O Estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo
Alyne Ferreira Guedes
Ana Carolina de Oliveira Veloso, Ana Cecília Moreno
Marianna Costa Mattos
Roberta Vieira Gonçalves de Souza
Estamos presenciando uma época importante e decisiva na mudança de paradigma da arquitetura, por meio da busca pela sustentabilidade e de sistemas tecnológicos inovadores que geram desempenho e mais autonomia aos edifícios. A Copa de 2014, que será realizada no Brasil, possui a finalidade de referenciar este grande acontecimento como a primeira “copa verde” do mundo com a recomendação de que todos os estádios estejam em conformidade com a certificação Leed – Leadership in Energy and Environmental Design.
A Copa do Mundo teve início em 1872, com amistosos entre as comunidades britânicas. Em maio de 1904 foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol, a qual começou a traçar diretrizes para os eventos que fossem realizados. Nesta época, a FIFA contava com sete países associados: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça. Hoje são mais de 213 países presentes nesta associação. Em 2007 foi publicada pela Federação a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol, a qual será utilizada para subsidiar as prioridades de projeto e planejamento da Copa de 2014. Neste Manual constam exigências como: decisões de pré-construções referentes às dimensões mínimas e capacidade de público; orientação do campo, bem como a área do jogo relativo ao tamanho, à grama, às arquibancadas; orientação das tribunas para mídia; diretrizes para segurança pública, conforto e hospitalidade; localização dos estacionamentos, vestiários e acessos; diretrizes referentes à energia e iluminação e também o Green Goal, que é um programa com foco na sustentabilidade, voltado para a redução das emissões de CO2 em seus eventos.
Ao relacionar as datas de surgimento da Copa do Mundo e do conceito de sustentabilidade, é possível refletir se este momento, em que se busca a inserção da sustentabilidade em uma Copa do Mundo, é realmente inédito, visto que não é um assunto recente, assim como a Copa não é um episódio novo, como já foi referenciado.
Em 1987 surgiu através do Relatório Brutland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future) – a idéia de desenvolvimento sustentável o qual foi conceituado como sendo "o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades". A partir daí, foi ampliando diretrizes para adoção deste conceito através de conferências e outros documentos importantes como o Protocolo de Quioto, elaborado em 1997 com exigências mais rígidas relativas ao efeito estufa e ao aquecimento global. Todavia, a idéia de sustentabilidade atual deve considerar três abordagens fundamentais as quais devem ser levadas em conta para que de fato seja concretizada esta idéia: a esferas social, econômica e ambiental, de modo que projetos sustentáveis devem dar garantias de atendimento a todos os grupos humanos, sem distinção social e valores culturais, assim como deve ser viável economicamente e, em especial, preservar a biodiversidade de os recursos naturais, buscando o mínimo de impacto ao meio ambiente.
O LEED, que constitui o selo de certificação para edifícios sustentáveis está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. Este selo foi criado, no
ano de 2000, pela U.S. Green Building Council (USGBC), uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. Por ser um selo de reconhecimento internacional, o mundo todo poderá ter o conhecimento das técnicas sustentáveis e da eficiência dos estádios. A idéia principal da certificação é a busca por medidas construtivas mais sustentáveis determinadas através de critérios como: localização, inovação e processo do projeto, eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto, redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis, o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno.



