inspetor de tração da empresa, Marcos Rezende Soares ingressou na mineradora quando ainda tinha 19 anos. Passados 31 anos, ele não vê sua posição ameaçada por conta do número restrito de profissionais que atuam no segmento. O inspetor de tração realiza o acompanhamento das viagens do maquinista até Resplendor, em Minas Gerais. Toda a minha formação foi feita dentro da empresa , disse.


Essa foi uma saída encontrada pela Vale para suprir a falta de mão de obra qualificada. A carência de profissionais especializados, no entanto, não é exclusividade da mineradora. Em outros segmentos da indústria, além dos setores de serviço e comércio, as empresas encontram dificuldade na hora de contratar.


No comércio, o administrador de empresas e presidente da Associação Comercial da Praia do Canto, Carlos Eduardo Sardenberg, diz que no setor há deficiência de mão de obra qualificada tanto para vendedor quanto para gerente.


Pouco ou quase nada se investe na formação e reciclagem dos profissionais que, na maioria das vezes, migram para outras funções, quase sempre administrativas , afirmou.


A coordenadora do curso de Recursos Humanos da UVV e doutora em sociologia, Rossana Ferreira Mattos, lembra que o Espírito Santo registrou grande crescimento nos últimos anos, o que não foi acompanhado pela formação profissional.


Historicamente a função técnica era desvalorizada e, em consequência disso, não houve formação de mão de obra. O mesmo ocorreu com os engenheiros, que tinham pouca demanda e não havia procura por parte dos estudantes. Com a demanda do momento, há essa falta de profissionais. É bom lembrar que não há como formar um bom profissional em curto espaço de tempo , explicou.


Segundo a coordenadora, o problema das contratações é enfrentado, principalmente, nas áreas técnica e operacional. Quanto maior a especialização, mas difícil é achar um profissional para preencher esta vaga. A valorização dos que têm nível superior é grande. No entanto, a demanda dos técnicos também está crescendo , avaliou.


A professora da Fundação Dom Cabral, Íris Leite de Castro, lembra que, em 2009, 39% das vagas de trabalho abertas no Brasil não foram preenchidas porque não existiam profissionais qualificados.


Em 2010, esse quadro pode se agravar. Muitas empresas enfrentam a dificuldade também para encontrar executivos. É bom lembrar que essa competência não pode ser apenas do governo. As corporações podem treinar os funcionários para se tornarem executivos no futuro , disse.


O diretor da Heach RH, Elcio Paulo Teixeira, informou que há escassez de profissional tanto em nível técnico, quanto em nível superior. Profissionais com formação pós-média das áreas de mecânica e elétrica são muito disputados no mercado.


O cenário atual sinaliza para os estudantes e profissionais em busca de uma colocação no mercado, áreas onde é possível se conseguir uma rápida colocação, com uma remuneração competitiva. Porém vale salientar que o sucesso profissional vai muito além do que uma certificação. O bom profissional possui atitudes comportamentais diferenciadas e essas atitudes são altamente valorizadas num ambiente de crescente competição mercadológica e busca por melhor performance.


Empresas investem em treinamentos
Com a falta de profissionais qualificados, as empresas encontraram como saída treinar as pessoas que já fazem parte de seu quadro de funcionários. Segundo o gerente da Casa do Porto, Anílson Amaral, a dificuldade de contratar mão de obra especializada motiva o treinamento de vendedores de vinhos.


A Casa do Porto e o restaurante Aleixo recebem muitos estrangeiros e, por isso, os vendedores e os garçons precisam saber Inglês. Além do curso de língua estrangeiras, pagamos também curso de Português. Isso tudo porque nos preocupamos com o bom atendimento , disse Amaral. Ele lembra que a Casa do Porto foi pioneira no ramo de vinhos em Vitória e que já treinou diversos profissionais, que hoje trabalham em vários estabelecimentos.


Já o supermercado Carone trabalha com o programa primeiro emprego, pois a diretoria entende a importância do ingresso de profissionais sem experiência no mercado de trabalho. O gerente operacional do Carone, Luiz Lacyr Alves, explica que quando há vagas de açougueiro ou padeiro, por exemplo, aqueles que atuam como embaladores passam a integrar o programa de trainee. Quando apto, esse profissional é promovido. Caso contrário, ele volta para sua função anterior , explicou.


Para o diretor das Óticas Diniz, Guilherme Farias, a dificuldade na hora de contratar fica por conta da falta de escolaridade das pessoas. Segundo ele, mesmo aqueles que possuem o nível médio enfrentam dificuldades na hora de fazer as provas com questões básicas.


Na hora da redação, as pessoas não conseguem estruturas as ideias. Para ter um profissional pronto, precisamos treinar. Fazemos isso em todas as funções , avaliou. Ele destaca, ainda, que também são enfrentados problemas de comportamento. É difícil encontrar pessoas gentis, educadas e comprometidas. Lembrando que as contratações são 90% por conhecimento técnico e as demissões são 90% ocasionadas por problemas comportamentais , finaliza.


PARA SEU FILHO ENTENDER
Os setores da economia
O setor primário é formado por 13 segmentos, entre eles comércio, indústria e serviços. O comércio é composto por seis segmentos, entre eles, supermercados, lojas e o setor de distribuição por atacado. Já o segmento industrial abrange 54 itens, como mineração, siderurgia, petróleo e celulose. Outro setor muito importante da economia é o de serviços, formado por 25 segmentos, entre eles, bares e restaurantes, comércio exterior e informática.


Estudo detalha onde falta qualificação
O Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies), entidade ligada à Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), realizou um estudo sobre a necessidade de treinamento de mão de obra qualificada no Estado para os próximos anos, em função dos principais investimentos previstos no período entre 2011 e 2015. Também estão destacados os cursos que devem ser ministrados para atender à demanda estimada.


De acordo com a gerente do Ideies, Dória Porto, o estudo foi feito baseado nos investimentos previstos na expansão e construção de grandes empresas no Espírito Santo. Para esse segmento, no pico das obras, serão necessários 65 mil trabalhadores qualificados. Já para os demais setores, a expectativa é de que sejam contratados 19 mil profissionais , disse.


É bom lembrar que os investimentos das grandes empresas em expansão serão nas áreas de siderurgia, petróleo e gás e celulose. Também estão previstas as construções Companhia Siderúrgica Ubu (CSU) e Ferrous. Estão previstos ainda investimentos na indústria têxtil, moveleira, alimentos e bebidas, vestuário, calçados, rochas, embalagens, entre outros.


No estudo, mostramos que os investimentos não serão feitos apenas nas grandes indústrias. Com isto, o Senai, Sesi e o Iel poderão programar os cursos necessários para qualificar esses trabalhadores , disse.


Na avaliação do gerente-geral de Recursos Humanos da ArcelorMittal Tubarão, José Augusto dos Santos Servino, além das competências técnicas, a siderúrgica procura profissionais que tenham dinamismo, capacidade para cumprir prazos, por exemplo. Não basta ser um bom técnico, tem que ter foco nos resultados e capacidade de aprender e ensinar e proatividade , disse o gerente.


Vagas 65 mil empregos É o número de vagas que devem ser abertas nas obras de construção de novas indústrias ou expansão de grandes empresas no Espírito Santo no período de 2011 a 2015.


19 mil postos É o número de novas oportunidades que devem surgir no setor de confecções e no moveleiro. Esse montante é uma previsão referente ao período de 2011 a 2015.


R$ 35 bilhões É a previsão de investimentos previstos para os grandes projetos já divulgados, como Companhia Siderúrgica Ubu (CSU), que serão instalados no Espírito Santo no período de 2011 a 2015.


Qualificação
Demanda. O Ideies realizou estudo sobre a necessidade de treinamento de mão de obra qualificada no Espírito Santo para os próximos anos, nas várias regiões do Estado, em função dos principais investimentos previstos no período 2011/2015.


Cursos. Com o estudo, o Senai, IEL e Sesi poderão elaborar cursos para qualificar a mão de obra necessária para atender à demanda industrial. Outra entidade que poderá se programar com cursos é o Ifes.


Previsão. A previsão de treinamento de mão de obra para os setores da indústria da construção civil, metalúrgica, metalmecânica e de material elétrico está concentrada nos anos 2011 e 2012, a fim de atender as fases de construção e implantação.


Projetos. Os projetos (grandes investimentos) conhecidos serão implantados no período de 2011/2015, cuja mão de obra estará concentrada nos setores da indústria da construção civil, metalúrgica, metalmecânica e de material elétrico e deverá ser treinada em 2011 e 2012.



MERCADO
O Dia/RJ
22 de agosto de 2010

 


MAIS 18 MIL UNIDADES IMÓVEL NO CARTÃO CUB-RJ SOBE 0,27%
O Custo Unitário Básico da Construção Civil (CUB Representativo) registrou pequena alta em julho. Comisso, pelo segundo mês consecutivo, puxado pelos materiais, o índice calculado pelo Departamento Técnico do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio) subiu e, em julho, atingiu 0,27% no mês. Desta vez, ficou acima do IGP-M (Índice Geral de Preço do Mercado), que registrou alta de 0,15%.


Dos que apresentaram aumento, destaque para a chapa de compensado plastificado (3,23%), a fechadura (2,97%) e o tubo de ferro galvanizado (2,50%)."No acumulado de 12 meses o custo da construção atinge 5,82%, aumento compatível com ametade inflação", comentou Antônio Carlos Mendes Gomes, diretor-executivo do Sinduscon-Rio.


O novo CUB Representativo é de R$ 922,52, soma total do CUB Materiais (R$ 425,28 - aumento de 0,58%), CUB Mão-de-Obra (R$ 463), CUB Despesas Administrativas (R$ 31,78) e CUB Equipamentos (R$ 2,45).


BRASIL BROKERS MARIA DA GRAÇA
A Brasil Brokers, maior grupo de intermediação e consultoria imobiliária do País, cresceu 41% no segundo trimestre - com receita líquida de R$ 85,2 milhões -, na comparação como mesmo período de 2009. As vendas contratadas do período somaram R$ 4,1 bilhões, número recorde para a companhia e considerado o maior volume de vendas já negociado em um trimestre por empresa de intermediação imobiliária no Brasil. Foram negociadas 18.080 unidades.


A Leduca Construtora lançou o Facilitá, que permite que a entradaseja parcelada no cartão de crédito ematé seis vezes sem juros. O residencial fica na Avenida Conde de Azambuja 140, emfrentea estação de metrô de Maria da Graça. O empreendimento está enquadrado no programa do governo federal que beneficia famílias comrenda de até R$ 4.900. O condomínio terá 129 unidades, com preços a partir de R$ 99.699. A área de lazer terá piscina, churrasqueira e playground, entre outros serviços. Dos 25 insumos pesquisados no mês passado, nove apresentaram alta

 

Veja o que muda na sua vida com a nova Política Nacional dos Resíduos Sólidos
O Estado do Maranhão/MA
22 de agosto de 2010


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, no dia 2 deste mês, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). Porém, poucos sabem o que diz essa medida. Basicamente, a nova lei regula a reciclagem e disciplina o manejo dos resíduos. Segundo a Agência Senado, o principal alvo do projeto é um dos mais sérios problemas do país, que é a ausência de regras para tratamento das 150 mil toneladas de lixo produzidas diariamente nas cidades brasileiras .


De acordo com dados que embasaram o projeto, do lixo produzido no Brasil, 59% vão para os "lixões". Apenas 13% do lixo têm destinação correta, em aterros sanitários. Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 405 tinham serviço de coleta seletiva em 2008. O Brasil está atualmente entre os cinco maiores produtores de lixo do mundo.


Problemas - A nova Política Nacional vem para tentar minimizar este problema, uma vez que agora não apenas o governo, mas os produtores e até os consumidores são responsáveis pela destinação e tratamento correto do seu material obsoleto, através do processo de logística reversa.
O projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados em 1989 e só começou a ser analisado em 1991. Só neste ano, foi aprovado e enviado ao Senado, onde passou pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE), Assuntos Sociais (CAS) e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), antes da aprovação em plenário.


Saiba mais
O que muda
Um trecho do autor Rogério Ferro, escrito no portal do Instituto Akatu, evidencia quais as medidas que cada parte deverá tomar após o implemento da PNRS. Em geral, o projeto estabelece a responsabilidade compartilhada entre governo, indústria, comércio e consumidor final no gerenciamento e na gestão dos resíduos sólidos. As normas e sanções previstas em caso do descumprimento da lei aplicam-se às pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos.


Consumidores
- Pela lógica da responsabilidade compartilhada , os consumidores finais estão também responsabilizados e terão de acondicionar de forma adequada seu lixo para a coleta, inclusive fazendo a separação onde houver coleta seletiva; - Os consumidores são proibidos de descartar resíduos sólidos em praias, no mar, em rios e em lagos.


Poder público
- Os municípios terão um prazo de quatro anos para fazer um plano de manejo dos resíduos sólidos em conformidade com as novas diretrizes;
- Todas as entidades estão proibidas de manter ou criar lixões. As prefeituras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem;
- A União, os estados e os municípios são obrigados a elaborar planos para tratar de resíduos sólidos, estabelecendo metas e programas de reciclagem;
- Os municípios só receberão dinheiro do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão;
- Os consórcios intermunicipais para a área de lixo terão prioridade no financiamento federal;
- O texto trata também da possibilidade de incineração de lixo para evitar o acúmulo de resíduos.
Indústria e comércio
- A nova lei cria a logística reversa , que obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a criar mecanismos para
recolher as embalagens após o uso. A medida valeria para o setor de agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, eletroeletrônicos e para todos os tipos de lâmpadas.
- Depois de usados pelo consumidor final, os itens acima mencionados, além dos produtos eletroeletrônicos e seus componentes, deverão retornar para as empresas, que darão a destinação ambiental adequada.
Cooperativas e associações de catadores e de reciclagem
- O projeto prevê que o poder público incentive
as atividades de cooperativas e associações de catadores de resíduos recicláveis e entidades de reciclagem, por meio de linhas de financiamento;
- As embalagens de produtos fabricados em território nacional deverão ser confeccionadas a partir de materiais que propiciem sua reutilização ou reciclagem para viabilizar ainda
mais os profissionais de coleta seletiva e reciclagem;
A lei proíbe:
- Importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos;
- Lançamento de resíduos sólidos em praias, no mar, em rios e lagos;
- Lançamento de resíduos in natura a céu aberto;
- A queima de lixo a céu aberto ou em instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade.
Sanção
- O infrator que desrespeitar a lei cometerá crime federal, que prevê pena máxima de cinco anos de reclusão e multa, de acordo com as sanções previstas para crimes ambientais relacionados à poluição. A pena, no entanto, não se aplica no caso do lixo doméstico.

 

Construtoras não descartam o uso de garrafas em novos empreendimentos
O Globo/BR
22 de agosto de 2010

 


Na construção civil, o uso do tereftalato de polietileno - mais conhecido como PET - ainda é incipiente. Mas algumas empresas já discutem a possibilidade de utilizar o material em seus empreendimentos.


A construtora Premag, por exemplo, vem substituindo os compensados de madeira utilizados na construção de edifícios pelo "plasterit", material feito a partir de garrafas PET.


Segundo o engenheiro Luiz Edmundo Pereira, sócio-diretor da empresa, o emprego do material pode representar uma economia de cerca de 15% sobre o valor da estrutura do prédio, pois o compensado do material pode ser reutilizado várias vezes (ele serve como suporte para erguer a laje).


O sócio-diretor da Mega 18 Construtora, Alexandre Reznik, acredita que uma possibilidade de introduzir esse sistema construtivo no mercado imobiliário carioca seria em modelos híbridos: - Do ponto de vista da sustentabilidade, o projeto de construção com garrafas é muito interessante. Mas a gente tem que observar que o consumidor final ainda é muito cauteloso em relação a ele, principalmente nos quesitos segurança e acústica. Para ganhar a confiança dele, acredito que um caminho seja primeiro utilizar o método em áreas comuns ou paredes "secundárias", como as de closets.


Recipientes vazios dão mais conforto térmico ao imóvel Segundo o professor de engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e doutor em ciência dos materiais, Luis Guilherme Meira de Souza, a garrafa plástica, além de reduzir os impactos ao meio ambiente, pode funcionar como bom isolante térmico e acústico. E, por isso, pode se tornar um elemento durável para o setor.


- Para dar melhor conforto ambiental ao imóvel, as garrafas precisam estar vazias. O ar que fica dentro delas é um bom isolante térmico. Além disso, outros materiais precisam ser empregados, como cimento, para dar forma e sustentação à estrutura da casa - ressalta Souza.

 

 

Progresso sobre mar de esgoto
O Globo/BR
21 de agosto de 2010


Em oito anos, desde quando O GLOBO usou pela primeira vez o exemplo da Rua José Carlos da Silva, na Favela de Rio das Pedras, na Zona Oeste, para ilustrar as estatísticas de saneamento básico, a vida ali teve drásticas mudanças, mas o tempo fez pouca diferença para o esgoto sem tratamento, que continua a desaguar na Lagoa da Tijuca.


No endereço, os casebres de madeira deram lugar a construções de três, quatro andares. Em algumas moradias, já é possível ver TVs com tela grande e antenas para canais de assinatura. A rede de serviços que existe na favela inclui restaurantes e salões de beleza. O entregador de compras João Carlos da Silva Barbosa, de 27 anos, mora desde que nasceu na mesma rua. Ele conta que a maior parte das mudanças feitas na rede coletora é obra dos próprios moradores:


- Na minha casa tem um cano que leva o esgoto direto para o valão. Os moradores é que colocaram as manilhas e aterraram a rua. Quando há vazamento na rua, os caminhões de entrega passam e molham as pessoas com água suja.


No início da rua onde mora o entregador, há um vazamento de esgoto que forma um lamaçal mesmo em dia sem chuva. Crianças e adultos não se intimidam em pisar na lama.


- Quando chove, o esgoto volta e entra nas casas. Tudo fica cheio de água. Por baixo do chão, o solo é um pântano - continua João Carlos. As constantes inundações de esgoto ocorrem, explicam os moradores, por causa do efeito de maré do complexo lagunar da região. Quando há chuva forte e o nível da lagoa sobe, a rede improvisada de coleta de esgoto não consegue dar vazão.



'Governo priorizou PAC, em vez do planejamento'
O Globo/BR
21 de agosto de 2010


Ministério das Cidades ainda não elaborou estratégia para ampliar a cobertura de saneamento em todo o país
Fábio Fabrini


BRASÍLIA. Aprovada em 2007 após anos de tramitação no Congresso, a Lei 11.445, que regula o setor de saneamento, determinou que União, estados e municípios criem planos para orientar os investimentos na área. Mas, contrariando recomendação que fixou 31 de dezembro de 2008 como data-limite, o Ministério das Cidades ainda não apresentou o documento.


Ainda em 2007, a Resolução 33 do Conselho das Cidades, presidido pelo ministro Marcio Fortes, sugeriu que o prazo fosse incluído na regulamentação da lei. Mas só em junho deste ano o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto regulamentador, sem definir uma data para a União.


Integrante do conselho, a arquiteta e urbanista Henriqueta Arantes diz que, sem planejamento, não há garantia de que o dinheiro do saneamento esteja sendo bem aplicado. Conforme o ministério, desde 2003, o governo empenhou (comprometeu-se a gastar), em recursos do Orçamento e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), R$ 49,6 bilhões em saneamento, dos quais só R$ 23,8 bilhões foram efetivamente pagos. O grosso das ações integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, segundo ela, ainda não leva em conta objetivos estratégicos.


- O governo priorizou o PAC, em vez do planejamento. Se esse planejamento existisse, a União poderia orientar as aplicações de recursos para suprir as carências e as desigualdades do país com mais velocidade - afirma.


A conselheira explica que hoje o governo convoca as prefeituras a apresentar projetos, incluídos no PAC em caso de aprovação. Para ela, a lógica favorece as que têm mais capacidade técnica: - Os municípios pequenos concorrem em desigualdade.


O secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski, disse que a pesquisa do IBGE não mostrou os principais investimentos do governo, feitos após 2008. Ele negou falta de critérios de planejamento. Segundo Tiscoski, isso é feito por vários instrumentos, como a sua secretaria, ligada à pasta das Cidades.


Prefeitura recebe R$ 959 milhões do Banco Mundial
O Globo/BR
21 de agosto de 2010


Primeira parcela do empréstimo vai abater dívida com a União
A cidade do Rio recebe já nos próximos dias a quantia de US$ 545 milhões (R$ 959 milhões) referente à primeira das duas parcelas do empréstimo de US$ 1,045 bilhão (aproximadamente R$ 1,9 bilhão) concedido ontem pelo Banco Mundial. A segunda parcela, de US$ 500 milhões, está prevista para ser liberada nos próximos meses. O dinheiro vai quitar parte da dívida de R$ 7,3 bilhões da prefeitura com a União. O abatimento vai baixar de 9% para 6% os juros pagos hoje ao governo federal, gerando uma economia de R$ 550 milhões aos cofres públicos nos próximos 15 meses.


Durante a cerimônia de assinatura do empréstimo, o prefeito Eduardo Paes lembrou que a verba será empregada nas áreas de saúde, educação e gestão do município.


Ele pretende também aplicar parte do dinheiro na urbanização de todas das favelas do Rio até 2020, por meio do programa "Morar Carioca", que propõe também a remoção de 123 comunidades de áreas de risco. A ideia é que aproximadamente 13 mil famílias sejam transferidas para imóveis populares do programa "Minha Casa, Minha Vida".


Apesar da resistência popular, governo brasileiro se prepara para construir Belo Monte
UOL Notícias/BR
21 de agosto de 2010


Para Raimunda Gomes da Silva, a iminente construção da enorme barragem de uma usina hidroelétrica na Amazônia tem um doloroso ar de déjà-vu.


Ela conta que há cerca de 25 anos, a construção de outra barragem situada mais de 300 km a leste provocou a inundação da sua propriedade, que foi invadida por cobras venenosas, insetos e onças, antes de ficar totalmente submersa.


Agora, após ela ter começado uma vida nova em Altamira, o governo está lhe dizendo para sair novamente do seu terreno, deste vez para dar lugar à barragem de Belo Monte, que alagará grande parte desta cidade, obrigando milhares de pessoas a se mudarem. "Essa barragem é uma ameaça para mim, porque eu não tenho mais aquela energia que tinha quando jovem", afirma Raimunda, 53, cuja família de 11 pessoas espreme-se em uma casa de três quartos com um quintal cheio de bananeiras. "Nós não temos mais como investir na construção de uma outra casa como esta. Para mim, isso significa jogar fora muita esperança". Mas ela não terá muita escolha. A construção da barragem de Belo Monte, que será a terceira maior do mundo, deverá começar no ano que vem.


A oposição sistemática ao projeto por parte de grupos ambientalistas e indígenas, com a ajuda de até mesmo figuras famosas como o cineasta canadense-americano James Cameron, não foi suficiente para deter o projeto de US$ 11 bilhões (R$ 19,4 bilhões), que gerará eletricidade para grandes cidades, como São Paulo, ao inundar uma área de 520 km² da bacia do rio Xingu.


As comunidades indígenas afirmam que a represa devastará a suas terras e obrigará cerca de 12 mil índios a deixarem as suas moradias. Elas dizem que a barragem implicará na redução do nível do rio, destruindo a pesca indígena tradicional.


A cidade de Altamira, que fica acima da barragem, enfrenta o problema oposto, já que cerca de um terço da sua área ficará debaixo d'água. Milhares de moradores terão que ser transferidos para outras residências.


Na semana passada, líderes indígenas regionais reuniram-se aqui para planejar uma drástica ocupação do canteiro de obras da barragem, mas depois de quatro dias de discussões, durante as quias não se chegou a nenhum consenso, o protesto foi cancelado. Membros de grupos não governamentais que procuram impedir a construção da barragem estão começando a parecer resignados.


"Os grupos ainda estão divididos", diz Christian Poirier, o líder para o Brasil da Amazon Watch, que participou da reunião. "Existem diversas considerações políticas neste momento a serem sopesadas pelas lideranças indígenas. Algumas dessas lideranças foram neutralizadas por meio de propinas ou ameaças".


O governo exerceu enorme pressão para assegurar que a construção da barragem, que é planejada há décadas, começasse a ser construída antes do término do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final deste ano. Quando algumas das mais importantes companhias privadas de construção e engenharia civil do Brasil manifestaram preocupações quanto aos riscos financeiros no início deste ano, o governo aumentou a sua parcela de investimentos, e agora está financiando mais de três quartos do projeto.


Valter Cardeal, diretor de engenharia da Eletrobrás, a companhia estatal brasileira de energia elétrica, afirmou que o projeto não terá nenhum impacto econômico negativo sobre a comunidade indígena. Ele reconheceu que o fluxo de água abaixo da barragem será reduzido, mas disse que isso não será suficiente para prejudicar a pesca.


Segundo Cardeal, a barragem de Belo Monte trará "melhorias e avanços" para os povos indígenas, incluindo saneamento, melhores serviços de saúde e educação, e "segurança territorial" para as suas terras. Quanto a Altamira, ele afirmou que as pessoas obrigadas a se mudarem serão indenizadas e que a maioria delas será beneficiada.


No bairro situado em uma área baixa da cidade, no qual Raimunda Gomes da Silva mora, por exemplo, algumas casas são construídas sobre estacas devido às enchentes sazonais. De acordo com Cardeal, a mudança tirará esses moradores de "condições precárias e sub-humanas".


Ele disse que o governo dará assistência aos pequenos agricultores afetados e que as companhias de construção concordaram em investir US$ 280 milhões (R$ 493 milhões) em um plano para o desenvolvimento sustentável da região. Porém, oponentes do projeto de construção da barragem e vários moradores afetados não acreditam nas promessas do governo.


Em uma reunião em março deste ano, líderes indígenas brandiram arcos e flechas, e ameaçaram dar início a uma guerra para impedir a construção da barragem. Mas, segundo Poirier, duas tribos, os Xikrin-Kayapos e os Parakanas, acabaram deixando de se opor ao projeto, alegando que temem perder benefícios concedidos pelo governo.


Ele e outros indivíduos envolvidos nas discussões acusam a Eletronorte de tentar dividir os grupos indígenas, corrompendo as suas lideranças com presentes ou ameaçando negar às comunidades serviços de saúde e outros tipos de assistência pública. Cardeal e um porta-voz da Eletronorte negam tais acusações.


Os moradores de Altamira estão divididos quanto ao projeto. Alguns têm esperanças de que a barragem gere empregos e dinheiro para este município pouco habitado e que é o maior do Brasil.


Durante a construção, a barragem deverá gerar cerca de 20 mil empregos, apesar do fato de que inicialmente, pelo menos, os trabalhadores terão que vir de outras regiões, afirma Elcirene de Souza, diretora do departamento federal de empregos de Altamira. Segundo Elcirene, 90% da força de trabalho em Altamira não conta com a qualificação exigida pelos empregos dos quais o projeto necessita.


Ela afirma estar preocupada com a possibilidade de que o fluxo de trabalhadores gere problemas como a formação quadrilhas de criminosos e o tráfico drogas, conforme aconteceu na construção de outras barragens. No entanto, autoridades do governo federal disseram aos moradores que esperam evitar tais problemas ao não criarem uma vila separada para os trabalhadores, conforme foi feito no passado, e sim incorporarem esses indivíduos à própria cidade.


Currículos de trabalhadores já estão sendo enviados em grande quantidade. Segundo Elcirene de Souza, cerca de 8.200 deles, vindos de pelo menos cinco Estados brasileiros, foram recebidos nos primeiros quatro meses do ano.


Moradores como Raimunda Gomes da Silva, céticos em relação às promessas de subsídios e planos de reassentamento, estão preocupados principalmente em saber onde vão morar. Raimunda diz que o governo federal lhe pagou uma indenização baixíssima pela sua última casa, cobrindo apenas o custo do material de construção, e não o preço de mercado da residência. Ela teme que o mesmo volte a acontecer.


"Ao chegarem, eles apresentam uma tabela de preços mostrando quanto oferecerão pela nossa casa, e nós temos que aceitar, caso contrário eles não nos pagam nada", reclama Raimunda. "Eles ditam o valor da minha casa e não me reassentam em nenhum outro lugar".


Ela está preocupada com o marido, que é pescador. "Faltam apenas dois anos para que ele se aposente, mas nós não sabemos se ele será capaz de pescar durante mais dois anos", diz Raimunda. "Vocês acham que o peixe ficará esperando aqui? Não, o peixe sabe para onde escapar, mas nós só podemos ir para onde eles nos jogarem".

 

No DF, há 500 construções sendo monitoradas por comitê criado pelo governo
correiobraziliense.com.br/BR
21 de agosto de 2010


Brasília está longe de perder o título de canteiro de obras. Alargamentos de pistas, viadutos e prédios públicos que há tempos tiveram seus esqueletos demarcados permanecem fechados por tapumes, cones e placas de interdição. A população não tem alternativas. O jeito é engolir muita poeira e aguentar os congestionamentos quilométricos, enquanto os responsáveis dão continuidade aos serviços, que, na opinião de alguns, parecem não sair do lugar.


A demora na duplicação da Estrada Parque Vicente Pires (EPVP), a DF-079, incomoda moradores de Águas Claras e do Park Way. A administradora Adriana Rezende, 45 anos, mora em um dos condomínios da região e se depara com várias situações de risco quando vai para casa. "A sinalização é ruim. Em alguns pontos, o motorista não consegue saber se está no sentido certo ou se entrou na contramão", exemplifica. Segundo ela, a obra se arrasta por mais de um ano. "A casa não fica limpa de tanta poeira", conta. O Departamento de Estradas de Rodagens (DER-DF) garante que o alargamento da EPVP está em fase final, mas não tem previsão de término da obra.


Na DF-047, que vai do fim do Eixão Sul ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, não há operários nem tratores. A ausência do maquinário não significa que os serviços na região terminaram. Quase toda a rodovia tem três faixas de rolamento, menos a ponte sobre o Córrego Riacho Fundo, que ainda conta com apenas duas. O afunilamento de veículos nos horários de pico é inevitável. "Tem mais de um ano que a situação é a mesma e os engarrafamentos continuam", explica o pedreiro Odair Ferreira, 30 anos, que costuma passar pela pista em direção a Santa Maria.


Os blocos de concreto do trecho inacabado já foram instalados na DF-047 para abrigar a terceira faixa de rolamento da ponte. Para pavimentá-la e liberá-la para o trânsito de veículos, o DER precisa de uma licença ambiental. O órgão aguarda a aprovação do documento protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para concluir os serviços.


O Governo do Distrito Federal criou o Comitê de Acompanhamento e Avaliação de Obras, formado por sete secretarias diferentes. Juntos, os órgãos monitoram cerca de 500 construções e revitalizações - não só as de trânsito - por toda a cidade. Do total, apenas 23 foram entregues à população, incluindo serviços nas áreas de transporte, social, saúde e educação. As outras são liberadas aos poucos, com a duplicação da Estrada Hotéis e Turismo, que passa pela Vila Planalto até o Palácio da Alvorada.


A finalização do complexo viário de interligação do Setor de Autarquias Sul com a L4 Sul, na altura da Ponte JK, segue o mesmo ritmo. "Não estamos esperando toda a pista ficar pronta. Estamos entregando em etapas", afirma a vice-governadora do DF, Ivelise Longhi. Segundo ela, o viaduto da L2 Sul está pronto, mas os acessos ao Setor de Embaixadas ainda não foram liberados por falta de sinalização e iluminação. "Até o fim do ano, tudo estará concluído", adianta Ivelise. Ao todo, os serviços na região custaram R$ 21 milhões.


A nova sede da 5ª Delegacia de Polícia também vai demorar a ficar pronta. O prédio, localizado entre o Shopping ID e o Estádio Mané Garrincha, é um esqueleto. A Polícia Civil informa que a empresa responsável pela construção faliu e, por isso, os serviços pararam. Segundo a corporação, uma nova licitação está em andamento. "Não estamos esperando toda a pista ficar pronta. Estamos entregando em etapas" Ivelise Longhi, vice-governadora do DF A meta dos candidatos >> Juliana Boechat


Os candidatos ao Buriti prometem dar um destino às 2 mil obras iniciadas durante a gestão do ex-governador José Roberto Arruda. Muitas delas permanecem inacabadas ou tiveram o prazo final adiado graças à crise política que tomou conta do Distrito Federal em novembro de 2009. Com a instabilidade e a ameaça de intervenção federal na capital do país, muitos investidores deixaram de injetar dinheiro nas obras de infraestrutura e contratos foram congelados por suspeita de fraude. Os candidatos a governador garantem que encontrarão formas de finalizar as obras. E explicam que a população não pode ser prejudicada com investimento pela metade.


Segundo o coordenador de comunicação da campanha de Agnelo Queiroz (PT), Luis Costa Pinto, as obras serão finalizadas com autorização da Justiça local e do Ministério Público. "Se houver alguma orientação de cancelamento de contratação ou casos de recontratação de serviços, Agnelo obedecerá da forma mais célere possível", disse. Ele explicou ainda que, durante a transição entre os dois governos, caso o petista seja eleito, a equipe realizará um levantamento para saber a situação de cada construção. "Não haverá um cemitério de obras inacabadas", prometeu.
Prioridade


O coordenador de comunicação da campanha de Joaquim Roriz (PSC), Paulo Fona, seguiu a mesma linha. Ele garantiu que, caso o ex-governador seja eleito, ele concluirá todas as obras importantes do governo anterior. "Vai ser prioridade. Não se pode desperdiçar recursos públicos, então Roriz concluirá tudo o que está pela metade ou atrasado", afirmou. O engenheiro civil e candidato pelo Partido Verde, Eduardo Brandão, promete realizar auditoria nos contratos com a Terracap para verificar o plano de atendimento das obras. "É necessário que essas obras continuem, mas não no frenesi de fazer milhões de coisas ao mesmo tempo", defendeu.


Toninho do PSol também não tem pressa. "Vamos realizar uma auditoria nos contratos para saber a situação de cada obra inacabada", defendeu. Arquiteto, o candidato pelo PCB, Frank Svensson, confessou não saber a relação de obras inacabadas. "Temos que estudar cada caso." Segundo a assessoria de imprensa de Ricardo Machado, do PCO, a proposta do candidato é rever os contratos públicos para identificar superfaturamentos e desvios de verba. E, segundo a equipe dele, a população decidirá as obras que serão prioridade. O Correio não conseguiu falar com Newton Lins (PSL) e Rodrigo Dantas (PSTU) até o fechamento da edição

 

 

Imóvel na planta: INCC só vale até entrega da chave
Diário do Comércio - MG/MG
21 de agosto de 2010

 

Com troca de índice, clientes temem a possibilidade de não conseguirem arcar com os gastos mensais das prestações.


São Paulo - Quem pretende assinar contrato para adquirir um apartamento na planta deve se preparar para os reajustes do Índice Nacional de Construção Civil (INCC). O indicador mais do que dobrou desde a metade de 2009: saltou de 2,42%, no primeiro semestre de 2009, para 5,62%, no mesmo período desde ano.


Além disso, precisam estar atentos: na entrega das chaves, o índice de correção das parcelas tem de mudar: sai o INCC, que só vale durante a construção, e entra outro, geralmente o Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).


Muitos consumidores que consideraram bom o preço inicial do imóvel agora temem a possibilidade de não conseguirem arcar com os gastos mensais das prestações e reclamam da falta de informação no momento da contratação a respeito da adoção do INCC.


O INCC é uma das três variações que compõem o IGP e reflete o aquecimento do setor de construção civil. A cobrança pode ser feita até a entrega das chaves do imóvel.


"Esse índice, apesar de justo, é perigoso, pois sua variação depende de vários fatores. Por isso, o consumidor deve ficar atento e estar preparado para alterações", orienta o advogado especializado na área imobiliária Ricardo Nemes de Mattos.


O Sindicato da Indústria das Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) garante que, caso o consumidor procure uma construtora confiável, ele terá toda a informação disponível. "Os contratos do mercado imobiliário são parecidos há 20 anos. Não tem novidade. Nos plantões isso é muito explicado", afirmou o diretor de economia do Sindicato, Eduardo Zaidan.


Reajuste - De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o INCC ainda deve crescer nos próximos meses, mas não a ponto de causar uma preocupação. "Deve subir em torno de 1,5% além da inflação, por conta do aumento do preço de materiais de construção, mas nada que possa desequilibrar a capacidade de pagamento do consumidor", diz o vice-presidente do sindicato, Flávio Prando.


Apesar das dificuldades enfrentadas pelos consumidores, não há muito o que fazer em relação a isso, informam especialistas. "O que os tribunais entendem é que esse índice de correção só repõe a perda aquisitiva da moeda", explicou o advogado da área imobiliária Marcelo Tapai. Mas, para evitar transtornos, o consumidor deve se precaver. (AE)

 

Males para o bem
Estado de Minas/MG
21 de agosto de 2010

 

Ao mostrar uma fome maior que a boca, anunciando obras, projetos e decisões nos últimos dois anos muito acima do que o Estado pode bancar, sem esfolar o contribuinte, exaurir os bancos públicos ou voltar a inchar a dívida externa, o presidente Lula, de modo meio enviesado, introduziu a urgência de uma nova agenda de reformas.


O ministro Guido Mantega promete algumas mudanças em 45 dias, e outras mais em 2011, para incentivar a banca e mercado de capitais a ampliar o prazo dos financiamentos privados à produção e aliviar a pressão, assim, sobre o BNDES e o Tesouro Nacional.


Implicitamente, é a admissão da inexequibilidade de uma ideia que prosperou no governo depois da crise do crédito: a supremacia do Estado sobre o mercado. Não é uma coisa ou outra, mas as duas.


O governo se excitou, como ao conferir exclusividade à Petrobras na exploração do pré-sal, quando bastava o regime de partilha para o Estado deter o controle absoluto da produção. Foi ato impensado, influenciado pelas intervenções desesperadas dos governos sobre os bancos, mercados e empresas depois do colapso do Lehman Brothers.


Se até o governo hiperconservador do então presidente George Bush estatizou o Citibank e a General Motors, por que o governo petista de orientação vagamente esquerdista iria manter-se reverente aos mercados, cumprindo sem piar os mandamentos do tal neoliberalismo?


Lula não se cansou de tripudiar da desgraça do mundo rico, aquela gente de olhos azuis, como zombou, e a fazer a apologia do Estado indutor e dirigista das atividades empresariais. Dali para frente, o governo não parou mais. Saíram da gaveta antigos sonhos, do trem bala aos megaeventos da Copa do Mundo e Olimpíadas.


Como primeiro da fila da nova onda do Estado que tudo pode, menos pensar pequeno, o pré-sal passou pelo Congresso com tudo o que se supunha ter direito - e mais o que estava lá como artigo de troca, se as negociações com os partidos encrespassem.


E veio assim a Petrosal, para operar os contratos de partilha à margem da Petrobras, enciumando a mais poderosa das burocracias do setor público. Foi contemplada então com o monopólio da exploração do pré-sal e mais 30% de cada bloco a ser licitado. Não havia mais razão nacionalista, satisfeita pelo regime de partilha, só atenção de Lula ao orgulho da corporação e o seu receio de contrariá-la.


Mas cadê o dinheiro?
Mas cadê o dinheiro para isso? E para subsidiar o programa Minha casa, minha vida? Suprir o funding às novas hidrelétricas? Manter o fluxo dos investimentos que o setor privado já havia contratado ao BNDES ou esperava liberação, tudo suspenso pelo colapso do crédito global depois de setembro de 2008? A resposta arrepiou o governo.


O encanto com o Estado que tudo pode, provê, faz e desfaz começa aí a perder a majestade, embora sobreviva na retórica, e a ficha caiu: o Estado pode ser indutor, mas, sem poupança pública, só o capital privado pode sustentar o atual ciclo de investimento.


Vencidos pelos fatos
Funding privado financia a Petrobras, a dívida pública, subsídio da moradia popular, arcada pelo Tesouro com uma mão, e com a outra pelo mercado, onde o governo desova os papéis que emite.


A consciência sobre as limitações do Estado não há no Congresso. Mas sensibiliza quem importa no governo. Se o caixa do Estado está puído, que se apele ao mercado. E se mude o que entrava a banca a fazer o que faz o BNDES: financiar a longo prazo com juro módico.


A necessidade cria a ocasião. Ao comparecer ao lado do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em evento para explicar os aportes do Tesouro ao banco, o ministro Mantega lançou a novidade. "O Tesouro não vai continuar repassando ao BNDES", disse, acenando com "novos mecanismos financeiros para modernizar o financiamento no Brasil".


Entulhos a remover
Tem muito entulho a remover. Com atraso de ao menos quatro anos, Mantega disse, por exemplo, que os financiamentos à casa própria poderiam ser securitizados, ideia já proposta por bancos com muito depósito de poupança e pouca demanda, o oposto da Caixa Econômica Federal. Se a CEF puder derivar seus contratos em outros papéis, a tal securitização, e vendê-los à banca, ela antecipa seu fluxo das prestações e aumenta o funding disponível para emprestar.


Reformas simples não faltam. Não havia a emergência que o aporte do Tesouro ao BNDES realçou, parte para servir a Petrobras, também acudida pela CEF. Tais reformas são necessárias. Mas não elidem o debate sobre o custo, porte e prioridade do que o governo almeja.


Metade das casas ainda não tem esgoto
Folha de S. Paulo/BR
21 de agosto de 2010


Em 8 anos, passou de 33,5% para 45,7% o total de domicílios que dispõem da rede, segundo pesquisa do IBGE
Em 20% das moradias, não há rede de água, e o abastecimento é feito por poços, caminhões-pipas ou "gatos"
VERENA FORNETTI
DO RIO


O número de domicílios do país com acesso a rede de esgoto passou de 33,5% em 2000 para 45,7% em 2008.


Os dados estão na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada ontem. Quando a análise é feita por municípios, a pesquisa revela que um quinto das cidades despeja seu esgoto de forma inadequada, em fossas sem tratamento, na água ou a céu aberto. Outras 27% lançam os dejetos em fossas sépticas (dispositivo do tipo câmara que é isolado do solo e faz a filtragem do dejeto).


A existência de rede não significa que haja tratamento. Em apenas 29% dos municípios, o esgoto coletado é tratado, percentual que aumenta para 48% no Sudeste.


As cidades com tratamento, no entanto, são justamente as de maior porte, que concentram mais população. O IBGE constatou também a falta de rede pública de água em 20% das moradias, onde o abastecimento é feito por poços, caminhões-pipas ou "gatos". A necessidade de racionar água existe em 25% dos municípios do Norte e 40% do Nordeste.


LIXÕES
Outro tema da pesquisa é o lixo. Metade das cidades usa lixões a céu aberto, prática que é crime ambiental.


Embora os percentuais negativos sejam altos, Luciano Bastos, pesquisador da Coppe/UFRJ, afirma que os dados devem ser relativizados. "Os municípios não produzem quantidades iguais de lixo. Só 1% dos lixões estão em municípios com mais de 100 mil habitantes", diz.


A mesma ponderação é feita por Antonio Tadeu de Oliveira, gerente da pesquisa do IBGE, a respeito da rede de esgoto. Ele cita municípios da região Sul, em que a população se dedica à agricultura familiar. "Não há escala para o serviço. Algumas prefeituras, então, fornecem a fossa séptica para as famílias." Mas há cidades de médio porte com o problema. Teresópolis (RJ), com 160 mil habitantes, não tem rede de esgoto. Nos bairros pobres, os dejetos são lançados diretamente no rio. Em condomínios, com fossas sépticas.
Colaborou ANTÔNIO GOIS

 

Tintas sustentáveis ganham espaço no mundo mais verde
O Dia Online/RJ
21 de agosto de 2010


Produtos reduzem o valor da conta de luz, não têm cheiro e ainda retiram milhões de garrafas PET do meio ambiente


Rio - Depois dos empreendimentos sustentáveis, a indústria de tintas investe em produtos considerados amigos do meio ambiente. As marcas Coral, da AkzoNobel, e Suvinil, da Basf, oferecem várias opções sem cheiro e com utilização de garrafas PET para produzir a resina, usada em tintas e vernizes. Esses produtos já estão disponíveis nas lojas e grandes redes de materiais de construção pelo País.


A Suvinil, por exemplo, recolheu mais de 400 milhões de garrafas PET do meio ambiente, equivalente a cerca de 20 mil toneladas de resíduo. Segundo a empresa, cada galão de 3,6 litros de esmaltes ou vernizes necessitam de cinco garrafas PET na composição. A Suvinil recolhe por ano cerca de 50 milhões de embalagens plásticas.


A empresa oferece a linha de acrílicos Suvinil Menos Sujeira, com fórmula exclusiva que garante redução de até 70% nos respingos provocados pela tinta no momento da pintura. A linha não tem cheiro e é encontrada nas versões acrílico fosco, toque de seda, limpa fácil e semibrilho. Para área externa, a Suvinil apresenta tintas contra microfissuras, mofo e maresia. "Estudos mostram que um terço do consumo de tintas é destinado a áreas externas. Cerca de 40% das construções estão em locais com alta umidade e sofrem com mofo e maresia", diz Francisco Verza, diretor de tintas da Basf.


ECONOMIA DE ENERGIA
A Coral lançou recentemente mais cinco produtos com foco na preservação do meio ambiente, além de permitir a redução em até 20% na conta de luz, com o Decora Luz & Espaço - tinta especial sustentável e ecoeficiente. Há ainda as linhas Rende Muito Tinting, tintas feitas nas máquinas. A nova fórmula da Coralar Acrílico permite maior cobertura e baixa emissão de CO2. A Sparlack Efeito Natural conta com fórmula à base de água e sem cheiro logo após a aplicação.



Carona na expansão imobiliária
O Dia Online/RJ
21 de agosto de 2010


Mercado oferece condições especiais de financiamento para compra de imóvel fora do plano habitacional do governo


Rio - O mercado imobiliário também está aquecido para comercialização de empreendimentos fora do programa habitacional popular do governo federal. Serão lançadas no Estado do Rio, até dezembro, mais de 2 mil unidades, com valores acima de R$ 130 mil. Esses imóveis contam com algumas vantagens, como juros mais baixos e a utilização do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para unidades avaliadas em até R$ 500 mil, além do prazo alongado para 30 anos e financiamento de até 90% do bem.


Segundo a superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Nelma Tavares, esse mercado continua muito aquecido. "As condições de crédito estão bastante acessíveis, e o valor da prestação equivale a um aluguel", diz Nelma. Dados da Caixa revelam que, de janeiro até o dia 30 de julho, foram liberados R$ 5 bilhões do FGTS para o financiamento de moradias fora programa habitacional no País. No Rio, o montante foi de R$ 490 milhões, mais R$ 2 bilhões, da caderneta de poupança.


Os juros na modalidade de financiamento - que permite a compra de imóveis novos, usados e na planta de até R$ 500 mil pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação) - variam de 8% a 12% ao ano mais TR (Taxa Referencial). Na linha Pro-Cotista, por exemplo, a taxa é de 8,66% ao ano mais TR. Na Caixa, imóveis de até R$ 150 mil têm juros de 7,9% ao ano mais TR, se o mutuário optar por um pacote básico de relacionamento com a instituição. No Banco do Brasil, as taxas vão de 8,9% a 11,5% ao ano mais TR. O BB financia até 90% do valor do imóvel, sendo que o valor mínimo do empréstimo deve ser R$ 20 mil.


De acordo com o vice-presidente do BB, Paulo Rogério Caffarelli, no fim de junho, a carteira imobiliária do banco chegou a R$ 2,1 bilhões, registrando crescimento de 84,9% sobre os 12 meses anteriores. A instituição ainda tem R$ 5 bilhões para emprestar ao setor. Desse total, 55% dos recursos seriam para as construtoras e o restante para pessoa física.


Sócio da Percepttiva - especializada em marketing imobiliário -, Rafael Duarte adianta que tem mais 2 mil imóveis com esse perfil para lançar até dezembro no estado. "O cenário está positivo para quem vai comprar o primeiro imóvel ou investir. A valorização imobiliária na cidade já está sendo sentida, além das melhorias em infraestrutura que serão feitas pelos governos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas", analisa Duarte.


Ritmo acelerado nos bairros
Pesquisa da Ademi (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) revela que, desde o início do ano, foram lançados 1.033 unidades de R$ 150 mil a R$ 250 mil. Prova do potencial do mercado é que a Dominus, Helbor e Carvalho Hosken lançam, neste fim de semana, o Comfort Stay, na Barra da Tijuca.


A João Fortes adianta que vai ofertar mais 664 apartamentos em bairros como Vila Valqueire, Campo Grande e Recreio dos Bandeirantes. A Rubi lançará 350 imóveis no Grajaú, no Méier e na Barra da Tijuca. O Grupo Zayd também adianta que terá mais 224 apartamentos na Freguesia e no Pechincha, com preços a partir de R$ 169 mil.


Empresários do varejo da construção civil comemoram resultados
O Estado do Maranhão/MA
21 de agosto de 2010


Os sócios-proprietários do Grupo Jacaré, Eduardo, José Leandro e Marcos Maciel, prosseguem com as comemorações de um ano da loja Jacaré Home Center Material de Construção e Madeiras no mercado de varejo em São Luís e de 18 anos do grupo empresarial. Em café da manhã realizado na loja, no Cohajap, os empresários comemoraram também o destaque que o empreendimento obteve na 11ª edição da Revista da Associação Nacional de Materiais de Construção Civil (Anamaco).


Segundo a publicação, a Jacaré Home Center se destacou, ficando na 4ª posição no volume de vendas no Nordeste, segundo o ranking nacional do setor. Na 11ª edição da Revista da Anamaco, foram ouvidas 520 indústrias, dos mais variados segmentos que compõem a cadeia produtiva do setor de material de construção e segmentos do comércio - varejista, atacadista e distribuidor.


A loja, situada no Cohajap, está localizada numa área de 8.000 m² e dispõe de materiais de construção, decoração, pisos, tintas e diversos derivados da linha de material da construção.


Para o maranhense José Leandro Maciel, fundador do Grupo Jacaré - que reúne empresas de material de construção civil, madeireira, posto de combustíveis, corte de gado, entre outras do varejo, empregando mais de 250 funcionários -, o momento atual é de muito otimismo para o setor empresarial do estado, diante dos empreendimentos que estão se instalando no estado.


O Maranhão vive um momento muito especial e positivo para a economia. Acredito que o setor da construção civil, em especial, está sendo um dos mais beneficiados e obtendo maior crescimento , avaliou o empresário.


O filho e sócio Marcos Gedeon Maciel também está otimista com o segmento de construção e observa que o varejo de material de construção em São Luís vem se ampliando e buscando atender a um público cada vez mais exigente por qualidade de produtos e serviços. Estamos seguindo este caminho. Temos menos de um ano no mercado de material de construção civil e já conquistamos a quarta posição em vendas, diante de empresas que estão há mais de 20 anos no mercado local", salientou o empresário.


Marcos Maciel acrescenta que a credibilidade de outras empresas do grupo Jacaré foi decisiva e tem favorecido o apoio e o crédito por parte da indústria nacional de material de construção civil, elétrico e outros. As demais empresas do grupo, além do Jacaré Home Center, são: Leo Madeiras Máquinas Ferragens Ltda.; Posto de Combustível Jacaré e a Fazenda Jacaré, localizada no município de Vitorino Freire.


Mais
Em comemoração aos aniversários do Grupo Jacaré e da loja Jacaré Home Center, foi lançada a campanha promocional, que garante aos consumidores das lojas e do posto de combustíveis nas compras a partir de R$ 80,00, realizadas de 1º de agosto a 30 de outubro, concorrerem ao sorteio de um carro zero quilômetro.