O Estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo

05/09/2011

Alyne Ferreira Guedes
Ana Carolina de Oliveira Veloso, Ana Cecília Moreno
Marianna Costa Mattos
Roberta Vieira Gonçalves de Souza

Estamos presenciando uma época importante e decisiva na mudança de paradigma da arquitetura, por meio da busca pela sustentabilidade e de sistemas tecnológicos inovadores que geram desempenho e mais autonomia aos edifícios. A Copa de 2014, que será realizada no Brasil, possui a finalidade de referenciar este grande acontecimento como a primeira “copa verde” do mundo com a recomendação de que todos os estádios estejam em conformidade com a certificação Leed – Leadership in Energy and Environmental Design.
 

A Copa do Mundo teve início em 1872, com amistosos entre as comunidades britânicas. Em maio de 1904 foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol, a qual começou a traçar diretrizes para os eventos que fossem realizados. Nesta época, a FIFA contava com sete países associados: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça. Hoje são mais de 213 países presentes nesta associação. Em 2007 foi publicada pela Federação a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol, a qual será utilizada para subsidiar as prioridades de projeto e planejamento da Copa de 2014. Neste Manual constam exigências como: decisões de pré-construções referentes às dimensões mínimas e capacidade de público; orientação do campo, bem como a área do jogo relativo ao tamanho, à grama, às arquibancadas; orientação das tribunas para mídia; diretrizes para segurança pública, conforto e hospitalidade; localização dos estacionamentos, vestiários e acessos; diretrizes referentes à energia e iluminação e também o Green Goal, que é um programa com foco na sustentabilidade, voltado para a redução das emissões de CO2 em seus eventos.
 

Ao relacionar as datas de surgimento da Copa do Mundo e do conceito de sustentabilidade, é possível refletir se este momento, em que se busca a inserção da sustentabilidade em uma Copa do Mundo, é realmente inédito, visto que não é um assunto recente, assim como a Copa não é um episódio novo, como já foi referenciado.


Em 1987 surgiu através do Relatório Brutland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future) – a idéia de desenvolvimento sustentável o qual foi conceituado como sendo "o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades". A partir daí, foi ampliando diretrizes para adoção deste conceito através de conferências e outros documentos importantes como o Protocolo de Quioto, elaborado em 1997 com exigências mais rígidas relativas ao efeito estufa e ao aquecimento global. Todavia, a idéia de sustentabilidade atual deve considerar três abordagens fundamentais as quais devem ser levadas em conta para que de fato seja concretizada esta idéia: a esferas social, econômica e ambiental, de modo que projetos sustentáveis devem dar garantias de atendimento a todos os grupos humanos, sem distinção social e valores culturais, assim como deve ser viável economicamente e, em especial, preservar a biodiversidade de os recursos naturais, buscando o mínimo de impacto ao meio ambiente.
 

O LEED, que constitui o selo de certificação para edifícios sustentáveis está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. Este selo foi criado, no
ano de 2000, pela U.S. Green Building Council (USGBC), uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. Por ser um selo de reconhecimento internacional, o mundo todo poderá ter o conhecimento das técnicas sustentáveis e da eficiência dos estádios. A idéia principal da certificação é a busca por medidas construtivas mais sustentáveis determinadas através de critérios como: localização, inovação e processo do projeto, eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto, redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis, o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno.